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quarta-feira, 6 de março de 2019

#PARE DE FALAR DA IMPRENSA


Em qualquer debate público no palco das redes sociais é comum logo aparecer uma hastag sugerindo uma campanha contra determinado grupo da imprensa.
No atual cenário político onde as pessoas defende os seus escolhidos com uma violência verbal e messiânica assustadora é comum que quando um determinado jornal ou revista publique alguma notícia desfavorável ao seu político preferencial inicie uma campanha contra àquele jornal.
Em regra a campanha daquele seguidor é com uma hastag sugerindo boicote a rede globo, a folha de são Paulo, ao Estadão e outros. E às vezes os disparos odiosos são dirigidos ao colunista que trabalha naquela empresa, e os alvos principais são: Reinaldo Azevedo, Carlos Andreazza, Felipe Moura Brasil, Augusto Nunes, Paulo Henrique Amorin e outros.
E a fúria dos internautas contra a imprensa é seletiva, pois, se a notícia ou o comentário for favorável a sua “causa” o caluniado é rapidamente compartilhado é levado ao altar da fama de ótimo jornalista, e este que não se iluda, porquê, amanhã o mesmo será levado ao fundo do posso na mesma velocidade.
Desde a campanha das Diretas Já a rede globo é rotulada de imprensa marrom e que aliena o povo, e não é de hoje que a #foraglobo é cantada no meio da população, pois, na década de 80 a marchinha preferida era “o povo não é bobo abaixo a redeglobo”. Então, quer dizer que quem assiste a globo é bobo? Quer dizer que quem liga para assistir o Faustão é um alienado? Só é pessoa culta e aceitável se desligar a rede globo e rasgas a revista veja?
As pessoas assistem a TV GLOBO porque gostam da programação e acreditar que a globo aliena a população é o mesmo dizer que o Jair Bolsonaro ganhou  a eleição por causa do Watssap e o Trump venceu nos Estados Unidos por causa da ajuda da Rússia. E quem embarca nesta narrativa que é o bobo e não a família reunida para assistir o Faustão aos Domigos.
A programação da Globo é horrível, mais tem quem goste; a Folha de São Paulo não concede espaço para colunistas conservadores, mais tem quem leia; a Revista veja é fraca em conteúdo, mais tem quem compre. Ou seja, o internauta tem que parar de achar que a sua hastag irá influenciar os clientes destes grupos.
A população assiste, ler, ouve e compra o que ela quiser e não será 140 caracteres que irá mudar a opinião e a decisão daquele consumidor. Você “guerreiro” do twitter que acusa a imprensa faça a sua parte e sugira de forma honesta aos seus seguidores o que seria uma imprensa de qualidade na sua visão. E é bom lembrar este “guerreiro” das redes sociais que quando o mesmo menciona a emissora ou o jornal que ele odeia e está dando o ibope que aquele grupo precisa.
Campanhas inteligentes e sem agressividade tem mais efeitos práticos. Olavo de Carvalho em seu true out speak do dia 13.12.2006 conta que a rede Wall-Mart nos Estados Unidos tentava de forma velada acabar com a expressão “merry christmas” segundo Olavo era uma forma de esvaziar o sentimento cristão do Natal e que a rede fazia campanha para a mudança para a expressão “Happy Hollydays”.
Os conservadores cristãos americanos sem twitter, sem facebook, sem instagran e sem grito e dentro da Igreja decidiram boicotar o consumo dos produtos da rede Wall-Mart. O resultado foi catastrófico para a empresa americana que em uma semana os produtos estavam apodrecendo nas prateleiras e rapidamente o crucifixo, o menino jesus, o papai noel e um estridente “Merry Christmas!!!!” voltaram a frequentar o ambiente das lojas da rede.
O registro de Olavo é importante que não será o twitter e nem textão no Facebook que irá mudar os movimentos da população e sim ação concreta, objetiva e sem violência.
Não gosta do jornal cancele a assinatura, não gosta da emissora da tv muda de canal, a revista só fala em pornografia compra outra, o rádio só ataca a Igreja muda de sitonia. Agora pare de pedir o fim da imprensa, ela está aí até hoje e não será o “canhão” de seu texto de 140 caracteres que irá derrubá-los.

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