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sábado, 16 de fevereiro de 2019

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL


1-PRELIMINARMENTE.
Este trabalho ousará abordar os temas sobre a História no Brasil, como ela começou quais as primeiras Faculdades, quem foram os primeiros professores e tudo mais que envolve o tema.
A História teve grandes dificuldades para se firmar como ciência junto aos bancos acadêmicos ainda mais que sofria a concorrência de outros cursos mais rentáveis economicamente como Direito, Medicina e Engenharia.
A História não teve vida fácil em seu início no Brasil e no Século XVIII onde o status social era muito importante para um posicionamento na sociedade brasileira ser um Historiador não era uma profissão muito bem vista naquele período.
Este trabalho também enfrentará a dificuldade dos professores em se preparar para dar uma aula, e ao mesmo tempo qual a História a ser dada em sala de aula. E utilizando os textos de Flávia Eloisa, Marieta de Moraes, Maria Auxiliadora Moreira, Paulo Knaruss E OUTROS o trabalho mostrará as dificuldades burocráticas da História junto às escolas e a falta de preparo dos Professores para transmitir uma boa aula e como as Universidades se afastaram do dia a dia de uma sala de aula do ensino fundamental e médio e este fosso deve ser extirpado.
Este trabalho não será só um identificador de problemas e tentará em todo o seu curso apontar os problemas da educação de História e ousar sugerir alternativas para mudar este quadro. E se chegamos até aqui é por que a História tem importância para o brasileiro e conquistou um espaço na seara educacional que não poderá ser deixado de lado e sim melhorado.

1-ABORDAGEM HISTÓRICA DO FENÔMENO EDUCACIONAL NA MODERNIDADE
 No período do Brasil Colônia a Coroa portuguesa proibiu qualquer curso de História só era permitidos os Cursos de Direito, Medicina e Engenharia. A coroa portuguesa não tinha qualquer interesse em investir em cursos de História e por isso, contávamos com os registros dos viajantes para relatar o início do Brasil Colônia.
O Brasil não tem memória histórica, pois, a sua referência é Portugal e quando o Brasil se declara independente da Corte abandonou todos os valores portugueses que serviram de base e para piorar despreza qualquer referência portuguesa para qualquer assunto, como se a espada de D. Pedro I tivesse transformado o Brasil em uma superpotência intelectual que não precisasse mais dos favores portugueses.
E a partir de 1822 como não havia História no Brasil a não ser o que se remetia a Portugal o que passamos a desprezar, o país era um vácuo intelectual sem qualquer base educacional e sem uma base inicial sentimos até hoje os danos. Não é a toa que o Brasil é sempre o perdedor em rankings mundiais de educação. E quando algum aluno ganha uma olimpíada de matemática sai até no Jornal Nacional e àquela gota de brilhantismo é narrada como se o Brasil fosse uma fábrica de gênios. O Estado de Israel um bebê perto do Brasil já ganhou vários prêmios nobels não tem analfabetos e ainda convivem com ameaças terroristas todos os dias. Então, não se diga que em Israel as condições são melhores. Vivemos em paz e a educação está morta mais tem jeito.
Os primeiros educadores foram os padres e até hoje as Escolas Católicas são as melhores do Brasil e a Escola Pedro II foi a primeira a exigir formação específica para os Professores de seu quadro.
Só a elite tinha acesso a educação e, além disso, os alunos tinham a ajuda em casa de seus pais nas tarefas da escola. Portanto, quem não tivesse dinheiro estava totalmente excluído do sistema educacional brasileiro.
E os poucos cursos que existiam no Brasil os mesmos só eram bacharéis, portanto, o Brasil em seu início era um uma região de bacharéis sem Professores qualificados e estamos falando dos cursos que eram autorizados pela metrópole e neste início de formação sem Professores começou muito mal a vida intelectual do Brasil. E raros eram os talentos originais do Brasil e por isso o Brasil sempre andou atrás de outras nações no campo intelectual.
