1. INTRODUÇÃO:
“ULYSSES
EXORTA PMDB A INTENSIFICAR CAMPANHA. NA RETA FINAL QUE ANTECEDE A DECISÃO DO
CONGRESSO DIA 25[1]”
A manchete acima consegue visualizar o clima que
tomava conta do país em torno da campanha para as DIRETAS JÁ, e este clima teve
forte consequências no Estado do Pará.
Foi
Decretado a abertura política pelo Presidente Militar João Batista Figueiredo,
que declarou que a mesma seria de forma gradual e lenta.
A
população brasileira cansada em não participar do processo político, não
aceitou lentidão para voltar a escolher o Presidente da República, pois, já
faziam mais de vinte anos da eleição direta de Jânio Quadros, e diante desta
vontade cívica, os brasileiros tomaram as ruas, e começou uma intensa campanha
que percorreu todo o país, e tal campanha foi denominada “DIRETAS JÁ”.
A
campanha seria difícil, pois, a alteração do processo eleitoral só poderia ser
feito por Emenda Constitucional junto ao Congresso Nacional, onde a situação
tinha ampla maioria, e a oposição liderada pelo PMDB, buscou as ruas para
tentar aprovar a EMENDA do Deputado Dante de Oliveira, esta emenda estabelecia
eleições diretas para Presidente. É pertinente dizer que o governo da situação
não tinha qualquer interesse nas Eleições Diretas, e a manutenção colégio
eleitoral para a escolha do novo Presidente era o perfeito instrumento para que
os militares continuassem no poder.
No
dia 27.05.1983 PT e PMDB deixaram de lado suas diferenças ideológicas e
decidiram marchar junto na campanha das Diretas já, e no encontro entre LULA e
ULISSES, o Presidente do PMDB entregou ao Presidente do PT um programa de
governo do PMDB elaborado por Teotonio Vilela chamado PLANO DE EMERGÊNCIA PARA
O BRASIL, e neste encontro ficou definido que os partidos iriam defender uma
agenda comum para a população compreender a campanha.
Este
primeiro encontro ocorreu na Câmara dos Deputados no gabinete da liderança do
PT, e contou com a participação do Presidente do PDT, Leonel Brizola.
E
o Senador Pedro Simon do PMDB/RS, foi escalado para organizar o movimento das
DIRETAS JÁ, escolhendo as cidades a serem visitadas, e foi incluído a pauta de
revogação da Lei de Segurança Nacional, o mesmo tinha uma motivação
contagiante, porém, era um péssimo analista, pois, fez a equivocada previsão
que a Emenda Dante de Oliveira passaria no Congresso com tranquilidade.
O
PTB através de sua Presidente Ivete Vargas, fechou acordo com o PDS, para ser
contra as eleições diretas, e PT e PMDB se comprometeram a denunciar aos
Sindicatos, esta danosa atitude do partido dito trabalhista.
No
Pará o Deputado Federal Vicente Queiroz PMDB/PA, já articula sua candidatura
para a Presidência do PMDB Regional, já que o atual Presidente Carlos Vinagre
já declarava que não tinha interesse em continuar presidindo o partido, e a
candidatura de Queiroz tem o apoio de Ulisses Guimarães e do atual governador
do Estado, Jader Barbalho, e o Senador Hélio Gueiros PMDB/PA, já começa a se
movimentar para ser candidato ao Governo Paraense, ocupado pelo Governador
Jader Barbalho.
HÉLIO
GUEIROS (PMDB/PA), não nasceu no Pará, porém, o prestígio de seu padrinho JADER
BARBALHO na medida que se eleva, repercute no senador, e o mesmo chega a
liderança do PMDB no Senado, e esta posição em destaque nacional levará o nome
de Hélio a ser conhecido no Pará, e tal popularidade irá influenciar em sua
candidatura para o Governo Estadual.
2.
PROBLEMÁTICA E JUSTIFICATIVA
Os
atores políticos nacionais já são conhecidos da população paraense, tais como:
Tancredo Neves, Teotonio Vilela, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Osmar
Santos, Leonel Brizola, e outros. Porém, a Historiografia paraense jamais se
interessou pela participação da classe política paraense na campanha das
DIRETAS JÁ.
