Reich preocupou-se com o
comportamento de massa e o seu sofrimento e a sua vulnerabilidade para a
manipulação e a condução ideológica e o filme A ONDA aborda a partir da sala de
aula em um inocente trabalho sobre autocracia onde o grupo de alunos sem
perceberem foi criando a sua própria ditadura sem notarem a irracionalidade de
seus atos. Neste trabalho identificarei os personagens suas dores emocionais e
como estas dores foram capazes de se identificar com uma possível ilha de
soluções chamada a ONDA com repercussões danosas dentro do ambiente escolar e
na vida destes indefesos alunos.
Os fatores subjetivos é
que influenciam os movimentos de massa e Reich foi buscar na Revolução Russa um
dos maiores movimentos de massa que a humanidade experimentou. E naquela Rússia
(1917) a população vivia em um rico território e mais extenso da Europa,
contudo, o que se via era um país atrasado economicamente e desorganizado
politicamente com uma população miserável assistindo passivamente o progresso
de outras nações como a Inglaterra e a França.
A classe proletária russa
era reduzida e a teoria Marxista neste caos social em que vivia o povo russo
conseguiu influenciar e despertar na população o sentimento de que os problemas
individuais de cada um (fator subjetivo) poderiam ser resolvidos destruindo os
fatores objetivos responsáveis por àquela situação. A teoria Marxista prometia
a solução de todos os problemas daquele povo sofrido e este sem qualquer
opinião contrária ou discordante em relação aquele mundo cheio de prosperidade
disseminado pelos socialistas o que interessa é que a massa acreditou neste
paraíso.
No filme “a ONDA” cada
aluno tinha os seus conflitos pessoais e subjetivos e a “onda” seria o caminho
da “felicidade” eterna e a solução de todos os problemas para àqueles inocentes
e doentes alunos.
O marxismo inspirou a
Revolução Russa e uma vez no poder caberia a execução dos ideais socialistas
àqueles mesmos ideais que conduziram a massa para destronar os Romanov do poder.
O que ocorre é que a realidade e o mundo real estão muito distantes em muitos
casos do que se prega e se promete na seara política. E com a morte de Lênin, Stalin
instala uma sangrenta Ditadura burocrática sob o argumento que tal
totalitarismo era para garantir o caminho ao mundo perfeito (a causa) e o
Marxismo é deturpado e é utilizado para a legitimação de um regime totalitário
onde não se permitia a contestação e só se aceitava a submissão ideológica. E
no filme “a ONDA” os alunos que mesmo com os seus problemas psicológicos eram
todos democratas e sem rodeios declaravam rejeição a qualquer regime
totalitário, porém, estavam tão envolvidos em seu inocente trabalho e não
conseguiam perceber que estavam agindo com irracionalidade e sendo totalitários
em relação ao próximo esquecendo tudo o que diziam no primeiro dia de aula
sobre os horrores da Ditadura.
A KARO ao tentar expor a
sua discordância em não querer vestir branco ganhou o apoio de sua amiga MONA,
as mesmas não tinham mais nem o direito de falar na sala de aula com as bênçãos
do Professor, e ambas tiveram o mesmo destino que foi a exclusão social e
barrada até de assistir um jogo de polo aquático. Reich alerta que a submissão
ideológica impõe uma cegueira nociva e a KARO e a MONA foram vítimas desta
cegueira coletiva. O filme nos revela com uma massa poderia ser conduzida a uma
ditadura silenciosamente e de forma aparentemente inofensiva e àquele que se
apresentar como voz discordante receberá o rótulo de inimigo da “causa”.
No discurso sobre a
servidão voluntária Reich chama à atenção que a classe subalterna aderiu ao
nazismo, pois, àquela ideologia apresentava-se como alternativa para a solução
de seus problemas de salários, fome e abastecimento e o mesmo Reich alertava
que qualquer classe social poderia ser manipulada e conduzida a servidão
voluntária. No filme os alunos que se envolveram na “onda” pertenciam a uma
série de diversidade ideológica, econômica e de credo e todas estas diferenças
foram sanadas e convergiu em direção a salvadora “onda”. O Dennis chefe do
grupo de teatro não era do popular time de polo, o Kevin era rebelde e saiu da “onda”
e com o seu dinheiro comprou os adesivos da “onda” e voltou ao grupo, o TURCO
era mulçumano e não impediu em ser popular e ter sucesso no time de Polo e
prestígio na “onda” e o filme sugere que o mesmo era bolsista quando saiu da
sala em apoio ao Kevin o mesmo retornou a sala sob o argumento de que iria ser
expulso se não tivesse nota. Portanto, todos entraram na “onda” independentemente
de credo, ideologia ou condição econômica.
Reich ficava aflito e não
compreendia como um faminto não roubava para atender suas necessidades e como
um explorado não entrava em greve para protestar pelos baixos salários e ainda
como uma ideologia gritantemente reacionária passava ser aceita com uma
normalidade. Mergulhando no filme “a onda” destaca-se a KARO que foi a única a
perceber desde o início o equívoco do projeto da “ONDA” e a mesma dentro de seu
limite procurou mostrar aos amigos a irracionalidade da “onda”, porém, só
recebeu em troca o isolamento, a repressão do professor, perda do namorado,
gozação do grupo e o ódio da melhor amiga a LISA.
