Chega
o dia da votação
E após várias manifestações por todo o
Brasil em favor da aprovação da Emenda
Dante de Oliveira na Câmara dos Deputados o dia 25.04.1984 finalmente chega, e
os ânimos entre a oposição e situação no campo político ficaram acirrados.
O Deputado Paraense, Jorge Arbarge (PDS),
percebeu que o clima nacional tomou uma temerosa polaridade e temia que o
Brasil caminhasse para um perigoso período de agitação, pois, o parlamentar
paraense percebeu que as manifestações públicas foram espontâneas, e a população
afastou o lado ideológico e declarou vontade em escolher o seu Presidente.
Arbage sugeriu que após a votação da Emenda Dante de Oliveira, qualquer que
fosse o resultado oposição e situação deveriam reunir para a escolha do novo
Presidente da República, e deixou claro que nesta reunião, não poderiam
comparecer Ulysses Guimarães e o General Newton Cruz, pois, ambos eram os mais
radicais de todo este processo. E Jorge Arbage foi o primeiro a declarar que o
nome de Tancredo Neves seria um nome de aceitação nacional dentro do atual
cenário político brasileiro.
No Pará as vésperas da grande votação da
Emenda Dante de Oliveira em Brasília, um grave acidente envolvendo o líder do
governo na Assembleia Legislativa, o Deputado Nicias Ribeiro, acabou esvaziando
qualquer debate público sobre a importante votação em Brasília.
Neste acidente faleceram os filhos do
parlamentar paraense, e o mesmo ficou internado em estado grave no Hospital dos
servidores, e a situação crítica do líder do governo fez com que fossem suspensas
as sessões na Assembleia Legislativa, e toda a imprensa e o meio político ficou
mobilizado para a recuperação do querido parlamentar.
Nicias Ribeiro era um líder que tinha o
respeito da oposição, tanto que o Deputado Ronaldo Passarinho, líder do PDS esteve
pessoalmente no Hospital para ter notícias sobre Nicias, e transmitiu ao
Governador Jader Barbalho a mensagem do Ministro Jarbas Passarinho colocando a
disposição de Nicias Ribeiro o Hospital Distrital em Brasília.
No PMDB o pessimismo tomava conta de algumas
estrelas do partido, como Franco Montoro e Tancredo Neves já falavam em
derrota, e Tancredo de forma oportunista já se ofereceu o seu nome para tratar
com o governo federal a sucessão Presidencial, mais cauteloso e para não fechar
as portas do PMDB, deixou claro que só iria falar caso o partido lhe
autorizasse. Percebe-se que Tancredo de forma habilidosa queria ficar bem com
todo mundo, pois, sabia que o seu nome poderia traduzir uma conciliação
nacional que todos almejavam.
O vereador Emanoel Ó de Almeida no Diário
do Pará do dia 24.04.1984 com sua experiência expressou da melhor forma todo o
processo de tramitação da emenda Dante de Oliveira, onde jamais se havia visto
uma manifestação pública com tamanhas dimensões, e de forma espontânea e sem registro
de incidentes. Este relato de Almeida mostra que o Governo Militar permitia as
manifestações pacíficas, ao contrário do que consta no imaginário popular de
que qualquer manifestação pública era logo repelida com violência.
É pertinente registrar que após o golpe
de 64, nunca a oposição e situação haviam travado um debate político tão aberto
quanto a votação da Emenda Dante de Oliveira.
No PDS a executiva nacional queria punir
o Vice Presidente da Republica, Aureliano Chaves que desobedeceu as determinações
partidária e fez campanha pela Diretas já. E Paulo Maluf era quem mais se
empenhava para que esta punição ocorresse, pois, o mesmo tinha interesse que a
Emenda fosse rejeitada já que o seu nome seria levado ao Colégio Eleitoral.
Em Belém ocorreu a última manifestação a
favor da Emenda Dante de Oliveira no dia 24.04.1984, e o evento contou com mais
de 8.000 pessoas, e talvez seja a última oportunidade que várias bandeiras
ideológicas se uniram em torno da mesma causa. Os partidos, os Sindicatos, os políticos
tinham maturidade suficiente para perceber que se colocar a favor ou contra da
Emenda poderia ser decisivo para o futuro político.