A educação no século XIX é para transformar e cultivar. Explico melhor: a escola transformadora estaria comprometida com o Estado e a Escola tinha o papel para a construção de um Estado nacional.
Foi na Inglaterra nos anos 20 que surgiram as primeiras críticas ao modelo educacional onde os alunos ficavam calados durante toda a aula sem poderem contestar o perguntar ao Professor. E o Inglês foi o primeiro a se preocupar que a Escola deveria ser uma formadora de cidadão e não um depósito de criança. O que melhor reflete este fato é a música da Banda Inglesa Pink Floyd “we don´t need education” onde no clip os alunos se rebelam contra aquele ambiente na sala de aula e se revoltam contra o tirânico Professor (que também era vítima daquele formato educacional).
Esse caos educacional e de formação dos brasileiros veio logo aparecer no século XX quando em 1920 o IBGE em extensa pesquisa detectou que só 30% dos brasileiros eram alfabetizados e a maioria encontrava-se na capital do Rio de Janeiro. Observe o caos educacional que vivíamos no já evoluído ano de 1920. Aqui chamo a atenção que qualquer alteração no modelo educacional os efeitos são sentidos em longo prazo, por isso, que decisões boas e ruins no campo da educação serão sentidas em longo prazo.
E como não havia professores qualificados e os que existiam não precisava ter a licenciatura qualquer pessoa que soubesse ler poderia dar aula (professor leigo). E quando surgiram os cursos de Bacharelados os mesmos passaram a incorporar os cursos de licenciatura para que o estudante fosse qualificado para dar aula.

O ESTADO BRASILEIRO
O ESTADO BRASILEIRO queria formar pessoas com espíritos nacionais sem qualquer intenção de formar pessoas com sentimento crítico e esta necessidade de impor um modelo nacional sem qualquer possibilidade de desenvolver no aluno um pensamento fora do padrão nacional acabou tornando a História uma cartilha de bons costumes a serem seguidas durante toda a vida humana.
A HISTÓRIA era usada para transformar pessoas inexpressivas em heróis nacionais e qualquer fato que viesse contra a linha moral do Estado brasileiro não poderia ser debatida em uma sala de aula.
A ideia de um Estado Nação acabou atribuindo a História um sentido político e no afã da criação desta identidade nacional artificial a História criou heróis nacionais inexistentes. E por um longo período a História foi usada para massificar esta ideia de nacionalidade.
O ESTADO possui obrigações constitucionais dentre elas a educação e querer uma não intervenção do Estado na área de educação é um sonho impossível e nem será explorado neste trabalho.
O orçamento da educação só é superado pelo da Segurança Pública e o da saúde e o Estado brasileiro gasta bilhões de reais com a educação e lógico que não deixará de intervir quando necessário for. O que temos que cobrar do Estado brasileiro é uma intervenção qualificada, pois, os índices de analfabetismo no Brasil são alarmantes e o Brasil deve ser o único país do mundo que comemora quando a pessoa consegue assinar o seu nome. O Brasil jamais ganhou um prêmio nobel. As universidades brasileiras estão sempre nas últimas colocações mundiais[1]
Portanto, o Estado brasileiro intervém desde todo o sempre na educação brasileira e está fazendo da pior forma possível, pois, os índices brasileiros são horríveis como aponta a Professora Flavia Caimi. E, aliás, é do conhecimento público em geral.
Vou me centrar na disciplina de História.
A História é colocada na sala de aula de forma ordenada  e em curta duração  como se os fatos ocorressem de forma mecânica e os alunos ao receberem este material se limitarão a decorar o material e acreditar que estão aprendendo História. E para piorar este quadro os Professores ficam em sua zona de conforto e vão repassando ano após ano o conteúdo de História nesta forma mecanizada sem se importar no caos intelectual na formação daquele aluno.
Como aluno é mero recebedor de conhecimento vamos partir do princípio que a mudança deverá partir do Professor, pois, o aluno não está ali para mudar o sistema quem deve mudar o sistema são os que fazem parte dele, ou seja, o Professor.