A
intenção deste trabalho é fazer justiça aos políticos paraenses que tenham
colaborado direta ou indiretamente para o maior evento democrático que se tem
notícia no Brasil.
O
movimento dos “cara pintada” teve grande mobilização nacional, bem como, os
protestos contra a realização da copa do mundo (2013), e por fim com a campanha
para o IMPECHMENT da Presidente Dilma, porém, o movimento das Diretas já se
diferencia, por ter sido um movimento espontâneo, sem financiamento de empresas
ou entidades sindicais, ou repasse de verbas oficiais, sem qualquer
fisiologismo, e sim um movimento onde o cidadão queria voltar a escolher o
Presidente da República, e foi a rua.
Na
década de 60 a população se mobilizou contra o regime militar, inclusive com
importante participação da classe estudantil, e a morte do estudante EDSON LUIS
em manifestação no Rio de Janeiro é o retrato perfeito de que os estudantes não
eram massa de manobra e contra governos não democratas a classe se reunia. E na
década de 80 não foi diferente os estudantes foram a rua para lutar pelo
direito as diretas já, pois, a classe estudantil compreendeu a importância de
escolher o seu candidato a presidente.
E
por fim os estudantes foram as ruas para pedir o FORA COLLOR, onde nasceu a
folclórica figura dos “cara pintada”, onde as pessoas espontaneamente pintavam
suas faces com as cores do Brasil, e após isso, a classe estudantil e os jovens
do Brasil entraram em um processo de acomodação temerário, o que permitiu que
governos sem ética e com ausentes responsabilidades fiscais e compromisso
públicos tenham agido livremente sem qualquer contestação.
O
mensalão veio a tona e a população não organizou qualquer protesto, e qualquer
isolada iniciativa era logo taxada de reacionária, e contra o “governo dos
pobres”, a geração facebook e twitter se acovardou em sua zona de conforto e
omitiu-se contra as barbaridades públicas que o mensalão revelou, e esta
omissão trouxe danos que serão sentidos a longo prazo, pois, não foram criados
gerações contestadores e sim repetidoras de conceitos gerais. E a pretensão
deste trabalho e despertar o sentimento rebelde que existe em cada um dos
indivíduos e que atualmente está adormecido, e para que as futuras gerações não
sejam bonecos repetidores de teses aceitas socialmente, e desprezíveis de
conteúdo, e ausente de sensibilidade social.
O
Historiador tem responsabilidade com as gerações futuras para que os “heróis”
nacionais criados pela mídia sejam descritos com a verdade que o cidadão merece
saber, se ele vai acreditar já não é responsabilidade do Historiador, cabe a
este narrar o fato Histórico sem julgamentos pessoais, ou paixões ideológicas e
partidárias.
O
Historiador não deve buscar a aceitação social e nem o sucesso fácil de
trabalhos de assuntos que o mercado impõe, pois, se o Historiador se deixar
moldar pelas regras do mercado e pelas limitações que a sociedade moderna
estabelece, o Historiador estará falseando o seu trabalho, e enganando a
população, e extorquindo a verdade, e o que pior comprometendo uma geração, que
formará seu conhecimento teórico com uma base de aprendizado de areia, e
facilmente destruída.
3. FONTES E
METODOLOGIA
A metodologia proposta nesta pesquisa é a da
utilização da HEMOROTECA DIGITAL[2] ,
onde estão digitalizados os jornais paraenses da época, ou seja, DIÁRIO DO
PARÁ, O LIBERAL, e o PARAENSE.
Considerando
que a campanha das DIRETAS JÁ teve abrangência nacional, serão utilizados
também como fontes as Revistas VEJA[3] e
ISTO É[4] 4
em seu acervo digital, e tal utilização será necessária, pois, políticos
paraenses como JARBAS PASSARINHO, JORGE ARBAGE, JADER BARBALHO, ALACID NUNES
dentre outros tinham atuação no cenário nacional no processo das DIRETAS JÁ, e
por isso, serão mencionados no que couber.
