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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A AMAZÔNIA E O "IMPÉRIO AMERICANO"

A Amazônia possui o maior patrimônio mineral e ambiental do planeta e sempre foi e será objeto de desejo das grandes potências mundiais e costumeiramente de forma bem velada ou falseada a imprensa notifica a presença estrangeira em solo amazônico e naquele instante surge uma preocupação nacional de que a soberania nacional está prejudicada e de que estão roubando nossas riquezas. Porém, tal preocupação vai desaparecendo com o tempo e o brasileiro volta as suas atenções para que irá vencer o Big Brother Brasil ou se o orgulho de ser Penta Campeão de futebol está ameaçado.
Esta inércia nacional combinada com a falta de interesse pela região amazônica ajudou os governos brasileiros a adotarem uma propaganda enganadora e distante da realidade para incentivar as políticas governamentais para a integração e desenvolvimento da Amazônia. No curso deste trabalho será mostrado como a propaganda, a Historiografia e a literatura e a má fé ou desonestidade intelectual da imprensa ajudaram a criar no imaginário brasileiro uma Amazônia irreal que jamais existiu induzindo o trabalhador urbano a se deixar sua região de origem para ir em busca de uma vida melhor com bom emprego ótimo trabalho e um futuro cheio de prosperidade e em que pese algumas exceções o cenário geral foi de que o sonho virou um pesadelo e que governos militares e civis só fizeram mal a Amazônia que só vai sendo destruída dia após dia. O período de 1970 até 1987 será a abrangência deste trabalho que tem a ambição em retirar o brasileiro do mundo da fantasia do facebook e olhar para a Amazônia de forma real, sincera, verdadeira e acabar com o imaginário popular que nossa misteriosa e rica floresta está sendo eternamente ameaçada por outros países e que a verdadeira ameaça são os governos brasileiros, empresários gananciosos e posseiros mal intencionados.
Esta atividade irá utilizar o textos da “Ditadura, grandes projetos e colonização no cotidiano da Transamazônica” de Cesar Martins Sousa e o trabalho de Jaci Guilherme Vieira e seu texto “Violência contra os povos indígenas e a igreja católica” em que os autores conseguem mostrar com precisão cirúrgica as políticas governamentais equivocadas e depredatórias a Amazônia e o descaso com as comunidades tradicionais que até hoje sofrem com o legado destruidor e de miséria deixado pelos governos militares ao nosso maior patrimônio ecológico e mineral.
Infelizmente é comum as pessoas exaltarem algum sucesso econômico e estrutural do período da Ditadura Militar sem levar em conta as torturas e violência contra os cidadãos brasileiros que não tinham o direito de reclamar ou protestar contra eventual desmando oficial. E também é natural o brasileiro utilizar a narrativa de que as mortes e torturas já estão plenamente justificadas em face dos resultados positivos de um governo tirano. É uma linha de pensamento equivocada e em nenhum regime qualquer que seja a ideologia pode ter seus crimes contra os Direitos Humanos perdoados em face de algum sucesso pontual. Em CUBA existe a melhor medicina do mundo, porém, este sucesso jamais poderá ser de fiança para encobrir os crimes do Ditador Fidel Castro e seu co-autor Che Guevara.
Jaci Vieira alerta o leitor justamente para o fato de que em Roraima em virtude de obras estruturais realizadas pelos governos militares vai se criando no imaginário popular de que a vida da população de Roraima era maravilhosa na época do período militar. E o autor repõe a verdade e aponta o mal causado pelas políticas dos governos militares voltadas para a Amazônia em especial no território de Roraima.
O governo precisava preencher os espaços vazios na Amazônia e precisava que os trabalhadores migrassem para a Amazônia a fim de que os projetos de desenvolvimento para a região fossem executados. A propaganda oficial era estimulante e incentiva o trabalhador brasileiro buscar prosperidade na Amazônia e os slogans oficiais eram imponentes e afirmativos: “Homens sem terra para terra sem Homens”. Os projetos militares eram ambiciosos e incluíam uma ligação entre as cidades de Manaus, Belém, Boa Vista, Rio Branco e até Caracas. E governo precisava que o setor produtivo investisse em Roraima e concedeu incentivos fiscais para que Mineradoras se instalassem na região sem qualquer consideração para a realidade local e sem levar em conta que já haviam comunidades tradicionais na região, bem como, a presença de várias sociedades indígenas que teriam suas terras invadidas de forma arbitrária e violenta sem qualquer ação preventiva por parte do Poder Público.