O aluno tem o seu dia a dia e já vai para a sala de aula com algum conhecimento prévio do mundo, da vida, da escola. Mesmo que este conhecimento seja superficial ele já traz alguma coisa para a sala de aula e o Professor saberá em qual ambiente encontra-se e qual o ambiente social do aluno e toda a turma. E ao dar uma aula o Professor tentará enquadrar o dia a dia do aluno com o tema da aula. Explico melhor.
Os horrores do nazismo já estão no imaginário de qualquer estudante por força do filmes e dos noticiários uniformes no mesmo sentido e quando o Professor estiver dando aula da segunda guerra mundial antes que a turma dê a primeira cochilada o Professor pode puxar o debate para as relações humanas atuais onde ainda existe escravidão no sul do Pará e ainda há racismo e intolerância religiosa. Mudando o foco sem sair do tema da aula o Professor conseguirá motivar a turma no tema. E esse protagonismo o Professor tem que saber usar.
Conceitos Históricos na fase de formação pode ser um fracasso para o aluno que esquecerá na hora do jantar o que foi dito na sala de aula. Estabelecer relações da matéria com o dia a dia do aluno será uma boa forma para aprendizagem e memorização.
Ser um Professor investigativo e se interessar pelos problemas do cotidiano da escola tudo isso será importante para a melhor formação do aluno. Escutar o aluno e saber de seus problemas, as vezes o aluno está disperso na sala de aula por algum problema familiar isso é importante para que o Professor não julgue os alunos pelas notas e sim pelo contexto que vive o aluno.
O Professor é protagonista e o aluno sabe disso e esta oportunidade é única e não pode ser desperdiçada. Fazer que a aula de hoje fosse pior do a que de amanhã deve ser uma luta diária de melhoramento. O Professor não é mero retransmissor de conteúdo. Formar pessoas com espírito crítico e que respeite o próximo e as adversidades é a missão do Professor dentre outras.

SABER HISTÓRICO
Hoje o Estado garante o funcionamento da Escola e esta terá vida própria não existe uma intervenção em tempo real e nem há ameaça de prisão de um Professor embora mínima exista dentro da Escola alguma autonomia que deverá ser muito bem utilizada pelos Professores. Na prática é a sociedade (principalmente os pais) é que irá influenciar o funcionamento das escolas.
André Chevel define muito bem os saberes dentro de uma escola. Os saberes pedagógicos, axiológicos (valores morais) e de referência (Matemática, Física, Química e História). E o Professor de História terá a árdua missão de além de repassar ao aluno os saberes de referência transmitir também valores morais.
Em uma sala de aula o Professor não poderá despejar o conteúdo de História de forma discricionária e sem dosagem de critério. O Professor será um criador e irá transmitir todos os saberes aos alunos de forma equânime e com qualidade.
A Professora Sônia Regina Miranda alerta os Professores acomodados de que se um Professor não dominar o saber histórico e o saber de referência ficará refém de sua memória e isto será perigoso em termos educacionais.[2]
É fácil eu pegar um papel e apontar os defeitos das escolas e criticar os métodos do Professor, pois, a vida real de um Professor não permite todos estes cuidados por isso a intenção deste trabalho também é apontar que o Estado sempre interventor na vida do cidadão também poderia mirar sua arma intervencionista e oferecer essas condições a classe Docente.
Então no dia a dia o Professor acaba fazendo História com base na narrativa que tem um potencial explicativo. E uma narrativa tem que ter algum sentido para que o aluno se insira no contexto e desperte a sua capacidade em fazer sua própria leitura do mundo e do conteúdo. E uma narrativa bem conduzida na sala de aula vai proporcionar ao aluno e futuro cidadão não pense o mundo só que existe aqui e agora. E fazendo assim o Professor estará criando um saber histórico.
O saber histórico vem sendo mal conduzido nas escolas brasileiras e isto ficou evidente no texto do Professor Oldimar Pontes Cardoso[3].
