A Amazônia possui o maior patrimônio
mineral e ambiental do planeta e sempre foi e será objeto de desejo das grandes
potências mundiais e costumeiramente de forma bem velada ou falseada a imprensa
notifica a presença estrangeira em solo amazônico e naquele instante surge uma
preocupação nacional de que a soberania nacional está prejudicada e de que
estão roubando nossas riquezas. Porém, tal preocupação vai desaparecendo com o
tempo e o brasileiro volta as suas atenções para que irá vencer o Big Brother
Brasil ou se o orgulho de ser Penta Campeão de futebol está ameaçado.
Esta inércia nacional
combinada com a falta de interesse pela região amazônica ajudou os governos
brasileiros a adotarem uma propaganda enganadora e distante da realidade para
incentivar as políticas governamentais para a integração e desenvolvimento da
Amazônia. No curso deste trabalho será mostrado como a propaganda, a
Historiografia e a literatura e a má fé ou desonestidade intelectual da
imprensa ajudaram a criar no imaginário brasileiro uma Amazônia irreal que
jamais existiu induzindo o trabalhador urbano a se deixar sua região de origem
para ir em busca de uma vida melhor com bom emprego ótimo trabalho e um futuro
cheio de prosperidade e em que pese algumas exceções o cenário geral foi de que
o sonho virou um pesadelo e que governos militares e civis só fizeram mal a
Amazônia que só vai sendo destruída dia após dia. O período de 1970 até 1987
será a abrangência deste trabalho que tem a ambição em retirar o brasileiro do
mundo da fantasia do facebook e olhar para a Amazônia de forma real, sincera,
verdadeira e acabar com o imaginário popular que nossa misteriosa e rica
floresta está sendo eternamente ameaçada por outros países e que a verdadeira
ameaça são os governos brasileiros, empresários gananciosos e posseiros mal
intencionados.
Esta atividade irá
utilizar o textos da “Ditadura, grandes projetos e colonização no cotidiano da
Transamazônica” de Cesar Martins Sousa e o trabalho de Jaci Guilherme Vieira e
seu texto “Violência contra os povos indígenas e a igreja católica” em que os
autores conseguem mostrar com precisão cirúrgica as políticas governamentais
equivocadas e depredatórias a Amazônia e o descaso com as comunidades
tradicionais que até hoje sofrem com o legado destruidor e de miséria deixado
pelos governos militares ao nosso maior patrimônio ecológico e mineral.
Infelizmente é comum as
pessoas exaltarem algum sucesso econômico e estrutural do período da Ditadura
Militar sem levar em conta as torturas e violência contra os cidadãos
brasileiros que não tinham o direito de reclamar ou protestar contra eventual
desmando oficial. E também é natural o brasileiro utilizar a narrativa de que
as mortes e torturas já estão plenamente justificadas em face dos resultados
positivos de um governo tirano. É uma linha de pensamento equivocada e em
nenhum regime qualquer que seja a ideologia pode ter seus crimes contra os
Direitos Humanos perdoados em face de algum sucesso pontual. Em CUBA existe a
melhor medicina do mundo, porém, este sucesso jamais poderá ser de fiança para
encobrir os crimes do Ditador Fidel Castro e seu co-autor Che Guevara.
Jaci Vieira alerta o
leitor justamente para o fato de que em Roraima em virtude de obras estruturais
realizadas pelos governos militares vai se criando no imaginário popular de que
a vida da população de Roraima era maravilhosa na época do período militar. E o
autor repõe a verdade e aponta o mal causado pelas políticas dos governos
militares voltadas para a Amazônia em especial no território de Roraima.
O governo precisava
preencher os espaços vazios na Amazônia e precisava que os trabalhadores
migrassem para a Amazônia a fim de que os projetos de desenvolvimento para a
região fossem executados. A propaganda oficial era estimulante e incentiva o
trabalhador brasileiro buscar prosperidade na Amazônia e os slogans oficiais
eram imponentes e afirmativos: “Homens sem terra para terra sem Homens”. Os
projetos militares eram ambiciosos e incluíam uma ligação entre as cidades de
Manaus, Belém, Boa Vista, Rio Branco e até Caracas. E governo precisava que o
setor produtivo investisse em Roraima e concedeu incentivos fiscais para que
Mineradoras se instalassem na região sem qualquer consideração para a realidade
local e sem levar em conta que já haviam comunidades tradicionais na região,
bem como, a presença de várias sociedades indígenas que teriam suas terras
invadidas de forma arbitrária e violenta sem qualquer ação preventiva por parte
do Poder Público.