Durante todo o curso da manifestação em
Belém, a população gritava palavras de ordem, como “Fora Ditadura”, “Quero escolher
o Presidente”, dentre outras, e os presentes se manifestavam no palanque armado
de forma improvisada no Largo de Nazaré.
O Governador Jader Barbalho viajou para
Brasília para acompanhar a votação pessoalmente, porém, esta importante
ausência não esvaziou o movimento paraense, que contou com a presença do
socialista Romulo Paes, Presidente do DCE da UFPA; Manoel Neves “o gatinho”,
Presidente do Sindicato dos Rodoviários; Izabel Cunha, representando a
Sociedade Paraense dos Direitos Humanos; Roberto Correa falou em nome da CUT; O
Presidente do Sindicato dos Gráficos era o petista, PAULO ROCHA marcou presença
no evento; O MR8 teve a presença de Joseval Baia; João Batista, que hoje tem
seu nome no plenário da Assembleia Legislativa, falou em nome da convergência
socialista; O Partido Revolucionário Comunista, teve como orador Humberto
Cunha; Newton Miranda representou o Pc do B; e o PCB contou com o empresário
Raimundo Jinkins; Ophir Cavalcanti falou em nome da OAB.
Como se observa a passeata em Belém foi a
mais democrática de todos os tempos, onde qualquer partido político poderia
falar e se manifestar sem qualquer tipo de censura, e todos os oradores eram
unânimes em falar o que o povo desejava, ou seja, de que já era hora da
população votar para Presidente da República. E ainda teve as Ilustres
Presenças de Romero Ximenes e Paulo Fonteles, Itair Sá, e representando a
Procuradoria Geral do Estado, Benedito Monteiro.
Em Brasília no dia da votação o Deputado
Federal, Ademir Andrade, acusa o Ministro Ibraim Abi Ackel de ameaçar deputados
para votar contra a Emenda, e o parlamentar paraense corajosamente relata que
Brasília foi tomada pelas forças militares, e Andrade chama a atenção que os
militares deveriam ficar ao lado do povo e da legalidade, pois, o atual governo
era golpista.
No Diário do dia 25.04.1984 o Diário do
Pará, registra a prisão e desaparecimento do jornalista paraense Raimundo José
Pinto, que inclusive era Vice Presidente da FENAJ, e a prisão de Pinto causou
preocupação ao meio jornalístico. O jornalista paraense Raimundo Pinto faleceu
em 2012 e o seu irmão Lúcio Flávio Pinto em depoimento a este Historiador disse
que o seu irmão participou efetivamente do movimento das diretas já e o mesmo
jamais foi preso pelo governo.
O Clima em Brasília e no resto do país
era de jogo de copa do mundo, onde todos queriam saber o resultado, e não
tiravam os olhos da TV nem os ouvidos do rádio. O General Newton Cruz proibiu
que a sessão do Congresso fosse transmitida, portanto, não há registros dos
pronunciamentos dos parlamentares, pois só foi autorizado o sinal após a
votação.
Agostinho Linhares vereador do PDS ficou
em silêncio durante todo o processo da Emenda Dante de Oliveira, e na véspera
da votação da Emenda resolve sair do armário da omissão, e declara apoio a
Emenda Dante de Oliveira, e foi mais além e critica duramente o Presidente João
Figueiredo. Este ato de Linhares jamais foi perdoado pelo partido e o mesmo
nunca mais teve espaço em partidos de direita.
Em Brasília o PDS era sabedor que se
posicionar contra a Emenda Dante de Oliveira seria um suicídio eleitoral, pois,
o povo brasileiro saberia todos os que haviam votado contra a Emenda das
Diretas já e diante da inevitável abertura de eleições diretas no Brasil para
todas as eleições os atuais deputados tinham medo da rejeição popular aos seus
nomes em um sufrágio universal.
O PDS estava em difícil situação
política, pois, ao mesmo tempo temia que algum radical assumisse a Presidência
da República e o governo deste radical fosse utilizado para a “caça as bruxas”
e neste contexto dificilmente o partido iria fechar questão em torno de apoio
as DIRETAS JÁ.