JADER
BARBALHO era o governador da época das Campanhas das diretas, e terá um
capítulo em separado para mostrar como o líder do PMDB atuava como gestor e
líder da campanha, ou seja, para buscar recursos federais ao Estado do Pará
Barbalho tinha que ir a Brasília pedir ao governo federal contrário as diretas
recurso, portanto, Jader teve que mostrar grande habilidade política para que
não houve conflito de interesses, que viesse a prejudicar os interesses do
Pará.
As
delimitações da presente monografia limitadas ao período de 1984 são
necessárias para evitar a mistura com outros temas relevantes que ocorreram no
Brasil na época, e a fim de evitar uma fuga ao tema. Pois, como dito na
introdução o presente trabalho insistirá que fique limitado também ao Pará.
A
imprensa escrita teve importante participação no processo de ELEIÇÕES DIRETAS
JÁ, pois, a TV GLOBO, possuía contratos com o governo federal, e a mesma não
noticiava os comícios realizados durante a campanha. E a única forma da
população brasileira ter conhecimento da força deste movimento era através da
imprensa escrita local.
4. DIÁLOGO
HISTORIOGRÁFICO
A
pretensão do presente projeto como já dito exaustivamente ao norte é de
centralizar as DIRETAS JÁ no Estado do Pará, onde vários atores políticos,
culturais, intelectuais tiveram importante participação e foram solenemente
esquecidos por toda a literatura regional. E pela ausência de obras regionais,
serei obrigado a consultar obras do âmbito nacional, tais como a obra de Dante
de Oliveira, “Diretas Já. 15 meses que abalaram a Ditadura”, Editora Record[5].
A
obra em referência será de suma importância para o desenvolvimento deste
projeto, pois, o Deputado Dante de Oliveira (PMDB/MT), foi o mentor intelectual
da proposta de Emenda Constitucional que reformava a Constituição Federal,
garantindo o retorno das Eleições Diretas para a eleição de Presidente. E o
Deputado Dante, participou de todos os Comícios no Brasil, inclusive o ocorrido
em Belém do Pará. Porém, é pertinente ressaltar que a ênfase maior será dada as
fontes escritas nos Jornais locais em circulação no Pará, no período de 1985.
5. OBJETIVOS
GERAIS E ESPECÍFICOS
Compreender o
sentimento da população paraense em relação a Campanha pelas DIRETAS JÁ, e
identificar os políticos e intelectuais que se posicionaram contra ou a favor
da Campanha das Diretas, suas razões, seus cargos, sua relevância e importância
no processo.
E
como objetivo específico posso elencar os seguintes:
-qual a posição ideológica da imprensa escrita
paraense em relação a campanha das Diretas Já;
-identificar o partido e os parlamentares paraenses no
período e qual o posicionamento de cada um durante todo o processo das Diretas
Já;
-analisar a contribuição do governo Jader Barbalho
para a campanha das Diretas Já;
-apontar qual foi o voto de cada parlamentar paraense
por ocasião da votação da Emenda Dante de Oliveira;
-identificar e analisar as notícias paraenses em
periódicos de circulação nacional, em especial da Revista Veja e Isto é;
-analisar a reação dos políticos e cidadãos após a
rejeição da Emenda Dante de Oliveira;
-como a imprensa paraense se posicionava
ideologicamente aos movimentos dos políticos.
6.
CRONOGRAMA.
Pretendo ler todos os jornais paraenses do período de 17.05.1983
até o dia da votação no dia 25.04.1984.
Catalogar
todos os jornais utilizados no desenvolvimento do trabalho.
Salvar
as imagens dos jornais utilizados e mencionar as edições.
Entrega
da presente dissertação em três partes para a devida avaliação, ou quantas
forem do desejo do orientador.
Revisão
costumaz no que for recomendado pelo orientador, ou no poder discricionário
deste Estudante.
Mencionar
as notícias conflitantes e formar opinião independente.
7.
LEVANTAMENTO DAS FONTES.
Como já mencionado as fontes a serem utilizadas nesta
Monografia serão as seguintes:
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