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sábado, 5 de novembro de 2016

A ESQUERDA E A DESCOBERTA DO CAMPO BRASILEIRO

RESENHA DO TEXTO “AS ESQUERDAS E A DESCOBERTA DO CAMPO BRASILEIRO: LIGA CAMPONESAS COMUNISTAS E CATÓLICOS (1950-1964

                                                No filme Cabra marcado para morrer, em seu início, mostra em cenas reais, e sem edição, o velório de João Pedro Teixeira, líder rural, com a presença de milhares de pessoas, a imagem impressiona pois, se passa no ano de 1962, onde o sindicalismo é proibido, e não havia uma legislação eficaz com instrumento de proteção do trabalho rural, e nestas condições por temor a represálias, os trabalhadores rurais, tinham receio em seu reunir.

                                                O filme teve sua filmagem interrompida, em virtude da tomada do poder pelos militares, porém, por sorte da História, após a abertura política, conseguiu-se salvar alguns negativos, e o filme pôde ser concluído, sem o temor de opressão militar.

                                                O latifúndio brasileiro, impedia o crescimento do país, pois, 70% da população encontrava-se na área rural, e os grandes proprietários, não tinham qualquer interesse em distribuição da riqueza, e o desenvolvimento coletivo de seu propriedade, e além disso, o poder político possuía compromissos com os proprietários rurais e não com a classe trabalhadora.

                                                Contudo diante deste cenário de opressão, onde o trabalhadores sem ter qualquer perspectiva de crescimento econômico, tolido dos mínimos direitos que possuía, foi crescendo o movimento pela necessidade de reforma agrária, onde o trabalhador pudesse receber seu lote de terra, para plantar, produzir, vender, e se auto sustentar.
                                                A morte de Pedro Teixeira registrado no filme, materializa que a classe trabalhadora incomodava os grandes proprietários, e confirma que sem luta o lavrador, jamais conseguiria a sua própria propriedade.
                                               
                                                Na década de 60, no Brasil, um Sindicato só poderia se criado com a intervenção do poder público, como este, estava comprometido com o latifúndio dificilmente o trabalhador rural conseguiria criar um Sindicato, para representá-lo, e por isso, o trabalhador não se acomodou e se reunia nas ligas camponesas.

                                                As ligas camponesas no início, não buscava a reforma agrária, pois, este conceito ainda era estranho no imaginário rural, nos moldes atuais, e a principal bandeira de luta destas ligas era lutar contra o aumento abusivo dos foros, pois, os senhores proprietários de forma abusiva e discricionária elevavam os valores dos fôros, e as ligas devidamente organizadas impediam a perpetuação desta abusividade.

                                                Outro instrumento de opressão dos latifundiários, era a expulsão de trabalhadores rurais, e as ligas camponesas tiveram papel relevante para evitar esta prática abusiva e autoritária.
                                               
                                                O poder judiciário, ao receber as demandas das ligas camponesas, servia para mostrar ao proprietário, que o trabalhador não era o titular  definitivo da propriedade rural, porém, àquele trabalhador possuía direitos, e o seu senhor ou empregador não poderia utilizar sua condição de superior economicamente, para impor suas condições ao lavrador, e este deveria aceitar tal imposição pacificamente.

                                                A política não ficaria de fora, e o PCB com a sua bandeira revolucionária, passou a influenciar a classe rural, e com isso, o movimentos sindicais se radicalizaram, e o conflito no campo era iminente, as invasões era constantes, e obrigava o Governo Federal a desapropriar as áreas. Esse passo a passo a passo, também verificou-se no governo de Leonel Brizola (RS) e de Cid Sampaio (PE).

                                                Na Constituição Federal de 1946, o conceito de função social da propriedade ganhou status constitucional, e até os dias atuais é muito utilizado pelos movimento dos sem terra, e sua busca pela reforma agrária. Contudo, nos dias atuais, a invasão é fator impeditivo para desapropriação de propriedade rural.

                                                A Igreja católica, não poderia deixar de ser mencionada nesta resenha, pois, a mesma no início das Ligas Camponesas, se colocou sempre ao lado dos grandes proprietários rurais, e satanizava a radicalização dos movimentos sociais. No filme cabra marcado para morrer, a viúva de Pedro Teixeira, relata que o marido não era católico, pois, o mesmo fazia parte das ligas, e que a Igreja Católica, não apoiava o movimento, contudo, o amor superou esta divergência religiosa, e a viúva continuou com os filhos pagãos e católica.

                                                Porém, a Igreja evoluiu e aos poucos passou a ficar do lado do campesinato, e com a sua influência passou a colaborar na criação dos sindicatos, e serviu como instrumento de pacificação no campo, e no governo de João Goulart, junto com o PCB, as lutas do campo, ganharam visibilidade nacional, e o seu lado positivo é adotado até nos dias atuais.


                                                Concluo com uma frase da viúva de Pedro Teixeira, no filme “nenhum governo é a favor da causa dos trabalhadores, o único que nos protegeu foi o governo de Figueiredo”. Serve para destruir a tese de vários governos republicanos que se declaram defensores dos trabalhadores rurais, e esvaziar o argumento que os militares só fizeram mal a esse país, pois, o Presidente João Batista Figueiredo, era do regime militar, e sob o julgamento daquela oprimida lavradora o mesmo lhe protegeu.

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