Os primeiros candidatos a presidente
Com a proximidade
das eleições para Presidente, vão surgindo os primeiros candidatos, o PDS,
maior bancada nacional, e com a máquina federal a disposição do candidato que
fosse escolhido pelo partido, já surgiam os primeiros candidatos, entre eles,
AURELIANO CHAVES, atual Vice – Presidente da República.
PAULO MALUF (PDS/SP) já tinha sido
Governador do Estado de São Paulo e tinha força no Congresso e por isso, o seu
nome era lembrado, contudo, o mesmo não tinha a simpatia do atual Presidente
João Batista Figueiredo, e alguns setores do seu partido, entre eles, MÁRIO
ANDREAZZA, político experiente e gozava da concordância de FIGUEIREDO.
O Ministro da Previdência JARBAS
PASSARINHO (PDS/PA) também aparecia como um dos candidatos do PDS. O nome dos
partidos seria colocado na Convenção, porém, com muitos candidatos percebe-se
que o partido da situação estava muito distante da convergência, e esta
pluralidade de candidatos já sinalizava que o partido sairia dividido após a
Convenção.
O PMDB era o maior partido de oposição e
o seu maior líder era ULYSSES GUIMARÃES (PMDB/SP) que dizia que o partido tinha
que lançar candidato mesmo que perdesse e no partido o nome de BETO RICHA
(PMDB/PR) era o mais conhecido entre os brasileiros e o seu bom governo no
Estado do Paraná o credenciava a ser o candidato do PMDB.
TANCREDO NEVES (PMDB) era um desconhecido
nacional e o seu nome nem era lembrado como candidato a presidente pelo
partido, e o seu isolamento era tamanho, que a imprensa chegou a noticiar que o
mesmo iria voltar ao PP, seu antigo partido, a fim de concorrer ao Planalto.
TANCREDO sabia que as chances de ser escolhido pelo PMDB eram mínimas, pois, o
mesmo era novo no partido sem história oposicionista, e a sua vinculação com o
Ditador Vargas não era bem recebida por caciques do PMDB.
No dia 28.03.1984 TANCREDO NEVES (PMDB/MG)
ao perceber a desunião do PDS e a ausência de um candidato que traga paz
partidária ao partido do governo, observando as críticas de vários
parlamentares ao candidato oficial PAULO MALUF (PDS/SP), Tancredo fez uma
profética observação de que o governo federal irá perder a eleição para
Presidente tanto pela via direta como indireta.
O Presidente da República JOÃO FIGUEIREDO
(PDS) político experiente e sincero percebia que defender a rejeição da emenda
DANTE DE OLIVEIRA, poderia ser um ônus político pesado a ser carregado e ao
mesmo tempo FIGUEIREDO não poderia recuar e permitir que a oposição dominasse
as ruas, por isso, em uma tentativa de recuperar o prestígio junto a população
o governo apresenta Emenda a Constituição prevendo eleições diretas para o
sucessor de FIGUEIREDO, sob o argumento de que a emenda DANTE DE OLIVEIRA não
poderia alterar a regra eleitoral já prevista na Constituição Federal. O
argumento do governo estava repleto de argumentos jurídicos justificáveis,
porém, inexplicáveis para um povo sedento de eleição.
A Emenda Dante de Oliveira que iria mudar
o processo eleitoral para eleições diretas ainda não foi colocada em pauta, e
os pretensos candidatos principalmente da situação ficavam em difícil situação,
pois, se os mesmos não declarassem desde logo apoio a emenda, e caso a mesma
fosse aprovada, o eleitorado iria desconfiar de candidato que de repente
passasse a ficar ao lado das Eleições Diretas e esta indecisão poderia custar
caro nas urnas. E a situação de embaraço também afetava a oposição, pois, a
partir do momento que um candidato ficasse ao lado da emenda, este candidato
teria que atacar o governo da situação, e o partido que dava apoio ao governo
poderia se sentir atacado e caso a emenda fosse rejeitada este candidato não
teria os votos no Colégio eleitoral. A campanha das Diretas trouxe um fato novo
na política na qual toda a classe política teria que se posicionar e arcar com
o ônus ou o bônus de sua escolha e ficar em cima do muro e neutralidade era a
pior das escolhas, pois, o futuro da Emenda Dante de Oliveira ninguém era capaz
de prever.
