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sábado, 15 de outubro de 2016

PMDB, PDS, PT E PDT NAS DIRETAS JÁ NO ESTADO DO PARÁ SOB A PERSPECITVA DA IMPRENSA ESCRITA (projeto de livro)

1. INTRODUÇÃO:
                                     “ULYSSES EXORTA PMDB A INTENSIFICAR CAMPANHA. NA RETA FINAL QUE ANTECEDE A DECISÃO DO CONGRESSO DIA 25[1]


                                                A manchete acima consegue visualizar o clima que tomava conta do país em torno da campanha para as DIRETAS JÁ, e este clima teve forte consequências no Estado do Pará.

                                                Foi Decretado a abertura política pelo Presidente Militar João Batista Figueiredo, que declarou que a mesma seria de forma gradual e lenta.

                                                A população brasileira cansada em não participar do processo político, não aceitou lentidão para voltar a escolher o Presidente da República, pois, já faziam mais de vinte anos da eleição direta de Jânio Quadros, e diante desta vontade cívica, os brasileiros tomaram as ruas, e começou uma intensa campanha que percorreu todo o país, e tal campanha foi denominada “DIRETAS JÁ”.

                                                A campanha seria difícil, pois, a alteração do processo eleitoral só poderia ser feito por Emenda Constitucional junto ao Congresso Nacional, onde a situação tinha ampla maioria, e a oposição liderada pelo PMDB, buscou as ruas para tentar aprovar a EMENDA do Deputado Dante de Oliveira, esta emenda estabelecia eleições diretas para Presidente. É pertinente dizer que o governo da situação não tinha qualquer interesse nas Eleições Diretas, e a manutenção colégio eleitoral para a escolha do novo Presidente era o perfeito instrumento para que os militares continuassem no poder.

                                                No dia 27.05.1983 PT e PMDB deixaram de lado suas diferenças ideológicas e decidiram marchar junto na campanha das Diretas já, e no encontro entre LULA e ULISSES, o Presidente do PMDB entregou ao Presidente do PT um programa de governo do PMDB elaborado por Teotonio Vilela chamado PLANO DE EMERGÊNCIA PARA O BRASIL, e neste encontro ficou definido que os partidos iriam defender uma agenda comum para a população compreender a campanha.

                                                Este primeiro encontro ocorreu na Câmara dos Deputados no gabinete da liderança do PT, e contou com a participação do Presidente do PDT, Leonel Brizola.

                                                E o Senador Pedro Simon do PMDB/RS, foi escalado para organizar o movimento das DIRETAS JÁ, escolhendo as cidades a serem visitadas, e foi incluído a pauta de revogação da Lei de Segurança Nacional, o mesmo tinha uma motivação contagiante, porém, era um péssimo analista, pois, fez a equivocada previsão que a Emenda Dante de Oliveira passaria no Congresso com tranquilidade.

                                                O PTB através de sua Presidente Ivete Vargas, fechou acordo com o PDS, para ser contra as eleições diretas, e PT e PMDB se comprometeram a denunciar aos Sindicatos, esta danosa atitude do partido dito trabalhista.

                                                No Pará o Deputado Federal Vicente Queiroz PMDB/PA, já articula sua candidatura para a Presidência do PMDB Regional, já que o atual Presidente Carlos Vinagre já declarava que não tinha interesse em continuar presidindo o partido, e a candidatura de Queiroz tem o apoio de Ulisses Guimarães e do atual governador do Estado, Jader Barbalho, e o Senador Hélio Gueiros PMDB/PA, já começa a se movimentar para ser candidato ao Governo Paraense, ocupado pelo Governador Jader Barbalho.

                                                HÉLIO GUEIROS (PMDB/PA), não nasceu no Pará, porém, o prestígio de seu padrinho JADER BARBALHO na medida que se eleva, repercute no senador, e o mesmo chega a liderança do PMDB no Senado, e esta posição em destaque nacional levará o nome de Hélio a ser conhecido no Pará, e tal popularidade irá influenciar em sua candidatura para o Governo Estadual.



2. PROBLEMÁTICA E JUSTIFICATIVA
                                                          
                                                Os atores políticos nacionais já são conhecidos da população paraense, tais como: Tancredo Neves, Teotonio Vilela, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Osmar Santos, Leonel Brizola, e outros. Porém, a Historiografia paraense jamais se interessou pela participação da classe política paraense na campanha das DIRETAS JÁ.