E para piorar a situação interna do PDS o
Presidente João Batista Figueiredo não tinha qualquer simpatia com o candidato
oficial do partido, o Deputado Federal Paulo Maluf (PDS/SP), e o mesmo tinha
apoio da maioria do partido para ser o candidato a Presidente no Colégio
Eleitoral, por isso, Paulo Maluf foi o principal líder contra a Emenda Dante de
Oliveira.
O governo Figueiredo tentou sair do
noticiário negativo e apresentou uma Emenda Constitucional onde garantia
eleições diretas para Presidente, porém, só em 1988. A manobra do governo não
teve um impacto esperado e os movimentos de ruas só aumentavam nas vésperas da
votação.
Os Ministros Militares pediram audiência
com o Presidente da República nas vésperas da votação e alertaram o líder maior
da Nação de que os rumos da votação da Emenda Dante de Oliveira seguiu para
caminhos que saíram do controle do governo, e sugeriam que fosse declarado o
estado de sítio.
O General Newton Cruz chefe do SNI era um
principal defensor da decretação do estado de sítio no dia da votação da emenda
Dante de oliveira, e o mesmo marcou desfiles militares em Brasília para um
público de 500 pessoas. E, além disso, passou a cobrar carteira de identidade
para todos que desembarcavam no aeroporto de Brasília, inclusive o então
Senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB/SP), se recusou a apresentar carteira
de identidade aos militares.
Em uma destas blitz do Exército no
aeroporto de Brasília, Ulysses Guimarães subiu no balcão da empresa aérea e
gritou para todos ouvirem “desculpem povo brasileiro, pois, mais esta vergonha
que vocês estão sendo obrigados a passar”.
No dia 23.04.1985 o Exército conseguiu
impedir que as galerias do Congresso Nacional fossem preenchidas pela
população, e, além disso, as emissoras de TV e rádio foram proibidas de
transmitir ao vivo a sessão de votação da Emenda Dante de Oliveira.
No plenário o clima era de tensão até
mesmo entre os militares, e a boataria corria solto e chegou-se a falar que o
Vice Presidente da República defensor das ELEIÇÕES DIRETAS JÁ havia sido preso
por ordem do Presidente da República, e que o sindicalista LULA havia sido
detido no aeroporto, porém, estas e outras notícias ficaram no campo da
boataria. E no plenário os Deputados contra a Emenda Dante de Oliveira tentavam
mostrar tranquilidade, porém, a atmosfera era de forte valor cívico no Brasil.
O deputado paraense GERSON PERES
(PDS/PA), contrário a Emenda Dante de Oliveira, seguindo a linha do governo
federal que era para tratar a votação com mais uma fez um discurso sobre a
situação da Borracha no Estado do Pará. E ADEMIR ANDRADE (PMDB/PA) ao subir a
tribuna atacou o regime militar e que este regime só trouxe desemprego e crise
econômica e estava com os dias contados. Ademir Andrade no dia seguinte teria
uma forte discussão com o Deputado governista SEBASTIÃO CURIÓ (PDS/PA).
O exército brasileiro cercou o Congresso
Nacional no dia da votação da Emenda Dante de Oliveira e todos os parlamentares
da oposição eram revistados como se fossem bandidos, e graças a interferência
do Senador Paraense Aloisio Chaves o exército foi retirado e os estudantes que
faziam vigília junto ao Congresso foram para suas casas. Porém, mesmo assim
chegavam notícias de que escritórios do Pc do B e de jornais da oposição foram
destruídos por agentes do governo.
Ulysses lamentou a postura de vários
parlamentares que não se posicionavam e ironizou que o Brasil estava nas mãos
dos muritas e vedetes, os primeiros eram os Deputados que ficavam em cima do
muro e os Deputados vedetes eram àqueles que analisavam a opinião pública para
externar sua posição, os já conhecidos oportunistas.
Impossível a História retirar a
importância do nome de Ulysses Guimarães para abertura democrática no Brasil, e
quando o mesmo subiu a tribuna o senhor Diretas estava possuído pela alma do
povo e fez um discurso que arrancou as lágrimas dos mais insensíveis deputados:
Vi o povo nascer das massas, vi
raiar o arco íris da aliança entre os trabalhadores e a democracia...
Vi os desgraçados, os
despossuídos e desempregados convencerem-se de que não há direito sem bem estar
e sem cidadania...
Vi a força da mulher
brasileira...
Vi os estudantes, um milhão e
quinhentos mil...