No texto o Professor pesquisou e identificou que o Professor gasta 40 minutos da aula escrevendo o que tem no livro didático e em 10 minutos oral tenta explicar. Ora não sobra tempo para as perguntas e nem para o Professor saber se o conteúdo foi assimilado. Cadê o saber histórico? Cadê os valores morais? Que Professor esse? Cadê a responsabilidade social do Professor?. Não pretendo que os Professores sejam Aristóteles ou Platão, contudo, o tempo poderia ser melhor utilizado como por exemplo o uso de uma boa narrativa.
O Doutor Oldimar prossegue e aponta em sua pesquisa os Professores que passam trabalhos de grupos e a execução destes trabalhos são da pior forma onde os alunos se dirigiam para frente da sala e recebiam perguntas diretas sem qualquer intenção em incentivar os alunos em criar a sua própria cronologia histórica. Por exemplo, foi pedido aos grupos que pesquisassem o plano de governo dos partidos que disputavam as eleições de 2002 para Presidente da República e os alunos se limitaram a ler o plano de aula e ao término da exposição do trabalho a mentalidade eleitoral dos alunos continuava a mesma, ou seja, um total e completo vazio e todos saíram para votar. Que país é esse?

LIVROS DIDÁTICOS
Os livros didáticos passaram a ser um fetiche nacional de que tudo o que o aluno precisa saber está no livro didático. E isso é uma herança da “modernidade” que veio para ficar e deverá ser utilizada pelos Professores de História.
A indústria do livro didático é forte e movimenta o mercado brasileiro e para não fugir do tema não tratarei das interferências políticas nas escolhas dos livros didáticos sem se preocupar com o conteúdo dos mesmos.[4]
O livro Didático é uma realidade que não deixará de existir  por isso devemos cobrar livros com qualidade e na sala de aula o professor não pode ficar preso ao conteúdo do livro didático. E utilize o livro, porém, deve o professor fazer atividades fora da prisão dos livros didáticos e incentivar desafios aos alunos. O livro Didático escolhe um caminho simplificado e perigoso da História que o professor deve afastar-se.
É pertinente dizer que em escolas particulares os pais irão cobrar a utilização dos livros didáticos e o Professor deverá utilizar toda a sua criatividade para não fugir do conteúdo do livro didático. Nada impede de que seja passadas pesquisas em outras obras aos alunos.
As escolas particulares não seguem as normas do PENCEM e fazem as suas próprias escolhas de quais livros didáticos irá utilizar, porém, mesmo com este zelo nada garante que o conteúdo destes livros irá refletir a realidade o que aumenta a responsabilidade do Professor de História em sempre mostrar as versões que existem sobre determinado fato histórico.
O Professor de História tem que fazer a construção histórica ensinando o passado e compreendendo o passado. O conhecimento só existe porquê tem um sujeito e este sujeito é o Professor e na sala de aula não pode ser perdida a chance. O Professor deve promover a capacidade de o aluno raciocinar e a viver em sociedade.
Um Professor Pesquisador é de suma importância para o Brasil, porém, este Professor é especialista e a realidade de sala de aula é totalmente diversa do que os bancos de pesquisas apuram, por isso, o Professor de Licenciatura deve ser eternamente qualificado para enfrentar o dia a dia na sala de aula para melhor formar seus alunos. E esta “guerra” entre os pesquisadores e pedagogos tem que acabar, pois, só quem perde é o aluno que nada tem a haver com isso.


EVOLUÇÃO LEGAL
O ESTADO BRASILEIRO passou a se preocupar com a formação de Professores e como já explicado ao norte em vários períodos de nossa História foi necessária a intervenção do Estado para por “ordem” na casa.
Em 1931 a História é sistematizada a partir da reforma de Francisco Campos.
Em 1971 a educação era assunto de segurança nacional e o que era transmitido em sala de aula não poderia contrariar o governo da ocasião. Neste horrível período o temor em ser preso acabou por limitar o Professor na sala de aula. E as aulas eram repetições do que o governo determinava a ser ensinado.[5]
Com esta Lei o governo queria qualificar pessoas especialistas para a 1ª e 8ª série. E a mesma legislação expandiu os programas de Pós-graduação em que pese os rigores da lei a partir deste período passou a se discutir sobre os currículos e a formação de Professores. Pois, o Brasil estava formando alunos sem se preocupar em formar os Professores. O Brasil era um país de diplomas sem professores. E como ficam as crianças?