                                                A intenção deste trabalho é fazer justiça aos políticos paraenses que tenham colaborado direta ou indiretamente para o maior evento democrático que se tem notícia no Brasil.

                                                O movimento dos “cara pintada” teve grande mobilização nacional, bem como, os protestos contra a realização da copa do mundo (2013), e por fim com a campanha para o IMPECHMENT da Presidente Dilma, porém, o movimento das Diretas já se diferencia, por ter sido um movimento espontâneo, sem financiamento de empresas ou entidades sindicais, ou repasse de verbas oficiais, sem qualquer fisiologismo, e sim um movimento onde o cidadão queria voltar a escolher o Presidente da República, e foi a rua.

                                                Na década de 60 a população se mobilizou contra o regime militar, inclusive com importante participação da classe estudantil, e a morte do estudante EDSON LUIS em manifestação no Rio de Janeiro é o retrato perfeito de que os estudantes não eram massa de manobra e contra governos não democratas a classe se reunia. E na década de 80 não foi diferente os estudantes foram a rua para lutar pelo direito as diretas já, pois, a classe estudantil compreendeu a importância de escolher o seu candidato a presidente.

                                                E por fim os estudantes foram as ruas para pedir o FORA COLLOR, onde nasceu a folclórica figura dos “cara pintada”, onde as pessoas espontaneamente pintavam suas faces com as cores do Brasil, e após isso, a classe estudantil e os jovens do Brasil entraram em um processo de acomodação temerário, o que permitiu que governos sem ética e com ausentes responsabilidades fiscais e compromisso públicos tenham agido livremente sem qualquer contestação.

                                                O mensalão veio a tona e a população não organizou qualquer protesto, e qualquer isolada iniciativa era logo taxada de reacionária, e contra o “governo dos pobres”, a geração facebook e twitter se acovardou em sua zona de conforto e omitiu-se contra as barbaridades públicas que o mensalão revelou, e esta omissão trouxe danos que serão sentidos a longo prazo, pois, não foram criados gerações contestadores e sim repetidoras de conceitos gerais. E a pretensão deste trabalho e despertar o sentimento rebelde que existe em cada um dos indivíduos e que atualmente está adormecido, e para que as futuras gerações não sejam bonecos repetidores de teses aceitas socialmente, e desprezíveis de conteúdo, e ausente de sensibilidade social.

                                                O Historiador tem responsabilidade com as gerações futuras para que os “heróis” nacionais criados pela mídia sejam descritos com a verdade que o cidadão merece saber, se ele vai acreditar já não é responsabilidade do Historiador, cabe a este narrar o fato Histórico sem julgamentos pessoais, ou paixões ideológicas e partidárias.

                                                O Historiador não deve buscar a aceitação social e nem o sucesso fácil de trabalhos de assuntos que o mercado impõe, pois, se o Historiador se deixar moldar pelas regras do mercado e pelas limitações que a sociedade moderna estabelece, o Historiador estará falseando o seu trabalho, e enganando a população, e extorquindo a verdade, e o que pior comprometendo uma geração, que formará seu conhecimento teórico com uma base de aprendizado de areia, e facilmente destruída.



3. FONTES E METODOLOGIA

                                                A metodologia proposta nesta pesquisa é a da utilização da HEMOROTECA DIGITAL[2] , onde estão digitalizados os jornais paraenses da época, ou seja, DIÁRIO DO PARÁ, O LIBERAL, e o PARAENSE.

                                                Considerando que a campanha das DIRETAS JÁ teve abrangência nacional, serão utilizados também como fontes as Revistas VEJA[3] e ISTO É[4] 4 em seu acervo digital, e tal utilização será necessária, pois, políticos paraenses como JARBAS PASSARINHO, JORGE ARBAGE, JADER BARBALHO, ALACID NUNES dentre outros tinham atuação no cenário nacional no processo das DIRETAS JÁ, e por isso, serão mencionados no que couber.

                                                JADER BARBALHO era o governador da época das Campanhas das diretas, e terá um capítulo em separado para mostrar como o líder do PMDB atuava como gestor e líder da campanha, ou seja, para buscar recursos federais ao Estado do Pará Barbalho tinha que ir a Brasília pedir ao governo federal contrário as diretas recurso, portanto, Jader teve que mostrar grande habilidade política para que não houve conflito de interesses, que viesse a prejudicar os interesses do Pará.