Os governadores do Estado da Amazônia legal em nome do progresso  já nem se importavam pelos interesses dos índios da região e em declarações oficiais deixavam claro que qualquer obstáculo ao desenvolvimento do Brasil deveriam ser eliminados. Como disse o Governador Danilo Areora: “os silvícolas ocupam áreas mais ricas do nosso Estado...;...a estrada deveria ser construída a qualquer custo e que o índio era uma figura inútil”. E as mineradoras com autorização oficial faziam a exploração mineral sem qualquer cuidado com as questões ambientais. E a FUNAI que deveria agir como entidade protetora dos interesses indígenas se posicionava ao lado dos fazendeiros e dos mineradores virou uma carimbadora das decisões governamentais e sem o apoio da FUNAI os indígenas encontraram importante apoio da Igreja católica que foi incansável na luta pela demarcação dos territórios indígenas.
Cesar Martins Sousa enfatiza a propaganda oficial como o carro chefe dos governos militares para as políticas de desenvolvimento da Amazonia e lembra do período de crescimento industrial do Brasil denominado “milagre brasileiro”, onde qualquer medida governamental conseguia logo o apoio da população pois, todos acreditavam que o futuro chegou e qualquer medida em nome do progresso deveria ser apoiada. O autor faz um ótimo paralelo com o período do Plano Cruzado onde a população acreditava cegamente no sucesso do Plano Cruzado e todo brasileiro se orgulhava em ser o “fiscal do Sarney”, e nesta empolgação.
Em relação ao “vazio” a ser preenchido na Amazônia Cesar Martins alerta que este vazio não pode ser considerado em sua literalidade, pois, na região há o registros de várias comunidades tradicionais e que foram prejudicadas com a chegada do “progresso”. E outro ponto destacada pelo autor é que por mais opressor que tenha sido o governo Médice existem trabalhadores que conseguiram se instalar na Amazônia e são gratos aos benefícios e oportunidades concedidas pelo Governo Militar de Médice.
Os trabalhadores eram incentivados a migrarem para a Amazônia em busca do eldorado e havia apoio de verbas e estruturas oficiais para que tal deslocamento se efetivasse. Porém, a regra era de que os sonhos tornaram-se pesadelos e ao invés de prosperidade o imigrante tinha que deparar com doenças, prostituição, violência, miséria, crimes, alcoolismo e outras males que não eram colocadas na propaganda oficial para que todos fossem para a Amazônia. E diante deste caos os trabalhadores tinham que vender tudo o que possuíam para retornar a sua cidade de origem, e se não tivessem o que vender eram obrigados a ficar na região pois, o INCRA não ajudava o trabalhador a retornar ao seu lar e isso ocorria para evitar que houvesse uma debandada generalizada da Amazônia.
A Amazônia é o maior patrimônio da humanidade e os governos militares em suas ideias fantasiosas e megalomaníacas para a região só causaram o mal e deixaram um legado de destruição e insegurança social e jurídica para as gerações posteriores. E este caos social foi muito bem elencado por Jaci Guilherme Vieira: prisões ilegais, invasões de propriedade, índios assassinados, sequestros e cárceres privados. E neste barril de pólvora não há vontade política e o problema vem sendo empurrado a cada governo em total desrespeito a população que reside na região.

Os governos criaram um imaginário na população de que sempre o Estrangeiro que roubar nossas riquezas e a realidade demonstrada desde 1964 é que foi o próprio governo que mais roubou ou deixou roubar nosso patrimônio. E quando um americano vem ao Brasil trata nossa Mestre com uma dignidade real é porquê o mesmo possui uma cultura em valorizar o que merece ser valorizado e se o mesmo aluno for na Zâmbia entrevistar qualquer outro Professor o tratamento dispensado será o mesmo. A incompetência brasileira em gerir sua própria riqueza é incontroversa e acredito que o melhor a fazer é conceder aos países com tecnologia o direito de explorar a Amazônia com intensa fiscalização e controle, pois, é difícil imaginar que os gringos consigam fazer pior. O Brasil é tão incompetente em administrar a sua própria riqueza que se o mesmo comprar um circo é capaz que o anão cresça.

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