Desde os anos 80 a Didática conquistou o seu espaço e passou a ter importância na formação dos Professores do Brasil. E o Professor José Carlos Libaneo defende que a Didática é indispensável para a formação dos Profissionais que serão Professores.[6]
A partir de 1968 a formação de Professores passou a ser uma unidade distinta da Formação do Conteúdo Disciplinar. E vários departamentos foram criados nos ambientes universitários o que causou uma confusão administrativa já que cada um decide suas diretrizes a seu critério. Hoje um excelente Professor é o que conhece o conteúdo didático e não o conhecimento da disciplina.
Em 1986 a Moral e Cívica foi incluída na grade curricular e com a abertura política esta disciplina foi tanto demonizada pela esquerda que chegou ao poder, que a cegueira ideológica não permitiu que nada de bom fosse encontrado nesta disciplina. A Professora Marieta Franco critica esta disciplina, porém, a mesma exaltava valores de família e nacionais que hoje estão em extinção na educação brasileira.
O brasileiro só lembra-se da bandeira do Brasil em época de copa do mundo e não tem qualquer identificação nacional com o país que vive. Os mais antigos ainda nutrem algum nacionalismo graças a Moral e Cívica e não que isso seja uma adoração as torturas do regime militar e sim um sentimento genuíno e espontâneo de amor ao país. Triste para um país que não tem qualquer identidade nacional.
Em 1996 a Lei 1996 estabeleceu as diretrizes bases da educação estabelecendo e definindo as competências estaduais, municipais e federais. A importância da lei é quem ao menos ficou claro para a população e para os órgãos fiscalizadores para quem deveria ser cobrado determinada política educacional, pois, antes um ente jogava para o outro e ninguém resolvia nada.
Com a Lei houve melhoras na qualificação dos Professores como por exemplo:
1º mínimo de 300 horas de aula prática. Os professores eram formados sem qualquer experiência de sala de aula e os primeiros alunos daqueles professores recém-formados eram verdadeiras cobaias em um experimento chamado “professor” a lei reparou este descompasso da formação com a realidade.
2º Pesquisas nacionais de avaliação passaram a ser feitas anualmente. Isso é de muita relevância, pois, permite que eventuais erros sejam logo corrigidos e os acertos sejam mantidos sem esperar um longo prazo para tomar as medidas necessárias.
3º No curso de História foi detectado um problema que os alunos mais qualificados não queriam ser Professores e se dedicavam as pesquisas e sem atração mais uma vez o quadro docente ficaria desamparado. Agora o aluno já entra na faculdade de História sabendo se quer ser Professor ou Pesquisador.

A HISTÓRIA DO ENSINO DE HISTÓRIA
Em 1930 o Estado passa a ter controle sobre o conteúdo do que deveria ser ensinado através do Ministério de Educação e a intervenção estatal se concretizava através do que ficou denominado o Código Disciplinar da História do Brasil. Verifica-se uma intervenção explícita no que deveria ser ensinado e como deveria ser ensinado. O Brasil não tinha qualquer intenção em formar alunos com capacidade de ter a sua própria opinião o Estado é quem iria dizer qual a opinião o aluno deveria ter.
Como já dito em vários momentos deste trabalho a intervenção do Estado no ensino de História foi em sua grande maioria um grande fracasso e ainda neste contexto a História conquistou o seu espaço principalmente nas Universidades porém no ensino fundamental e médio os alunos continuavam uma rotina de aprendizagem de História totalmente diversa do que se aprende da Universidade. E hoje cabe a todos nós mudarmos este perverso quadro com a classe estudantil e o Brasil como nação.
Em 1951 houve a reforma de Gustavo Capanema e para época houve um salto de qualidade no que concerne o ensino da História.