Vi os artistas nas igrejas, os
jornalistas, os escritores, os professores deixarem os palcos, as novelas os
púlpitos os prelos e as cátedras pelos palanques do povo.
Vi o amarelo vestir de
esperança o Brasil...
Vi a História brotar nas ruas e
na garganta do povo...
É o povo não a horda, brada
pela vida, não por vingança...
O país é o território, a nação
é a história e a civilização, o povo é a pátria...
Não há pátria sem verdade, a
justiça e a liberdade.
A pátria é o povo e o povo
vencerá.
Ulysses foi derrotado na votação e vencedor
na alma do povo brasileiro, e durante toda a campanha das Diretas Já, só
Ulysses conseguia unir os divergentes, fazer subir no mesmo palanque inimigo
histórico, pois, Ulysses conseguiu mostrar a importância cívica da volta das
Diretas Já, e que naquele momento divergências ideológicas e partidárias
deveriam ficar pra depois. E o reconhecimento da nação brasileira ao empenho de
Ulysses Guimarães ganhou o nome do plenário da Câmara dos Deputados que
imortalizou o nome ULYSSES GUIMARÃES.
Ulysses entrou em fúria ao perceber que
Tancredo Neves contava com a rejeição da Emenda Dante de Oliveira e descobriu
que Tancredo já negociava o day after da rejeição da emenda.
Ulisses enfurecido disse que com o governo o único acordo seria as eleições
diretas já, pois, o povo estava embriagado de civismo e isso que esse povo
queria.
A rede globo tentava obter autorização
para transmitir a sessão do congresso nacional no dia da votação da emenda
Dante de Oliveira e o seu proprietário José Roberto Marinho foi pessoalmente a
Brasília tentar a liberação. A rede globo sempre deu sustentação ao regime
militar e não havia nada cívico em sua atitude, pois, em verdade a rede globo
queria continuar influenciando o governo e continuar recebendo os benefícios
que qualquer governo pode oferecer a quem o apoia. E Aureliano Chaves era o
candidato preferido da rede globo e a intenção em transmitir a sessão do
congresso nacional era desmoralizar o favorito para ser Presidente, o deputado
federal Paulo Maluf. Contudo, Roberto Marinho não conseguiu liberação e o
Ministro Ibraim Abi-Ackel manteve a censura e a proibição de funcionamento de
qualquer órgão de imprensa nos dias da votação da Emenda Dante de Oliveira.
A TV GAZETA tentou driblar a censura e
fez uma entrevista com Orestes Quércia, vice Governador do Estado de São Paulo,
e o governo soube desta entrevista e cortou a concessão da Gazeta do Povo.
As empresas de TV tinham os seus
anunciantes e os empregados para pagar salário e temiam que fosse cortada a
autorização para o seu funcionamento e por isso, as empresas acabaram cumprindo
a determinação de censura no dia da votação da Emenda das Diretas.
O Chefe de Redação da rede globo,
favorável as DIRETAS, Armando Nogueira, irritado com a determinação do governo
federal em censurar as notícias de Brasília no dia da votação da Emenda mandou
circular a todas as redações do globo um expediente que se tornou público, no
dia 25.04.1985 o brasileiro não saberá o que se passa em Brasília, e ninguém em
Brasília saberá o que se passa no Brasil.
A censura é aberta e os instrumentos para
proibi-la eram poucos e sobravam os discursos na tribuna, e as empresas da
imprensa não poderiam perder suas concessões por isso, aceitavam passivamente a
fiscalização e a censura por parte do governo federal.
O DENTEL (Departamento de
Telecomunicações) era o órgão responsável para fiscalizar o cumprimento das
determinações de censura, e os âncoras, jornalistas, e apresentadores teriam que utilizar a criatividade para repassar o que
ocorria em Brasília e neste particular destacou-se alguns. Jô Soares tinha um
quadro no jornal da Globo e o mesmo pedia um minuto de silêncio para os
telespectadores, e a câmara ficava mostrando Jô Soares sem fazer nada e quando
o minuto terminava o Jô voltava e dizia “boa noite, um dia de luto e de luta”.
