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sábado, 16 de fevereiro de 2019

HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA


1-O BRASIL COLONIAL.
No período colonial e a subordinação  política e econômica a Coroa Portuguesa desde o Século XVI  nos remete a uma dependência sócio cultural a Portugal.
A importância dos índios e dos escravos na construção de nossa população é inquestionável  e amplamente explorado nos debates públicos e acadêmicos. E talvez não exista um país com a pluralidade de misturas de raças como a brasileira. Porém, não pode dizer que os Índios e escravos são o ínicio da vida cultural e intelectual do Brasil.
Repita-se para que não fique dúvidas que este trabalho não pretende colocar em questionamento o precioso legado deixado pelos silvícolas e negros no que concerne os costumes, tradições, relações de grupo, trato com a natureza, e nas relações de trabalho, porém, na seara intelectual a Historiografia brasileira terá que se socorrer no legado de Portugal.

1-BRASIL COMO NAÇÃO
O Brasil teve a sua primeira experiência como Nação com a chegada da família real ao Brasil, onde todas as decisões políticas do país chamado Portugal passaram a ser tomadas do Brasil para o mundo (1808).
Junto com a coroa Portuguesa o bônus da mudança terrena da sede do governo veio junto. E o melhoramento das estruturas do Brasil são iniciadas e o Brasil passa a ser uma Nação com condições em produzir sua própria riqueza tanto no campo cultural como no econômico.
O Professor, Historiados e Filósofo Rafael Nogueira em seu curso no Brasil Paralelo[1] faz uma dura crítica à Historiografia Brasileira da qual compartilho de que José Bonifácio de Andrada é o Fundador do Brasil e a vasta Historiografia brasileira se limita a referir-se a  José Bonifácio como o “Patriarca da Independência”. E as escolas brasileiras seguem na mesma linha omissiva e não tratam um grande herói nacional com a dignidade e reconhecimento devido. Os Andradas são muito mais que “Patriarca”.
Este trabalho é uma gota de esperança para que Bonifácio de Andrada passe a ter o reconhecimento da Historiografia Brasileira que possui um vasto oceano a ser explorado.

O PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA
Não existe livros de José Bonifácio e ele é citado vagamente no ensino médio. O que justifica a falta de referência do brasileiro com os seus fundadores.
Nos Estados Unidos independentemente de ideologias ou opção partidária democrata ou republicana qualquer cidadão americano conhece os seus fundadores e servem de inspiração cívica, patriótica o formação moral, bem como, no campo intelectual são os que chamam “The Founding Fathers” ou seja, os Pais fundadores dos Estados Unidos, são eles: George Washington, Thomas Jefferson, John Adams, Benjamin Franklin, James Madison, John Jay, Alexander Hamilton.
Nenhum cidadão ousa falar mal de seus fundadores eles são fontes de inspiração a todo americano e existe uma gratidão cívica e histórica a eles. E não é a toa que a nação américa salvou o mundo em duas guerras e é a maior potência do mundo , possui as melhores universidades do Planeta e o país que mais valoriza o Historiador.
O sentimento antiamericano é forte na américa latina e devíamos não amá-los e não tornarem santos, Aliás não cabe Historiador transformar ninguém em mito, santo, ou herói.
Voltando ao José Bonifácio que é o que interessa para este trabalho o mesmo era especialista em mineração e até hoje os Geólogos brasileiros estudam os materiais catalogados por Bonifácio.
Bonifácio falava 16 línguas e de forma fluente em 6 delas e recusou um emprego de Ministro das Minas e Energia na Noruega, pois, o sábio escolheu o Brasil para ficar.
Bonifácio redigiu a Carta do “dia do fico” e foi quem defendeu no Parlamento brasileiro pela primeira vez o fim da escravidão utilizando o então inédito argumento de que a manutenção da escravidão violava a dignidade humana.
José Bonifácio ainda foi quem primeiro se interessou em criar uma ALTA CULTURA NACIONAL no Brasil para que as futuras gerações tivessem uma base intelectual em seus estudos.
E o “patriarca da independência” não ficou por aí e ainda arrumou tempo para lutar em uma guerra de Portugal contra a Holanda mesmo sabendo dos riscos de vida. Este fato histórico esvaziou as acusações vazias de que intelectual só pensava em estudar e eram pessoas fracas fisicamente e sem condições de enfrentar um campo de batalha.
A vasta história de Bonifácio ainda não acabou e é pertinente o registro de que o mesmo formou-se em Direito e Filosofia e no fim do século XIX quem chegasse nesta graduação era nominado de “sábio”. E o seu sucesso acadêmico chegou ao conhecimento mundial e por isso José Bonifácio recebia convites de emprego em todos os cantos do planeta.
Os registros ao norte são pertinentes, em face da omissão danosa da Historiografia Brasileira  em relação a José Bonifácio. As Escolas e as universidades são vazios de obras e aulas sobre o José Bonifácio. O Homem responsável pela fundação do Brasil. Ou seja, só estamos aqui hoje graças a esse Homem. E há tempo para mudar.
José Bonifácio e a Maçonaria foram os responsáveis diretos pela Independência do Brasil e o brasileiro pouco ou nada sabem sobre a importância dos Andradas neste relevante fato Histórico. No imaginário popular fica e aceito pela sociedade é das teorias da conspiração da maçonaria.
Com a proclamação da republica e o golpe republicados contra a “malvada” Monarquia, o Brasil definitivamente não queria qualquer lembrança ou referência com o Brasil Colônia e muito menos o Brasil Monárquico e optou em expulsar os Andradas do brasil.
O problema que todo o vasto conhecimento e cultura de José Bonifácio também foram expulsos do país, e ficamos sem uma base cultural. E a Historiografia poderia salvar  este rico passado dos Andrada.
Contudo, nem tudo é mar de descaso literário, pois, o IHGB-INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO é uma excelente fonte para pesquisa  do passado histórico brasileiro. Cabe ao Historiador e o Professor tornar o José Bonifácio alguém íntimo dos brasileiros, alguém para nos orgulharmos a fim de que o cidadão comum tenha uma referência moral e intelectual e desejado por vários países.
O IHGB possui um vasto campo de pesquisa para qualquer Historiador dos mais variados assuntos de relevância ou não e pode servir de base de dados e utilização para que a Historiografia brasileira seja revisada e aditada. Particularmente sou cético para revisionismos oportunistas. Contudo nada impede que seja acrescentado por exemplo nos currículos escolares e universitários assuntos dirigidos aos Fundadores do Brasil.
BIBLIOTECA VIRTUAL E VARNHAGEN
No Senado Federal existe uma biblioteca virtual de acesso gratuito e está disponível na área de “documentação do Pensamento brasileiro”[2] e lá tive acesso ao livro História Geral do Brasil de Francisco Adolfo Varnhagen. Obra totalmente abandonada e esquecida nos currículos da educação Brasileira.
Varnhagen (1816/1878) era filho de Alemão nascido no Brasil e com 5 anos foi para Portugal e mesmo tendo ido para Portugal muito cedo nunca deixou de amar o Brasil.
Varnhagen estudou e se formou em Lisboa e tinha uma adoração pelo Brasil, talvez maior do que muito brasileiro nato. Varnhagen não tinha obrigação mais lutou ao lado de Dom Pedro com 18 anos na guerra contra Dom Miguel nesta oportunidade Varnhagen escolheu o seu lado que era o lado brasileiro.
Varnahagen produziu em 1835 a 1838 o primeiro documento relativo ao início da Colonização brasileira o que podemos dizer que foi dado início a Historiografia brasileira. Ele foi um dos primeiros a ingressar no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838), assumindo a Diretoria e obtendo em definitivo a nacionalidade brasileira e em seguida tornou-se Diplomata.
Na qualidade de Diplomata serviu em Lisboa e na Espanha e foi quem primeiro se interessou em começar a criar uma Historiografia brasileira.
As cartas, as anotações e os registros de Varnhagen serviram para que Martin Afonso de de Sousa fosse ao litoral brasileiro a fim de que o projeto de colonização a partir das Capitanias hereditárias fosse colocado em prática.
Varnhagen fez importante revisão no Tratado de Tordesilhas e foi quem fez os registros oficiais da Chegada de Cabral ao Brasil com riqueza em detalhes jamais visto na Universidade ou em qualquer escola do Brasil. Mais um fundador do país esquecido por todos os cidadãos e nós Historiadores somos co-autores deste crime cultural.
Varnhagen em sua estrada intelectual foi quem primeiro confrontou as fontes orais com as documentais onde a primeira deveria ser analisada com ressalvas em virtude da fé pública das fontes documentais. E neste confronto de fontes foi que Varnhagen definiu que a Historiografia brasileira deveria ser a partir do descobrimento e não com a chegada da família real no Brasil (1808), pois, segundo ele os documentos deste período eram escassos para um fiel registro.
A Historiografia brasileira e o IHGB deveriam partir de valores originários e não os secundários que surgiam no decurso do tempo ensinava Varnhagen. Esta necessidade do “novo” querer substituir o que já havia sido escrito era uma eterna insatisfação de Varnhagen.