Os governadores do Estado
da Amazônia legal em nome do progresso já
nem se importavam pelos interesses dos índios da região e em declarações
oficiais deixavam claro que qualquer obstáculo ao desenvolvimento do Brasil
deveriam ser eliminados. Como disse o Governador Danilo Areora: “os silvícolas ocupam áreas mais ricas do
nosso Estado...;...a estrada deveria ser construída a qualquer custo e que o
índio era uma figura inútil”. E as mineradoras com autorização oficial
faziam a exploração mineral sem qualquer cuidado com as questões ambientais. E
a FUNAI que deveria agir como entidade protetora dos interesses indígenas se
posicionava ao lado dos fazendeiros e dos mineradores virou uma carimbadora das
decisões governamentais e sem o apoio da FUNAI os indígenas encontraram
importante apoio da Igreja católica que foi incansável na luta pela demarcação
dos territórios indígenas.
Cesar Martins Sousa
enfatiza a propaganda oficial como o carro chefe dos governos militares para as
políticas de desenvolvimento da Amazonia e lembra do período de crescimento
industrial do Brasil denominado “milagre brasileiro”, onde qualquer medida
governamental conseguia logo o apoio da população pois, todos acreditavam que o
futuro chegou e qualquer medida em nome do progresso deveria ser apoiada. O
autor faz um ótimo paralelo com o período do Plano Cruzado onde a população
acreditava cegamente no sucesso do Plano Cruzado e todo brasileiro se orgulhava
em ser o “fiscal do Sarney”, e nesta empolgação.
Em relação ao “vazio” a
ser preenchido na Amazônia Cesar Martins alerta que este vazio não pode ser
considerado em sua literalidade, pois, na região há o registros de várias
comunidades tradicionais e que foram prejudicadas com a chegada do “progresso”.
E outro ponto destacada pelo autor é que por mais opressor que tenha sido o
governo Médice existem trabalhadores que conseguiram se instalar na Amazônia e
são gratos aos benefícios e oportunidades concedidas pelo Governo Militar de
Médice.
Os trabalhadores eram
incentivados a migrarem para a Amazônia em busca do eldorado e havia apoio de
verbas e estruturas oficiais para que tal deslocamento se efetivasse. Porém, a
regra era de que os sonhos tornaram-se pesadelos e ao invés de prosperidade o
imigrante tinha que deparar com doenças, prostituição, violência, miséria,
crimes, alcoolismo e outras males que não eram colocadas na propaganda oficial
para que todos fossem para a Amazônia. E diante deste caos os trabalhadores
tinham que vender tudo o que possuíam para retornar a sua cidade de origem, e
se não tivessem o que vender eram obrigados a ficar na região pois, o INCRA não
ajudava o trabalhador a retornar ao seu lar e isso ocorria para evitar que
houvesse uma debandada generalizada da Amazônia.
A Amazônia é o maior
patrimônio da humanidade e os governos militares em suas ideias fantasiosas e
megalomaníacas para a região só causaram o mal e deixaram um legado de
destruição e insegurança social e jurídica para as gerações posteriores. E este
caos social foi muito bem elencado por Jaci Guilherme Vieira: prisões ilegais,
invasões de propriedade, índios assassinados, sequestros e cárceres privados. E
neste barril de pólvora não há vontade política e o problema vem sendo
empurrado a cada governo em total desrespeito a população que reside na região.
Os governos criaram um
imaginário na população de que sempre o Estrangeiro que roubar nossas riquezas
e a realidade demonstrada desde 1964 é que foi o próprio governo que mais
roubou ou deixou roubar nosso patrimônio. E quando um americano vem ao Brasil
trata nossa Mestre com uma dignidade real é porquê o mesmo possui uma cultura
em valorizar o que merece ser valorizado e se o mesmo aluno for na Zâmbia
entrevistar qualquer outro Professor o tratamento dispensado será o mesmo. A
incompetência brasileira em gerir sua própria riqueza é incontroversa e
acredito que o melhor a fazer é conceder aos países com tecnologia o direito de
explorar a Amazônia com intensa fiscalização e controle, pois, é difícil
imaginar que os gringos consigam fazer pior. O Brasil é tão incompetente em
administrar a sua própria riqueza que se o mesmo comprar um circo é capaz que o
anão cresça.
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