O
apresentador do último jornal da Globo Eliakin Araújo e de grande audiência
começava uma noticia da seguinte forma “a imprensa vem sendo censurada e não
pode trabalhar em votação no Congresso Nacional, no Chile”. Outro importante
âncora, o Joelmir Betting, terminava o jornal da BANDEIRANTES com a impactante
frase “BOA NOITE JÁ!!!!”.
Em Brasília a pedido do general Newton
Cruz foi decretado estado de emergência e carros eram detidos, e qualquer
buzinaço e os proprietários eram conduzidos para Delegacia e por mais que o
General Cruz se empenhasse era impossível retirar da população a alegria em
poder voltar a votar para Presidente.
José Sarney ainda apoiando o movimento
contra as diretas resolveu criticar Ulysses Guimarães e disparou que o Deputado
do PMDB tinha muitas palmas mais não tinha votos. Outro parlamentar que foi com
a missão em desqualificar o Senhor Diretas foi aguerrido Amaral Neto do PDS/RJ,
este atacou Ulysses que quando era Presidente da Câmara dos Deputados também
tomou medidas de emergência e não pode agora atacar a medida de emergência
decretada pelo Governo Federal. Ulysses não assinou recibo e partiu para cima
do Deputado carioca e disse que jamais deu ordem para prender as pessoas que
tivessem se manifestando e sim para garantir o funcionamento da casa
legislativa.
José Sarney em 1998 declarou que apoiou a
medida de emergência, porém, foi contra a decretação de estado de sítio.
O clima no país era de jogo de copa do
mundo e várias manifestações públicas foram registradas em várias cidades do
Brasil. No Pará correu o boato de o General Newton Cruz mandou aplicar o
decreto de emergência no Pará e que a ordem era para prender. Este boato ganhou
força pois, o General Cruz já havia trabalhado no Pará e foi o Comandante da 8ª
Região Militar. O Governador Jader barbalho convocou a população e as
manifestações ocorreram pacificamente e sem prisão alguma.
No Congresso Nacional o controle era
rigoroso na Portaria, porém, diante da multidão que se aproximava para
acompanhar a votação acabou que a entrada teve que ser liberada para todos e as
galerias ficaram lotadas. Como a imprensa estava proibida de trabalhar a única
forma de se comunicar era os telefones, porém, a Companhia telefônica de
Brasília, bloqueou todos os telefones do gabinete e o Brasil ficou sem notícias
do parlamento.
A intenção do governo era tratar esta
votação como uma votação corriqueira sem badalação, porém, quanto mais o
governo se esforçava em tratar a votação de emenda Dante de Oliveira, mais a
população brasileira queria saber sobre a votação e quem eram os favoráveis e
desfavoráveis a emenda Dante de Oliveira.
A sessão foi aberta às 09h, e o líder do
Governo no Senado, o paraense Aloisio Chaves vai à tribuna e comunica que o
Presidente da República atendeu ao pedido do paraense de que todas as pessoas
que foram detidas já haviam sido soltas.
Os discursos na tribuna prosseguiram e só
denúncias do abuso do governo e da censura a imprensa. Jorge Arbage, Deputado
Federal (PDS/PA), confirmou o que disse Aloisio Chaves e de que todos os
manifestantes estavam soltos.
Sebastião Curió, Deputado Federal do PDS
paraense resolveu ocupar a tribuna para falar da grande democracia que os
militares proporcionaram ao Brasil. Ademir Andrade contra atacou dizendo que
Curió vivia em outro planeta e estava distante da realidade do povo brasileiro,
e o povo brasileiro queria votar para Presidente e o PDS trabalhava contra o
povo brasileiro.
Curió acusou o Deputado Ademir Andrade de
ser grileiro de terras e Ademir respondeu que Curió se elegeu roubando dinheiro
dos garimpeiros paraense. E começou a agressão entre os parlamentares
paraenses.
Atualmente o Ademir Andrade não está
exercendo nenhum mandato político e em depoimento colaborativo a este trabalho
confirmou o que narrou Dante De Oliveira em seu livro e declarou que teve
várias discussões com o Deputado Curió, discussões verbais fortes e acaloradas,
porém, jamais os dois partiram para as vias de fato.