                                                As delimitações da presente monografia limitadas ao período de 1984 são necessárias para evitar a mistura com outros temas relevantes que ocorreram no Brasil na época, e a fim de evitar uma fuga ao tema. Pois, como dito na introdução o presente trabalho insistirá que fique limitado também ao Pará.

                                                A imprensa escrita teve importante participação no processo de ELEIÇÕES DIRETAS JÁ, pois, a TV GLOBO, possuía contratos com o governo federal, e a mesma não noticiava os comícios realizados durante a campanha. E a única forma da população brasileira ter conhecimento da força deste movimento era através da imprensa escrita local.



4. DIÁLOGO HISTORIOGRÁFICO
                                               
                                                A pretensão do presente projeto como já dito exaustivamente ao norte é de centralizar as DIRETAS JÁ no Estado do Pará, onde vários atores políticos, culturais, intelectuais tiveram importante participação e foram solenemente esquecidos por toda a literatura regional. E pela ausência de obras regionais, serei obrigado a consultar obras do âmbito nacional, tais como a obra de Dante de Oliveira, “Diretas Já. 15 meses que abalaram a Ditadura”, Editora Record[5].

                                                A obra em referência será de suma importância para o desenvolvimento deste projeto, pois, o Deputado Dante de Oliveira (PMDB/MT), foi o mentor intelectual da proposta de Emenda Constitucional que reformava a Constituição Federal, garantindo o retorno das Eleições Diretas para a eleição de Presidente. E o Deputado Dante, participou de todos os Comícios no Brasil, inclusive o ocorrido em Belém do Pará. Porém, é pertinente ressaltar que a ênfase maior será dada as fontes escritas nos Jornais locais em circulação no Pará, no período de 1985.


5. OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

                                                Compreender o sentimento da população paraense em relação a Campanha pelas DIRETAS JÁ, e identificar os políticos e intelectuais que se posicionaram contra ou a favor da Campanha das Diretas, suas razões, seus cargos, sua relevância e importância no processo.

                                                E como objetivo específico posso elencar os seguintes:

-qual a posição ideológica da imprensa escrita paraense em relação a campanha das Diretas Já;

-identificar o partido e os parlamentares paraenses no período e qual o posicionamento de cada um durante todo o processo das Diretas Já;

-analisar a contribuição do governo Jader Barbalho para a campanha das Diretas Já;

-apontar qual foi o voto de cada parlamentar paraense por ocasião da votação da Emenda Dante de Oliveira;

-identificar e analisar as notícias paraenses em periódicos de circulação nacional, em especial da Revista Veja e Isto é;

-analisar a reação dos políticos e cidadãos após a rejeição da Emenda Dante de Oliveira;

-como a imprensa paraense se posicionava ideologicamente aos movimentos dos políticos.


6. CRONOGRAMA.
                                                Pretendo ler todos os jornais paraenses do período de 17.05.1983 até o dia da votação no dia 25.04.1984.

                                                Catalogar todos os jornais utilizados no desenvolvimento do trabalho.

                                                Salvar as imagens dos jornais utilizados e mencionar as edições.

                                                Entrega da presente dissertação em três partes para a devida avaliação, ou quantas forem do desejo do orientador.

                                                Revisão costumaz no que for recomendado pelo orientador, ou no poder discricionário deste Estudante.

                                                Mencionar as notícias conflitantes e formar opinião independente.



7. LEVANTAMENTO DAS FONTES.

                                                Como já mencionado as fontes a serem utilizadas nesta Monografia serão as seguintes:

                                             - bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/

                                             - https://acervo.veja.abril.com.br/index.html#/editions

                                             - www.istoe.com.br

                                             - “Diretas Já. 15 meses que abalaram a Ditadura”, Oliveira Dante, Editora Record, 2014


            Por razões óbvias outras fontes poderão ser utilizadas para o desenvolvimento deste trabalho de acordo com as sábias orientações do Orientador


[1] Manchete do Diário do Pará, dia 08.04.1984
[2] Bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/
[3] https://acervo.veja.abril.com.br/index.html≠editions
[4] www.istoe.com.br
[5] “Diretas Já. 15 meses que abalaram a Ditadura”, Oliveira Dante, Editora Record, 2014

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