RESENHA DO TEXTO “AS
ESQUERDAS E A DESCOBERTA DO CAMPO BRASILEIRO: LIGA CAMPONESAS COMUNISTAS E
CATÓLICOS (1950-1964
No
filme Cabra marcado para morrer, em
seu início, mostra em cenas reais, e sem edição, o velório de João Pedro
Teixeira, líder rural, com a presença de milhares de pessoas, a imagem
impressiona pois, se passa no ano de 1962, onde o sindicalismo é proibido, e
não havia uma legislação eficaz com instrumento de proteção do trabalho rural,
e nestas condições por temor a represálias, os trabalhadores rurais, tinham
receio em seu reunir.
O
filme teve sua filmagem interrompida, em virtude da tomada do poder pelos
militares, porém, por sorte da História, após a abertura política, conseguiu-se
salvar alguns negativos, e o filme pôde ser concluído, sem o temor de opressão
militar.
O
latifúndio brasileiro, impedia o crescimento do país, pois, 70% da população
encontrava-se na área rural, e os grandes proprietários, não tinham qualquer
interesse em distribuição da riqueza, e o desenvolvimento coletivo de seu
propriedade, e além disso, o poder político possuía compromissos com os
proprietários rurais e não com a classe trabalhadora.
Contudo
diante deste cenário de opressão, onde o trabalhadores sem ter qualquer
perspectiva de crescimento econômico, tolido dos mínimos direitos que possuía,
foi crescendo o movimento pela necessidade de reforma agrária, onde o
trabalhador pudesse receber seu lote de terra, para plantar, produzir, vender,
e se auto sustentar.
A
morte de Pedro Teixeira registrado no filme, materializa que a classe
trabalhadora incomodava os grandes proprietários, e confirma que sem luta o
lavrador, jamais conseguiria a sua própria propriedade.
Na
década de 60, no Brasil, um Sindicato só poderia se criado com a intervenção do
poder público, como este, estava comprometido com o latifúndio dificilmente o
trabalhador rural conseguiria criar um Sindicato, para representá-lo, e por
isso, o trabalhador não se acomodou e se reunia nas ligas camponesas.
As
ligas camponesas no início, não buscava a reforma agrária, pois, este conceito
ainda era estranho no imaginário rural, nos moldes atuais, e a principal
bandeira de luta destas ligas era lutar contra o aumento abusivo dos foros,
pois, os senhores proprietários de forma abusiva e discricionária elevavam os
valores dos fôros, e as ligas devidamente organizadas impediam a perpetuação
desta abusividade.
Outro
instrumento de opressão dos latifundiários, era a expulsão de trabalhadores
rurais, e as ligas camponesas tiveram papel relevante para evitar esta prática
abusiva e autoritária.
O
poder judiciário, ao receber as demandas das ligas camponesas, servia para
mostrar ao proprietário, que o trabalhador não era o titular definitivo da propriedade rural, porém,
àquele trabalhador possuía direitos, e o seu senhor ou empregador não poderia
utilizar sua condição de superior economicamente, para impor suas condições ao
lavrador, e este deveria aceitar tal imposição pacificamente.
A
política não ficaria de fora, e o PCB com a sua bandeira revolucionária, passou
a influenciar a classe rural, e com isso, o movimentos sindicais se
radicalizaram, e o conflito no campo era iminente, as invasões era constantes,
e obrigava o Governo Federal a desapropriar as áreas. Esse passo a passo a
passo, também verificou-se no governo de Leonel Brizola (RS) e de Cid Sampaio
(PE).
Na
Constituição Federal de 1946, o conceito de função
social da propriedade ganhou status constitucional, e até os dias atuais é
muito utilizado pelos movimento dos sem terra, e sua busca pela reforma
agrária. Contudo, nos dias atuais, a invasão é fator impeditivo para
desapropriação de propriedade rural.
A
Igreja católica, não poderia deixar de ser mencionada nesta resenha, pois, a
mesma no início das Ligas Camponesas, se colocou sempre ao lado dos grandes
proprietários rurais, e satanizava a radicalização dos movimentos sociais. No
filme cabra marcado para morrer, a
viúva de Pedro Teixeira, relata que o marido não era católico, pois, o mesmo
fazia parte das ligas, e que a Igreja Católica, não apoiava o movimento,
contudo, o amor superou esta divergência religiosa, e a viúva continuou com os
filhos pagãos e católica.
Porém,
a Igreja evoluiu e aos poucos passou a ficar do lado do campesinato, e com a
sua influência passou a colaborar na criação dos sindicatos, e serviu como
instrumento de pacificação no campo, e no governo de João Goulart, junto com o
PCB, as lutas do campo, ganharam visibilidade nacional, e o seu lado positivo é
adotado até nos dias atuais.
Concluo
com uma frase da viúva de Pedro Teixeira, no filme “nenhum governo é a favor da
causa dos trabalhadores, o único que nos protegeu foi o governo de Figueiredo”.
Serve para destruir a tese de vários governos republicanos que se declaram
defensores dos trabalhadores rurais, e esvaziar o argumento que os militares só
fizeram mal a esse país, pois, o Presidente João Batista Figueiredo, era do
regime militar, e sob o julgamento daquela oprimida lavradora o mesmo lhe
protegeu.
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