O discurso de Dante de Oliveira o autor
da emenda foi para história e merece a transcrição de alguns trechos:
Senhor Presidente quero afirmar
que a emenda constitucional número 5, que levou o meu nome, não me pertence,
nem ao PMDB, nem aos partidos de oposição. Ela pertence a toda a nação e ao
povo brasileiro, porque, traduz o sentimento, a angústia e principalmente a
esperança de melhores dias para 130 milhões de brasileiros.
Está em nossas mãos o futuro do
Brasil-vida do Brasil-amor, do Brasil-democracia, do Brasil-soberano.
Hoje é o dia da vitória da
pátria.
Felicidades a todos os congressistas.
O discurso de Dante era otimistas,
conciliador e tentava convencer alguns indecisos do PDS, Dante sabia que não
tinha a maioria, porém, não podia jogar a toalha naquele momento e acreditou
até o último momento. O mesmo ficou triste com a rejeição da emenda, mais o seu
nome entrou para a História.
E a Emenda Dante de Oliveira foi
rejeitada e o clima de tristeza tomou conta do país, e as lágrimas da população
teve a participação decisiva dos seguintes Deputados: Sebastião Curió, Manoel
Ribeiro, Osvaldo Melo, Jorge Arbage votaram contra a Emenda, e colaboram com a
omissão, os Deputados Gerson Peres e Antônio Amaral. E a favor da Emenda,
votaram os Deputados: Ademir Andrade, Dionísio Hage, Brabo, Domingos Juvenil,
Coutinho Jorge, Ronaldo Campos, Vicente Queiroz e Carlos Vinagre.
No cenário Nacional votou contra a Emenda
Paulo Maluf, e votou a favor, Fernando Collor, Sarney Filho este arrumou uma
briga familiar que foi levada ao campo público, pois, seu pai José Sarney além
de votar contra a Emenda ameaçou, por ser vice-presidente do PDS ameaçou punir
os filiados que votassem a favor da emenda das Diretas. Jamais Sarney Filho ou
qualquer outro parlamentar foi punido por apoiar a Emenda Dante de Oliveira, o
que ocorreu foi o desembarque de vários políticos da legenda, que ficou
desgastada após a votação da emenda Dante de Oliveira.
O Deputado índio, o Juruna que era do PDS
votou a favor da Emenda das Diretas.
Deputado Jorge Arbage (PDS/PA) além de
votar contra subiu a tribuna para que todos votassem contra a emenda Dante de
Oliveira.
A oposição ainda conseguiu travar a
votação, porém, o Senador Paraense conhecia o Regimento Interno e com
habilidade política conseguiu rejeitar a questão de ordem e a votação
prosseguiu normalmente.
298 Deputados votaram pelo “sim”, porém,
para que a Emenda Dante de Oliveira fosse aceita era necessário mais 22 votos,
pois, a votação exigia votação qualificada. As ausências contribuíram para a
rejeição da emenda, o Deputado Federal Gerson Peres do Pará contribui com a
rejeição da Emenda com a sua ausência no plenário.
No Pará podemos registrar a decadência
política de alguns políticos que votaram contra a Emenda Dante de Oliveira.
Sebastião Curió não conseguiu se reeleger
e só conseguiu vencer eleição para Prefeitura de Curionópolis.
Manoel Ribeiro só se elegeu porque, mudou
de partido e foi para o PMDB e sempre se elegeu a reboque de Jader Barbalho,
que o fez Vice Governador do Estado na chapa com Hélio Gueiros nas primeiras
eleições pós-Diretas.
Jorge Arbage tentou se eleger ao Senado
no Pará e não conseguiu e nunca mais conseguiu se eleger para nenhum cargo
eletivo.
Gerson Peres fugiu a regra e renovou
várias vezes o seu mandato de Deputado Federal e quando resolver sair candidato
ao Senador perdeu e nunca mais se elegeu.
Antônio Amaral que faltou a votação da
Emenda Dante de Oliveira desapareceu da política paraense.
Osvaldo Melo se elegeu uma única vez após
a votação da Emenda Dante de Oliveira e depois jamais conseguiu voltar ao
Parlamento. E o seu apoio a Fernando Collor acabou sepultando qualquer
pretensão do parlamentar paraense.
Aloisio Chaves não chegou a votar contra
ou a favor da emenda Dante de Oliveira, pois, os Senadores não chegaram a votar
já que a Emenda foi travada na Câmara, porém, como líder do governo escalado para
liderar o bloco contra a Emenda das Diretas ficou a imagem desgastada e nunca
mais se elegeu a nenhum cargo político.