Em uma sociedade em que
vivemos em grupo e raramente teremos pessoas em condições de viver isolada de
tudo a perseverança de Karo merece destaque, pois, a corajosa aluna não se
curvou em pensar diferente e foi em frente com as suas convicções mesmo com as
adversidades que se apresentavam. A força de um grupo em regra é sedutora e
magnetiza, pois, todo mundo quer ficar com a “galera legal”, porém, esta força
grupal não foi capaz de parar a Karo.
O nazismo calou a
esquerda alemã que escolheu o caminho do discurso vazio de propostas
socialistas em uma narrativa totalmente distante da realidade do sofrido povo
alemão que desde o fim da primeira guerra experimentava grave crise econômica
em virtude das sanções do Tratado de Versalhes. E com isso o Nazismo ao chegar
no poder foi fácil destruir a esquerda e no que concerne a mentira os nazistas
eram especialistas. E para o azar da Alemanha e do mundo não havia outras
Karo´s para alertarem do mal que o nazismo causaria ao mundo.
A tragédia final do filme
já fala por si e o semblante de derrota do Professor caminhando para a viatura
da polícia sob os olhares reprovadores de suas vítimas que sobreviveram a “onda”
é uma imagem para que todos os Professores do planeta saibam de sua
responsalidade social neste mundo e que o Professor é o principal mediador para
que possamos viver em uma sociedade que se aceite as diferenças e um erro na
sala de aula poderá causar danos irreparáveis a uma geração.
Reich valoriza a moral do
Homem e que esta moral é construída primeiramente no âmbito familiar e os
alunos do filme tinham os seus problemas na seara familiar e a “onda” funcionou
como substituto da família que não tinham. A “onda” era o refúgio e o paraíso
que inexistia na família de cada um. O TURCO era da galera, porém, antes da “onda”
era calado e nem se expressava; o Jim nem se fala era um “medíocre” sem apoio
em casa e tinha que comprar drogas ao grupo para incluído e com a “onda” ganhou
o respeito o prestígio com os seus “grandes feitos” como subir no prédio da
Prefeitura; O Marco o galã do filme tinha uma mãe que transava com colegas da
escola do próprio filho, vejam a miséria moral que esta mãe transmitia ao filho
e não teve outro caminho a não ser procurar a “onda” para liderar.
Reich alerta sobre os
riscos das couraças colocadas pela família e pelos educadores nos jovens e que
esta atitude engessa a capacidade do aluno em desenvolver um senso crítico e
agindo assim estaremos criando bonecos bem educados incapazes de se opor a uma
ação opressora. No filme o Jin que teve um fim trágico no primeiro dia de aula
estava feliz com a sua aula de autocracia e quando foi compartilhar com os pais
os mesmos foram indiferentes e o pai não estava disposto nem a ouvir o
entusiasmo de seu filho, neste momento este pai deve estar chorando a morte do
filho e nem percebeu que a sua indiferença pretérita colocou uma couraça em seu
filho que não tinha o direito de ser feliz e se estivesse feliz não era para
tagarelar na ora do almoço.
O melhor dos mundos seria
uma sociedade onde todas as famílias fossem bem estruturadas em um ambiente
propício em enriquecer o caráter e a moral do jovem para que projetos como a “onda”
fossem barrados na origem, porém, a realidade mundial é outra e aí surge a
figura do professor que tem papel importantíssimo para a construção de um mundo
saudável emocionalmente.
No filme o Professor, Sr.
Engler era popular e deixou os aplausos lhe corromperem moralmente e não
percebeu o mal que o seu projeto “a onda” estava causando. Lógico que este
Professor não sabia que a “onda” terminaria tragicamente e como ele mesmo
confessa a esposa e ao Marco que a intenção do projeto era unir os grupos e que
infelizmente “a onda” migrou para outro lado.
O Professor estava
orgulhoso de seu sucesso e a sua cegueira era tamanha que nem percebeu que o
mesmo estava envolvido no projeto que o mesmo nem mais tirava as blusas brancas
dentro de casa, e quando a Karo lhe procurou para pedir ajuda o Professor ao
invés de ouvir àquela jovem o “democrata” professor sugeriu que ela saísse da
turma, ou seja, o bulying é horrível e quando este parte de um Professor é
quando se chega ao limite de que a sociedade está doentia. Na ausência de uma
família estruturada a sala de aula é onde o jovem irá buscar o conforto
emocional que lhe falta e o Professor não percebeu que ele também era um doente
emocional que quando em uma discussão com a pessoa que mais ama a sua esposa o
mesmo foi capaz de usar os problemas psicológicos da esposa para agredi-la.
Todos eram doentes e o Jim foi quem pagou com a vida.
O Professor tem
responsabilidade social em evitar que jovens sejam marionetes ideológicas e sem
capacidade de pensar isso no mínimo contribuirá para que outros regimes
totalitários apareçam como salvadores dos problemas.
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