Ora ensinar História é estabelecer relação entre o presente e o passado e este método foi fundamental para a formação dos Professores. História é algo em movimento e seduzir as crianças para mergulharem no passado é uma gloriosa batalha dos professores (Imaginação Histórica).
A História pode ser abordada pelo viés econômico e político e quando o Professor opta pelas questões econômicas estará valorizando as questões humanas e isso pode ser uma motivação para os estudantes por identificação com a disciplina.
Não podemos esquecer que a missão de um Professor de História além de transmitir conhecimento ao aluno deverá se empenhar no desenvolvimento do educando e a adaptação do mesmo para viver em sociedade. De que adiantaria o aluno aprender sobre o período de escravidão de negros e índios se este mesmo aluno no seu dia a dia agir como um verme de um racista.
O Professor de História não pode perder a chance de aproveitar que o adolescente regra geral é curioso e esta curiosidade pode ser o ponto de partida para que o mesmo aprecie a História como ela é. Porém, se o professor ficar em sua zona de conforto e se limitar a repassar o conteúdo do livro didático para lançar um conceito no final de ano, esta é a fórmula do fracasso.
O ensino escolar não é menor que um ensino universitário e o que um Professor de História ensina na sala de aula é um ensino científico. Lógico que se um professor só for dar uma aula com o conhecimento científico em 30 minutos todos os aluno estarão adormecidos, por isso, é importante a integração do conhecimento científico com a experiência comum do aluno.
Hoje as aulas no ensino infantil são dadas sem qualquer compromisso com o conhecimento científico.[7]
Ocorreu um abandono das verdades absolutas pelas verdades relativas, a História e o mundo ficaram refém da ciência e qualquer pensamento crítico seria logo deixado em segundo plano em nome da divindade da ciência.
O desconstrucionismo e revisionismo histórico virou moda e as verdades passaram a ser pré-definidas pela ciência. E a Modernidade passou a ser vista como se fosse o melhor. E todos esses efeitos chegaram à História.
Métodos eficientes e eficazes no ensino da História foram abstraídos em nome de uma “modernidade” educacional. E a História foi repassada de forma conveniente para atender a dita “modernidade” e mais uma vez os alunos estavam saindo da escola sem o mínimo de autonomia intelectual para produzir um texto.
A História não pode ser tratada como um dado estatístico e sim como um discurso interpretativo e logicamente construído.

A DIDÁTICA NO BRASIL
A Doutora Giseli Barreto da Cruz faz um alerta sobre o ensino de Didática no Brasil[8] onde há um total abandono da disciplina de Didática nas Universidades.
A autora não simpatiza da ideia de Professor formar Professor e que os cursos de Didática estão desaparecendo e os poucos que existem estão totalmente desatualizados e sem estrutura.
A autora em seu texto[9] verificou que os Professores Didáticos o dão aula por obrigação de ordem superior ou por uma conveniente adequação particular, ou seja, os professores responsáveis pela Didática no Brasil são despreparados, desmotivados e não valorizam a sua importante missão em formar os futuros Professores deste Brasil.
E continua a Doutora Giseli que a Didática tornou-se uma disciplina secundária sem qualquer importância e ninguém trata a Didática como uma disciplina investigativa.
Ora o Professor bom não é o que sabe e sim o que sabe ensinar, àquele que motiva os alunos, àquele que leva desafios a classe estudantil para serem resolvidos. Professor bom é que forma cidadão e não um robozinho que tira boas notas e não tem capacidade de produzir um texto original quando chega em uma Universidade.
O Professor tem que ter um objetivo educacional de transmitir conhecimento de forma qualificada. Este objetivo é dirigido ao aluno e o Professor de História deverá eternamente fazer autocrítica e melhorar onde está ruim e melhorar o que já está bom. Professor de História é importante para o Brasil e para o mundo e a sala de aula é o pequeno espaço onde o Professor poderá colaborar para o melhor desenvolvimento desta geração.
