O processo político nacional e as repercussões no Pará
As Emendas da reeleição
ainda era um sonho distante, e a regra eleitoral que estava valendo para as
próximas eleições presidenciais era eleição indireta para a Presidência da
República, e os partidos conforme as regras do jogo se preparavam para a
sucessão de Figueiredo.
O partido da situação
era o PDS antiga Arena e em que pese o mesmo ter maioria folgada no Congresso
Nacional não significava que a sucessão fosse ser da forma tranquila, pois,
vários políticos de expressão almejavam ser indicados pelo partido.
Aureliano Chaves do
PDS/MG e NA ÉPOCA ERA O Vice Presidente da República e foi o primeiro a lançar
o seu nome para a sucessão de João Figueiredo, porém, o seu nome não era uma
unanimidade no PDS nacional.
O SENADOR MARCOS MACIEL
(PDS/PE), também declara apoio a DIRETAS JÁ, e o governo federal começa a
retaliar os partidários que declararem apoio as DIRETAS, PAULO MALUF (PDS/SP)
experiente político é sabedor que o mesmo só tem chance de ser Presidente da
República e a eleição for no Colégio eleitoral e por isso, utiliza todos os
meios possíveis para que a EMENDA DANTE DE OLIVEIRA seja rejeitada, e ao mesmo
tempo não pode entrar em choque com os defensores da EMENDA, pois, precisará
dos votos destes parlamentares no Colégio eleitoral.
Tancredo Neves PMDB/MG
declara que o partido tem que lançar um candidato para a Presidência mesmo que
perca.
No Pará o PMDB é o
partido com maior potencial de crescimento em face do desgaste de 24 anos do
PDS no comando do governo federal e carência de lideranças regionais do partido
da situação e neste terreno fértil politicamente Jader Barbalho agrega apoios
inaugura um governo itinerante. Porém, o PMDB não está imune as suas crises
internas, pois, o prefeito de Belém, SAID XERFAN, renuncia a Prefeitura, e
desfilia-se do partido e abre uma crise na administração da Prefeitura de Belém
que fica sem Prefeito. Lembre-se que os Prefeitos eram indicados pelos
Governadores de Estado que submetiam o nome do escolhido para aprovação junto a
Assembléia Legislativa.
Said Xerfan era um
Prefeito biônico onde o Governador indica, sem necessidade do nome passar pelo
sufrágio, contudo, Xerfan, empresário bem sucedido, fazia uma administração
moderna com obras de estruturas de grande impacto junto à população carente e
na seara administrativa com sua experiência empresarial o mesmo não gastava
mais do que arrecadava e trouxe uma austeridade fiscal jamais vista em Belém.
O PDS paraense
aproveitou a crise do PMDB de Jader para propagar que XERFAN foi demitido por
Jader. As intenções do PDS era colocar a população contra o bem avaliado
Governo de Jader Barbalho frente ao Estado do Pará.
XERFAN era um
empresário bem sucedido e resolveu migrar para a política e foi ser Prefeito de
Belém por indicação do Governador Jader Barbalho, o mesmo começou a ter atuação
autônoma e foi destituído do cargo, e esta atitude de Barbalho causou mal estar
na população, pois, Xerfan fazia uma boa gestão. Zenaldo Coutinho defendia o
governo de Jader contra as acusações de que XERFAN foi demitido arbitrariamente
e a narrativa do PMDB era de que o XERFAN saiu da prefeitura para cuidar dos
seus negócios, porém, a população de Belém alheia aos movimentos políticos, já
começava a sentir falta do dinâmico Prefeito Said Xerfan, pois, o Prefeito
interino, Emanoel O’ de Almeida, era inexpressivo politicamente, e inerte
gestor, e lento para tomar decisões ao contrário de Said Xerfan que ganhou fama
de colocar as suas botas e pisar na lama das baixadas de Belém.
A crise entre Jader
Barbalho e o Prefeito Xerfan mereceu destaque na Revista Veja do dia 03.08.1983
(edição 778). Xerfan era Prefeito Biônico e DECIDIU visitar secretamente sem
avisar o Barbalho o Deputado Federal do PDS Jorge Arbage e XERFAN foi mais
ousado e também reuniu com o maior adversário de Jader no Estado o então
Ministro da Previdência, Jarbas Passarinho. As reuniões vazaram e chegou ao
conhecimento de Jader que mandou chamar o Prefeito e após curta reunião foi
demitido. E a revista conseguiu registrar a reunião em que XERFAN foi demitido.
E no meio da crise em
Belém no cenário nacional a divergência também vem para o conhecimento público.
O PMDB nacional oficialmente declara que não irá apoiar nenhum candidato do PDS
para Presidente da República e Beto Richa, Governador do PR e do PMDB é o
preferido da população brasileira para ser o Presidente do Brasil, porém, a
batalha seria no Congresso já que a eleição seria indireta.