PEDRO ÁLVARES CABRAL
Outro exemplo da omissão da Historiografia brasileira no período do Império é em relação a Pedro Álvares Cabral. Em que pese a divergência da Historiografia  se o descobrimento se de forma casual ou intencional o que nos interessa para este trabalho é registrar o heroísmo de Cabral.
As cinzas de Cabral esquecidas no Rio de Janeiro sem receber a visita de um único brasileiro revela o descaso de uma população com um herói nacional. E este abandono também é reforçado pela Historiografia Brasileira, pelos Historiadores e Professores de História que escolheram só registrar o fato de Cabral ter descoberto o Brasil e só. Cabral é muito mais que isso.
O Oceano Atlântico é o seu incontroverso gigantismo foi cemitério de milhões de Portugueses que escolheram sair de Portugal rumo ao desconhecido território chamado Brasil. E atravessar este vasto oceano era ato de heroísmo, pois, quando o navio conseguia chegar em seu destino 20% da tripulação morria durante a viagem e como não havia freezer para guardar os corpos os mesmos eram jogados aos tubarões. Eram verdadeiros heróis anônimos que morreram acreditando no Brasil.
Cabral não tinha um Camões em sua tripulação para os registros heroicos, melhor sorte coube a Vasco da Gama que com bons registros de suas viagens o tornaram um grande herói nacional inclusive levando o nome é um popular time de futebol no Rio de Janeiro.
Cabral é mais um herói, descobridor e fundador de nosso Brasil esquecido pela Historiografia brasileira e que não teve a sua vida pesquisada e divulgada no mundo acadêmico e escolar.

CAPISTRANO DE ABREU.
Capistrano foi um dos iniciadores da Historiografia brasileira sem tirar os méritos de Varnhagen acima mencionado. Ele defendia a causalidade no descobrimento do Brasil. E contrário a tudo o que já havia sido escrito morreu defendendo que quem primeiro chegou ao Brasil foram os Espanhóis.
Capistrano não buscava aplauso fácil e nem tinha viés de ser seguidor de manada e era um ótimo argumentador e conversava com as fontes. E foi quem criou os primeiros métodos historiográficos.
Capistrano de Abreu não era um aventureiro e nem buscava bajular os governos de ocasião e suas convicções em relação ao descobrimento do Brasil foram colocadas em sua tese para ingresso na Escola Pedro II e foi aprovado e não por estar correto e sim pelos argumentos confrontados com os documentos.

A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA
Caio Padro júnior em relação ao período colonial pontua a existência de uma elite dentro do território brasileiro muito bem organizada e constituída.
E nesta linha de pensamento o Caio defende que não haveria uma elite no Brasil se não houvesse uma riqueza. Concluindo que nem tudo que era produzido ou gerado no Brasil no período colonial era enviado para Portugal como é exaustivamente colocado nos ensino fundamental e médio nas escolas brasileiras.
Dessa forma a narrativa fácil de que o Brasil só foi explorado de forma predatória por Portugal cai por terra.
Gilberto Freyre vai no caminho oposto ao Caio Prado e argumenta que o Brasil era um “laboratório” para outros países e que qualquer riqueza do Brasil era enviado a Europa.
Freyre não está de todo errado, pois, foram os europeus que trouxeram sua experiência e ensinaram o brasileiro técnicas avançadas de plantação, como fazer uma colheita de qualidade e produzir em grande escala. E sem esta troca de tecnologia jamais o brasil teria liderado o mercado internacional de açúcar, do café, da Borracha e outros.
Contudo em sua clássica obra[3] Gilberto Freyre demonstra a rica e única mistura de raças no Brasil.