AURELIANO CHAVES foi o primeiro a sair de
cima do muro e declarou logo apoio a EMENDA DANTE DE OLIVEIRA o que gerou
descontentamento no seu partido, porém, CHAVES não ficou sozinho e várias
estrelas do partido também declararam apoio a EMENDA DANTE DE OLIVEIRA.
O Ministro JARBAS PASSARINHO (PDS/PA) nos
eventos oficiais quando indagado sobre o seu posicionamento o mesmo procurava
manter uma difícil imparcialidade mais no seu sentir a emenda seria rejeitada e
que o PDS iria trabalhar pela rejeição.
No dia 24.03.1983 em evento de sua pasta
na cidade de Salvador o Ministro Passarinho declarou apoio as ELEIÇÕES DIRETAS.
A declaração mais uma vez materializava a neutralidade do paraense, que queria
continuar como Ministro, e ao mesmo tempo não queria criar atrito com o seu
eleitorado paraense, pois, sabia que os eleitores iriam cobrar nas urnas os
políticos que se posicionassem contrários a eleições diretas.
No Pará a medida que a campanha das diretas
avança e cresce junto a todos os setores da sociedade os ânimos ficam acirrados
e o DEPUTADO ESTADUAL NICIAS RIBEIRO (PMDB) faz requerimento para que os
deputados declarem se são a favor ou não as ELEIÇÕES DIRETAS e a intenção do
aguerrido deputado foi a de constranger os parlamentares do PDS, pois, os
mesmos em seus pronunciamentos faziam jogo duplo para a população sem dizer
expressamente se eram contra ou a favor da aprovação da emenda DANTE DE
OLIVEIRA. O Deputado ELOI SANTOS (PDS) não passou recibo e partiu para o ataque
a NICIAS.
OZIEL CARNEIRO (PDS) foi derrotado por
Jader Barbalho nas eleições para Governador em 1982, e o mesmo passou a
criticar o seu partido por se omitir em relação ao Governo Jader e critica
todos os parlamentares do PDS na Assembleia Legislativa, de que os mesmos tem
uma medíocre atuação no parlamento estadual. ALDEBARO KLAUTAU (PDS), em sua
defesa disse que OZIEL não participava das reuniões partidárias e que não tinha
autoridade para lançar tais críticas e na mesma ocasião KLAUTAU em tom de
derrota afirmou que no quadro atual ser deputado do PDS era muita difícil em
face do cenário nacional, pois, Klautau não aceitava o fechamento de questão do
partido para rejeição da Emenda Dante de Oliveira.
O PDS do Pará procura se distanciar sobre
a proposta de eleições diretas, e já articula o nome para disputar a sucessão
de Jader Barbalho e OZIEL CARNEIRO derrotado no último pleito postula a
indicação, contudo, o mesmo terá que enfrentar o Senador ALOYSIO CHAVES que
entra em rota de colisão com o candidato derrotado, e GERSON PERES (PDS) que
procura apoio ao seu nome, contudo, sem sucesso. As próximas eleições no Pará
seriam em 1986 e o posicionamento dos políticos em relação a Emenda Dante de
Oliveira iria traçar o futuro político de vários atores políticos. E as urnas
paraenses em 1986 encerraram a carreira política de OZIEL CARNEIRO e ALOYSIO
CHAVES que ficaram contra a Emenda das Eleições diretas, e consagrou Hélio
Gueiros nas urnas, que saiu do Senado para ser o novo governador do Pará e com
o apoio de Jader Barbalho. Barbalho e Gueiros sempre estiveram ao lado das
eleições diretas para Presidente e os mesmos colheram os frutos desta tomada de
posição.
O Senador Aloysio Chaves (PDS) é o líder
do governo federal no Senado, e o mesmo defende a eleição indireta, e para não
ficar mal entre os seus eleitores no Pará, argumenta que o povo tem direito de
escolher o seu Presidente, porém, só em 1989, e que a eleição seja dois turnos,
a fim de se obter a maioria absoluta. A ideia do Senador paraense acabou sendo
muito bem utilizado em todos os pleitos eleitorais no que concerne o segundo
turno, pois, com a conquista da maioria absoluta dos votos, a possibilidade de
ações anulatórias de eleições seria mínima.
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