No Pará o PDS
surpreende e declara apoio a eleições diretas e para não caracterizar traição,
os parlamentares do PDS, EDSON MATOSO e ZENALDO COUTINHO argumentam que os
mesmos não estão aderindo a causa do PMDB e sim aderindo a vontade popular que
deseja as eleições diretas. Ronaldo Passarinho em entrevista para esse trabalho
narrou que na seara regional todos os políticos do PDS apoiaram as eleições
diretas ao contrário da orientação nacional. Ronaldo Passarinho conta que
quando a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada foi uma tristeza generalizada
no parlamento estadual e não havia ninguém comemorando a rejeição da Emenda
Dante de Oliveira.
Os Deputados Estaduais
do PMDB não se entendem na escolha de seu líder e foi necessária a intervenção
do Governador Jader Barbalho que inova em matéria de articulação e cria a
figura do Líder único, e vários vice líderes, todos com poderes para formular
encaminhamentos em nome do Governo e os escolhidos foram: NICIAS RIBEIRO para
líder, tendo como vice líderes, MARIO CHERMONT, GABRIEL GUERREIRO, ROMERO
XIMENES, ALDO REBELO.
No cenário nacional o
PDS entra em rota de colisão interna e os Deputados Federais PAULO MALUF e
MARIO ANDREAZZA articulam suas candidaturas no colégio eleitoral, sendo que os
nomes dos mesmos teriam que ser submetidos à Convenção do Partido e ambos se
comprometem a apoiar o outro em caso de derrota. Essas promessas não foram
cumpridas após o resultado da Convenção.
AURELIANO CHAVES do PDS
declara apoio as ELEIÇÕES DIRETAS e é duramente criticado pela cúpula do PDS
inclusive pelo Ministro da Previdência, JARBAS PASSARINHO (PDS/PA). Este
movimento de AURELIANO é mal compreendido pelo planalto, pois, o governo
federal, já articula a rejeição da Emenda do Deputado DANTE DE OLIVEIRA
PMDB/MT, que altera a Constituição Federal, para que tenha eleições diretas
para Presidente. Aureliano chegou à vice-presidência da república por gozar de
prestígio junto ao Presidente Figueiredo e por ter nascido no maior colégio
eleitoral do país (Minas Gerais) que tradicionalmente votava e apoiava os
políticos da terra. Aureliano Chaves também era experiente e que havia chegado
a hora de tentar chegar a Presidência da República e sabedor que o seu partido
não lhe daria a legenda para disputar o colégio eleitoral escolheu o caminho
solitário em tentar convencer o partido de que o seu nome seria forte para uma
eleição direta.
AURELIANO CHAVES em
visita aos Estados Unidos em reunião com o Republicano Ronald Reagan fechou
assunto que os Estados Unidos apoiam eleições diretas para o Brasil.
O Presidente da
República João Batista Figueiredo (PDS) inicia campanha aberta por eleições
indiretas e o Governador de Minas Gerais Tancredo Neves critica o
posicionamento oficial, e o líder do PMDB no Senado, Senador Humberto Lucena,
já começa articular a campanha do partido por eleições diretas, e o PTB
NACIONAL declara apoio ao governo Figueiredo, porém, não fecha questão sobre
apoiar as eleições indiretas.
O Governador JOSÉ RICHA
do Paraná (PMDB/PR), junto com o Governador do Mato Grosso WILSON MARTINS
(PMDB/MT), eram nomes fortes do partido para concorrer ao cargo de Presidente,
pois, seus governos eram bem avaliados e os seus nomes conhecidos da população
brasileira. Portanto, Tancredo Neves não era nem plano D do partido para ser
candidato Presidente.
Os partidos políticos
sempre possuíram ótimo faro de sobrevivência partidária, e os mesmos já sentiam
que a população queria mudança, e esta mudança consistia em querer escolher o
novo Presidente da República. A campanha pelas diretas seria em campo aberto e
os seus apoiadores tornariam-se pessoas conhecidas e os políticos oportunistas
e pensando em seus mandatos não queriam perder a oportunidade de abraçar uma
causa popular, e que por certo renderia votos em qualquer pleito eleitoral. A
defesa por eleições diretas pelo Deputado INOCENCIO OLIVEIRA (PDS/PE), confirma
que nem os aliados do governo federal queriam perder a chance de tirar proveito
eleitoral pela campanha das Diretas.
O governo Federal foi a
favor da abertura política, porém, não abriria mão de manter a regra do jogo
para a escolha do novo Presidente da República, ou seja, de que as eleições
seriam no Colégio Eleitoral, e PAULO MALUF (PDS/SP), articulava abertamente
para que o Congresso rejeitasse a Emenda Dante de Oliveira e em todas as
reuniões o acompanhava o influente Deputado Federal JORGE ARBAGE (PDS/PA). O PMDB
mostrava otimismo na aprovação da Emenda com o apoio da população, e em tom de
acomodação os Senadores Jailson Barreto (PMDB/SC) e ENÉAS FARIAS (PMDB/PR) já
davam como certa a aprovação da Emenda.