JESUÍTAS
Não se pode negar a presença da Igreja na formação da sociedade brasileira. E isso não significa que todos os brasileiros eram católicos.
Os constitucionalistas de 1824 nenhum era católico, porém, não poderiam desconsiderar que o Brasil tinha uma Igreja forte e as sua população era de maioria cristã. E na Carta Magna foi assegurado a Supremacia Cristã.
Os Jesuítas deveriam ser também tratados como heróis pela Historiografia Brasileira e por um rancor religioso injustificável escolheu explorar tudo o que não presta dos jesuítas a partir de Marquês de Pombal, inimigo declarado dos Jesuítas.
É pertinente dizer que Pombal expulsou os Jesuítas do Brasil mais não expulsou a Igreja, o problema de Pombal era com o poder dos jesuítas sobre os índios, negros e outros e a sua forte influência. Os Jesuítas eram quase um Estado dentro do próprio Estado e o Marquês de Pombal e sua saga não tinha qualquer interesse em dividir o Poder com os Jesuítas.
Este trabalho não tem qualquer intenção em transformar os Jesuítas em Santo esta missão santificadora deixo para o Vaticano como Historiador quero deixar as minhas impressões sobre a presença dos Jesuítas no Brasil.
É pertinente incluir os Jesuítas como atores importantes para a formação da sociedade brasileira.
Os Jesuítas vieram ao Brasil de forma voluntária e com a missão religiosa, porém, suas ações ultrapassaram o campo religioso, digno de registro.
No início os Jesuítas receberam ajuda do Padroado que davam estrutura de moradia, e aos poucos os Jesuítas foram conquistando a sua independência e não deviam subordinação nem ao Papa e esta autonomia não era bem vista pelos Reis de Portugal, porém, os Reis portugueses sabiam que o processo de catequização dos índios era um processo difícil e de muita importância para a expansão da colonização.
Os Jesuítas tinham cultura elevada e viviam em conflitos com outros grupos dentro da Colônia.
Com os índios os Jesuítas aprenderam a construir suas moradias e sempre estavam abertos para qualquer aquisição de conhecimento.
A conversão dos índios era no sentido religioso mais também na ordem dos afetos. Por isso, é errado dizer que o índio não se apoixava e não nutria valores sentimentais com os seus semelhantes. Amava sim, tanto que há registros de casamento de europeus com os índios.
Os índios não escravizavam outros índios e a tradição e costumes da antropofagia teve que ser enfrentada com coragem e em tempo real e durante a cerimônia.
Padre Manoel da Nóbrega registra que em uma cerimônia antropofágica recebeu ameaças de que seria morto e ele aos poucos foi convencendo e a prática daquela “cultura” inaceitável para os padrões morais portugueses.
Falar de índio nos tempos atuais é difícil em face da paixão que o tema envolve e a narrativa dominante é a de sempre vitimizar os índios. Porém, o que é importante é apelar para bom senso e razoabilidade. E na relação dos índios com os jesuítas é difícil acreditar que os Jesuítas escravizaram os índios. E digo o porquê.
Como 5.000 (cinco mil) índios iriam aceitar passivamente serem escravos de um Padre velho e sem armas. Impossível!!!!! Os índios estavam com os jesuítas por vontade própria e queriam ser catequizados. E os jesuítas em sua missão de catequese não usavam da violência e sim a pregação oral.
Há uma dificuldade da Historiografia brasileira em aceitar que os índios tinham vontade própria e não eram seres bobocas e desprovidos de autonomia. A narrativa dominante em qualquer área da História é a de que os índios foram impiedosamente massacrados pelos Jesuítas. Não irei seguir a manada neste tocante.
Pelas estradas o processo de colonização teve um grande avanço e graças aos jesuítas que lideravam este processo e expandiam a catequização por estas estradas.
Os Jesuítas por serem independentes tiveram agressivos atritos com os Bandeirantes. E com a chegada de Marquês de Pombal os mesmos foram expulsos do Brasil e os seus méritos e seu valioso legado foram esquecidos pela Historiografia. Até existem obras dos jesuítas, mais não são divulgadas com a dignidade e a quantidade que merecem.
As Escolas Jesuítas são uma realidade no Brasil inteiro e até hoje fazem sucesso e a sua qualidade é do conhecimento público da nação. E no período colonial os jesuítas educaram muita gente até hoje.
Se não houvessem os jesuítas dificilmente Portugal teria colonizado o Brasil, pois, não havia estrutura para enfrentar os milhões de índios que estavam no Brasil com a chegada de Cabral. Não podemos esquecer que os índios não eram uma categoria com pensamento uniforme e sim viviam em guerras com outras tribos e se os índios desejassem teriam enfrentados os Portugueses com experiência em batalhas. E os jesuítas em sua missão evangelizadora conseguiram acalmar e unir os índios na causa portuguesa.
É importante lembrar que os Franceses e Holandeses só foram expulsos do Brasil, pois, houve a colaboração e a união das tropas portuguesas com os índios. Estes escolheram ficar ao lado de Portugal sem qualquer imposição.
O que tento e insisto é que existem obras sobres os atores e heróis mencionados no curso deste trabalho ( Cabral, Jesuítas, José Bonifácio, etc) o que falta é o Historiador transformar essas pessoas familiares dos brasileiros e o caminho mais curto é a sala de aula desde o ensino fundamental até a formatura.
A dialética da Historiografia brasileira é importante para o debate acadêmico, pois, o debate e não deve servir de pretexto para uma acomodação intelectual e sim para serem resolvidos os problemas e divergências para uma melhor compressão do presente e para o futuro.