A oposição atacou o PDS e disse que o
povo não esqueceria o PDS, e àquela profecia se confirmou o PDS tinha 235
Deputados no dia da votação da Emenda Dante de Oliveira e na semana seguinte a
votação caiu para 158 Deputados, e em 1986 o PDS já tinha só 95 deputados e em
1987 o PDS só tinha 33 Deputados em seus quadros, e a decadência final foi em
1990 quando o partido foi extinto com 29 Deputados e fundou uma nova sigla o
PPB.
O Presidente do Congresso Nacional Moacyr
Dalla do PDS/ES proibiu que o povo jogasse flores por ocasião da rejeição da
Emenda Dante de Oliveira, porém, não pôde evitar o estrondoso coro no plenário
“O
povo não esquece acabou o PDS”.
Ulysses Guimarães era um eterno otimista
e quando Christiane Torloni em lágrimas abraçou Ulysses, Ulysses imortalizou a
frase “A luta continua. Vamos ganhar no terreno deles”. Mais uma vez Ulysses
acertou e PAULO MALUF foi derrotado no Colégio Eleitoral, e o PDS foi extinto.
Os políticos paraenses que votaram a
favor da Emenda Dante de Oliveira tiveram muito sucesso político e o
reconhecimento da população veio nas urnas.
O maior vencedor foi o Governador Jader
Barbalho que com o seu apoio explícito a emenda Dante de Oliveira teve o
reconhecimento da população paraense que conferiu ao Barbalho vários mandatos
de senador, Deputado, Governador.
Vicente Queiroz largou a política e
tornou-se Conselheiro de Tribunal de Contas do Estado e abandonou a política.
Coutinho Jorge tornou-se Prefeito de
Belém, Foi Senador da República, virou ministro do Meio Ambiente e terminou sua
carreira em uma cadeira na Corte de Contas do Estado.
Carlos Vinagre virou Presidente do PMDB e
abandonou a política.
Domingos Juvenil virou Senador e Deputado
Constituinte, depois, foi eleito Deputado Estadual onde foi Presidente da
Assembleia Legislativa, e até hoje consegue se eleger para qualquer cargo e
atualmente é o Prefeito de Altamira já está no terceiro Mandato.
Ronaldo Campos se elegeu Prefeito de
Santarém e Deputado Estadual.
Brabo de Oliveira acabou se reelegendo
Deputado, porém, por motivos de saúde largou a política.
ZENALDO
COUTINHO era vereado do PDS e nunca se manifestou a favor ou contra a Emenda
Dante de Oliveira e a sua omissão jamais prejudicou sua carreira política no
Pará. Zenaldo saltou para o PMDB e tornou-se Deputado Estadual e depois migrou
para o PSDB onde tornou-se Presidente da Assembleia Legislativa, depois
conseguiu eleger Deputado Federal pelo mesmo partido e liderou a campanha
contra a divisão do Pará e nesta campanha Zenaldo obteve positiva visibilidade
o que permitiu sua eleição para Prefeito de Belém.
Ronaldo
Passarinho Deputado Estadual do PDS/PARÁ em entrevista para este Historiador em
formação declarou que sempre foi a favor da Emenda Dante de Oliveira em que
pese não haver um único registro neste sentido. Passarinho chegou a ser
Presidente da Assembleia Legislativa e conduziu o parlamento estadual com
seriedade e ganhou prestígio junto ao povo paraense quando descobriu em sua
gestão da Alepa a farra dos diplomas falsos onde servidores obtiveram vantagens
salariais utilizando diplomas falsos em que pese as ameaças contra a vida de
Ronaldo Passarinho o mesmo demitiu e puniu os servidores envolvidos mesmo com a
pressão dos partidos no sentido contrário.
Ronaldo Passarinho conseguiu uma vaga na
Corte de Contas do Município e encerrou sua carreira política.
Edson Matoso era vereado do PDS/PA e como
Zenaldo ficou omisso em relação a Emenda Dante de Oliveira e sua omissão não
prejudicou sua eleição para Deputado Estadual a sua ligação com o esporte
também lhe trazia prestígio aos apaixonados pelo futebol paraense.
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