O aluno tem que aprender o porquê ele está em uma sala de aula e o porquê ele tem que aprender História e não só a frase pronta e de efeito de que estudar é importante para que ele tenha uma Profissão no futuro. Ora a escola é importante para no futuro se conseguir uma Profissão, só que o aluno como criança ele não enxerga um Engenheiro ou um advogado ele visualiza um ator global e um jogador de futebol que não estudou e está se dando bem na vida. Vida de Professor não é fácil, mais é importante.
O aluno tem que aprender a estudar e o Professor deve estimular o aluno a desenvolver sua capacidade cognitiva. E na sala de aula deverá ser promovida a Aprendizagem de qualidade com a participação efetiva do aluno (saber pedagógico).
Um cuidado que o Professor deve ter é o de não fugir da Historiografia e nem Mitificar os agentes históricos e evitar o máximo em vitimizar estes agentes históricos.
A História tem a função didática de formar a consciência histórica e esta é a responsabilidade social do Professor para com o Brasil e as futuras gerações.

CONCLUSÃO.
O contexto histórico mostra que o Brasil cometeu equívocos na condução da Educação e hoje estamos sentindo os seus reflexos. Porém, não se pode ficar preso ao passado e usar como desculpa este passado para não melhorarmos o presente com repercussões para o futuro.
A Modernidade é uma realidade mais nem sempre significa que o que é moderno é melhor. Deve-se melhorar o que está ruim e aproveitar o que funciona.
A Educação sofreu várias intervenções, reformas importantes e fracassadas e a Histórica sobreviveu ao tempo e é impossível se falar em educação sem inserir a História como matéria obrigatória.
A HISTÓRIA deixou de ser um instrumento de doutrinação oficial e sim uma disciplina para formar pessoas com autonomia intelectual.
A importância do Professor de História para o país e a sua responsabilidade com o mundo foi exaustivamente colocada neste trabalho.
As dificuldades existem para serem superadas.
As divergências nos rumos da disciplina devem servir de união para o bem comum da História.
A acomodação com a situação de desprezo oficial pela Educação não pode existir e a busca de melhores condições de trabalho deve ser permanente e sem prejudicar os alunos.
Os Professores de História não podem perder tempo com lutas vazias como, por exemplo, autonomia total da Educação. Isso jamais irá ocorrer, pois, o Poder Público destina bilhões em verbas para o ensino público e esta autonomia é um sonho inalcançável.
Professores devem buscar sua qualificação para enfrentar as modernidades que os alunos trazem para as escolas e sem esta atualização constante o Professor perderá o “time” histórico.
Sala de aula é um espaço de conhecimento e onde ser compartilha experiência e o Professor não pode deixar escapar este protagonismo em que pese não ser o único detentor do saber.
O saber e a consciência histórica do aluno é formada antes da sala de aula, cabendo o Professor estabelecer a conexão do presente com o passado e procurar eliminar os preconceitos do passado, e desmistificar os mitos e heróis.
Não ficar preso a livros didáticos.
Cabe ao Professor fazer revisão sempre, pois, o aluno ao passar de ano não significa que tenha aprendido tudo.
Esta é minha colaboração que submeto a avaliação dos leitores.


[1] Flávia Eloisa Caimi, Por que os alunos (não) aprendem História? Reflexôes sobre ensino, aprendizagem e formação de professores de História
[2] Sonia Regina Miranda, Brasil sob o signo da memória: notas sobre jovens, nação e nacionalismos
[3] Oldimar Pontes Cardoso, Representações dos Professores  sobre o saber  histórico
[4] Marieta de Moraes Ferreira Renato Franco, Desafios do ensino de História
[5] Lei Federal 5692/1971
[6] José Carlos Libâneo, Formação de Professores e Didática para Desenvolvimento Humano
[7] Paulo Kanauss, O Desafio da ciência: modelos científicos no ensino de História.
[8] Doutora em Educação pela PUC/RJ e Doutora em Psicologia da Educação pela University of Illinois
[9] Ensino de Didática: um estudo sobre concepções e práticas de Professores formadores

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