NEGROS
Os negros são importantes agentes de formação da sociedade brasileira. E na modernidade falar de negros e escravidão em um tema que envolve tamanha paixão não é difícil um Historiador ser rotulado de racista caso não siga a gritaria universal imposta pela historiografia dominante que optou em vitimizar os negros e desprezaram a ação efetiva dos negros na construção da sociedade brasileira.
Vejamos:
Africano escraviza Africano, pois, os inimigos eram capturados para utilização de mão de obra, portanto, na África a escravidão não tinha o viés econômico.
Em cada região da África havia uma especialidade de escravidão. Como muito bem explica Alberto da Costa e Silva[4]. A Historiografia brasileira escolheu o caminho da busca de algozes pela escravidão. Portugal teve sua responsabilidade na escravidão, mais em todo o processo todos tiveram suas responsabilidades, inclusive os próprios negros africanos.
Nem todos os navios negreiros tinham condições sub humanas, alguns navios negreiros os escravos comiam 3 vezes ao dia durante toda a viagem, com direito a alongamento e acompanhamento de um padre. Lógico que não quero transformar um navio negreiro em um Cruzeiro para o caribe, porém, longe do que é passado de geração em geração nas escolas brasileiras.
Os escravos no Brasil viviam melhores que os pobres. Lógico que não tinham liberdade, mais de que adiantava ter liberdade, andar de Sandálias e não ter o que comer.
Os negros no Brasil não eram uma categoria unida contra a minoria branca. Há registros de negros africanos rivais de outros negros brasileiros e viviam em eternos conflitos. E outras rivalidades existiam entre os negros como a religiosa.
Alberto da Costa ainda nos conta que a alforria era um direito do escravo comprar a sua liberdade, contudo, tal direito só poderia ser reivindicado se o senhor concedesse a alforria. E sem a concessão o escravo continuava escravo e usava o seu dinheiro na compra de um escravo. Era uma espécie de investimento, pois, os escravos não tinham acesso a instituições bancárias.
Cabe a indagação: Em qual livro didático das escolas brasileiras é contado esta versão da escravidão? Em qual aula das Universidades Federais do país é contado como era o processo de alforria?
Não pretendo dourar a perversidade do período da escravidão e isto já é exaustivamente contado pela historiografia brasileira. Agora, não vou me permitir ficar na linha de vitimização dos negros no período colonial agindo assim é ser desonesto intelectualmente com o público e injusto com os próprios negros.
Os negros tiveram relevante importância na formação cultural da sociedade brasileira, está aí o Machado de Assis filho de escravos e até hoje inspira as pessoas a mergulharem na leitura. Um legado intelectual que nenhuma palavra conseguirá mensurar sua importância.
É um erro do Historiador aceitar esta imposição da Historiografia brasileira e aceitar passivamente sem confrontá-la. Isso é se sujeitar a uma opressão literária e sair repetindo o que os outros querem que você diga. Ser um papagaio repetidor de pensamento dos outros não é atitude de um Historiador.