O Presidente do PDS era
o Senador José Sarney (PDS/MA), que não fechou questão sobre a emenda DANTE DE
OLIVEIRA, porém, repreendia qualquer Deputado do PDS que falasse a favor da
Emenda.
ANTONIO TEIXEIRA (PMDB)
era Deputado Estadual, e criticou duramente da tribuna a tentativa do PDS em
barrar a Emenda Dante de Oliveira, CRITICANDO o Presidente João Batista
Figueiredo, que abandonou o Pará em sua gestão.
ROMERO XIMENES (PMDB)
era Deputado Estadual, e era ATUANTE no campo da Educação e os seus eleitores
em sua grande maioria era formada por Professores e foi o idealizador da
criação da UEPA, a primeira Universidade Estadual do Norte. Em consulta ao site
da Uepa[1] no
histórico da instituição consta que a UEPA foi criada pela Lei Ordinária
estadual de número 5747, de 18.05.1993 e publicado no Diário Oficial do Estado
no dia 19.05.1993. E por tratar-se de matéria de ensino superior era necessária
a autorização Federal para o funcionamento da UEPA e a mesma foi obtida com o
Decreto 004/1994, do dia 05.04.1994 tendo como assinatura do Presidente da
República Fernando Henrique Cardoso.
E abrindo um parêntese
e saindo da temática do trabalho para falar da UEPA a mesma teve um grande
avanço na seara educacional e a Lei 5.747, 18.05.1993 teve a sanção do
Governador Jader Barbalho e no texto oficial que consta no Banco de Leis da
Assembleia Legislativa está assinatura do autor do projeto e Secretário de
Educação do Governo Barbalho, o Ex-Deputado Romero Ximenes[2]
MANOEL RIBEIRO
(PDS/PA), Ex Presidente do CLUBE do REMO conseguiu expressiva votação e era
Deputado Federal. Ribeiro era um dos poucos que tentava colaborar com o Governo
de Jader Barbalho conseguindo a celebração de alguns convênios, tais como, o
Convênio com o Ministério dos Transportes onde foi repassada verba federal para
a ampliação do anel viário de Belém e Ananindeua.
A bancada do PDS na
Assembléia Legislativa era composta de Deputados experientes e que divergiam
com frequência, eram eles: ELOY SANTOS, RONALDO PASSARINHO, ALDEBARO KLAUTAU,
FAUSTO FERNANDES e FERNANDO BAHIA. A divergência entre a bancada da oposição
era explícita quando o assunto era eleições diretas, ELOY era contra e a favor
de MALUF, RONALDO não tinha opinião, ALDEBARO era contra e a favor de MARIO
ANDREAZA, EDSON MATOSO era a favor mais não dizia isso em público, pois, temia
represália do seu partido. É importante dizer que os parlamentares temiam uma
represália do partido e um eventual processo de expulsão e se isso ocorresse
esses políticos não teriam legenda para concorrer a outros mandatos.
Em Abaetetuba HOUVE
movimentos em favor das DIRETAS e reuniram mais de quatro mil pessoas e os
Deputados Mário Chermont (PMDB) e VICENTE QUEIROZ (PMDB/PA) estiveram no
município e foram os principais oradores do evento e responsáveis pelo sucesso
do comício.
O ator global LÚCIO
MAURO declarou apoio às eleições diretas, e não ficou em cima do muro e quando
indagado se a emenda não fosse aprovada qual seria a sua posição o mesmo
declarou apoio a AURELIANO CHAVES, a importância desta declaração no cenário
paraense, onde esta obra pretende centralizar o seu enfoque, é que LÚCIO MAURO
é irmão de LAERCIO BARBALHO, pai do ENTÃO Governador JADER BARBALHO. E a
declaração deixa claro qual a posição de JADER quando o assunto era eleições
diretas.
JOÃO MENEZES era
suplente de Senador, e foi nomeado para o cargo federal no Projeto Carajás, e o
Deputado Estadual RONALDO PASSARINHO criticou a nomeação, pois, a mesma não foi
debatida no partido e da tribuna expôs a divisão do PDS no PARÁ. E sobre esta
indicação foi noticiado na imprensa nacional que este cargo foi indicação do
PDS formulada por Tancredo Neves, Governador de Minas Gerais, com o intuito de
compensar o partido pela derrota nas eleições de 1982. Dito de outro modo,
Menezes foi derrotado na eleição para uma cadeira no senado e perdeu, e segundo
a notícia nacional, Jarbas Passarinho, então Ministro do Governo Federal devia
favores pessoais ao candidato derrotado e o mesmo cobrou sua nomeação que foi
plenamente atendida.
O próprio governador Mineiro escreveu ao Governador
Jader Barbalho do PMDB/PA, para dizer que não indicou João Menezes para o
cargo, e que tal indicação não passou pelo crivo de Tancredo, que sequer foi
consultado sobre tal nomeação segundo o próprio Tancredo.
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