ZUMBI DOS PALMARES. Tem a sua figura simbolizada pela Historiografia  como um herói intocável.
Luis Motte acredita que o zumbi era homossexual.
Para outros um sanguinário.
Um Senhor de Escravos para outros.
O que é imposto  aos brasileiros todos os dias nas salas de aulas é a de que ele é um Herói e não o foi.
O que importa é que o Zumbi foi um importante líder a resistência  à escravidão e com as fraquezas que qualquer outro “herói” possua.
FREI VICENTE SALVADOR E O NOME BRASIL. Foi o primeiro historiador do Brasil que além de providenciar os primeiros registros históricos também catequizou.
Foi Capistrano de Abreu que consultando os documentos do Frei Salvador respaldou o caráter coloquial do nome Brasil, que era de fácil assimilação e que o nome também poderia ser “Terra dos Papagaios”.
A historiografia moderna despreza a narrativa de Capistrano e segue Gilberto Freyre de que o pau brail era um objeto de produção e que o nome foi em virtude disso.
A Historiografia brasileira não dedica uma linha ao Frei Vicente Salvador isso é calar ao passado e ser desonesto com o presente e omisso com o futuro.
A História do Brasil não pode ser estudada tendo como início o pensamento e literatura consolidada. Historiador é para pesquisar, investigar e conversar com as fontes.
Capistrano salienta a reação das tentativas francesas. E a luz de fontes primárias onde não havia paixão e descobre que as capitanias demonstram que as Capitanias demonstram que Portugal tinha interesse no Brasil sim e sua colonização e exploração do Brasil confirma esta política expansionista da Coroa Portuguesa.
E além do fator colonizador e de ocupação do território do brasileiro das capitanias as mesmas tinham também como estratégia a defesa das fronteiras. Capistrano escreveu isso com base em fontes primárias.

LATIFÚNDIOS. Também foi importante em nossa formação e desenvolvimento no período colonial e também na ocupação do território brasileiro. O próprio Marxista Caio Prado júnior reconhece essa importância do Latifúndio.
Capistrano de Abreu era o Historiador e conversava com as fontes como ninguém. Um documento parado é um documento morto e Capistrano dava vida a este documento com honestidade de poucos.

CONCLUSÃO.
A Modernidade é uma realidade mais nem sempre significa que o que é moderno é melhor. Deve-se melhorar o que está ruim e aproveitar o que funciona.
As críticas feitas a historiografia brasileira no curso deste trabalho são construtivas.
A HISTÓRIA deixou de ser um instrumento de doutrinação oficial e sim uma disciplina para formar pessoas com autonomia intelectual. E esta autonomia também deve ser buscada na Historiografia.
A importância do Professor de História para o país e a sua responsabilidade com o mundo foi exaustivamente colocada neste trabalho. Cabendo o Historiador o formador de pessoas e não marionetes manipuláveis.
As dificuldades existem para serem superadas.
As divergências nos rumos da disciplina devem servir de união para o bem comum da História.
Historiador não pode ser palpiteiro de luxo e sim um construtor de uma sociedade que valorize os seus fundadores.
Os Professores de História tem compromisso social com a nação brasileira e os baixos salários não podem ser justificativas para uma temerária acomodação.
Cabe o historiador transformar um Nabuco, um Sérgio Buarque, Varnhagen, Caio Prado em familiares dos brasileiros, pois, eles construíram a Historiografia brasileira.
Esta é minha colaboração que submeto a avaliação.


[1] www.brasilparalelo.com.br
[2] www.senado.gov.br
[3] Casa – Grande & Senzala, Editora Global, 51ª edição
[4] A enxada e a lança – a África antes dos Portugueses. Silva, Alberto da Costa, Editora Nova Fronteira, 5ª edição

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