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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O PRIMEIRO COMÍCIO DAS DIRETAS E O PDS


PRIMEIRO COMÍCIO. O HISTORIADOR tem a responsabilidade de se ater as fontes e agir com lealdade para com os seus leitores e qualquer erro do Historiador poderá causar uma injustiça e ao mesmo tempo transmitir a impressão de faltar com a verdade o que pode prejudicar toda a sua obra.
Dante de Oliveira (2014), em sua obra “Diretas Já” acusa Boris Fausto, Eduardo Bueno e o PT em querer transformar um comício ocorrido no Pacaembu em São Paulo como sendo o primeiro da campanha das Diretas. A verdade segundo Dante de Oliveira é que este comício teve muito sucesso e o PT o organizou e queria entrar para a História como o protagonista da campanha e que o primeiro comício das Diretas ocorreu na cidade de Goiânia no dia 15.06.1983 e foi um sucesso de público e o mesmo foi organizado pelo Governador Iris Resende e teve a presença de 400 mil pessoas inclusive o Governador Jader Barbalho compareceu neste evento e contou com a presença do Deputado Federal Ademir Andrade.
O PT e a CUT tinham a explícita intenção em não ficar em segundo plano na campanha das Diretas e não aceitava o protagonismo do PMDB no evento e neste comício do Pacaembu além de tentar refazer a História e transformar o evento como o primeiro da campanha e desmentido publicamente, o PT e seus filiados vaiavam os oradores do PMDB e o povo percebeu a traição do PT e simplesmente abandonou o evento e só ficaram 15 mil pessoas adeptas a linha ideológica petista e o fracasso do evento foram colocados na conta do Partido dos Trabalhadores e da CUT e nunca mais a população reconheceu estas duas entidades como responsáveis pelas Eleições Diretas.
Eduardo Suplicy (PT/SP) implorava para que os oradores do PMDB permanecessem no evento, porém, ninguém queria ser vaiado e fazer parte do plano petista. O PT tinha um projeto próprio de poder e deste o PMDB não fazia parte como protagonista, porém, o Partido dos Trabalhadores estavam no caminho contra a realidade do povo brasileiro que estava disposto a votar para Presidente e como disse Teotônio Vilella, o movimento das Diretas era suprapartidário.
O PT e PMDB caminharam na campanha das Diretas juntos para o público e afastados no ambiente privado e o que salvou este jogo de aparências foi a morte de Teotônio Vilela, que trouxe uma comoção pública e fez com que os adversários baixassem suas armas até a votação da Emenda Dante de Oliveira.

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O PDS É O BODE EXPIATÓRIO. O partido que dava sustentação política ao regime militar foi a Arena e depois se tornou o PDS e no período da campanha das Diretas os parlamentares e os Dirigentes da sigla percebiam que os parlamentares começavam a se posicionar de forma autônoma em total desprezo a orientação partidária de que todos deveriam ser contra as Diretas Já.
As dissidências vinham de todas as regiões do Brasil mais a declaração que mais surpreendeu foi a do próprio Presidente da República, João Batista Figueiredo (PDS/RJ) quando declararam de público que era favorável as eleições Diretas, porém, o PDS não seguiu a orientação do maior líder da nação.
O Presidente da República praticamente liberou os dissidentes para não assumirem compromissos públicos contrários a Emenda Dante de Oliveira. Aureliano Chaves (PDS/MG) Vice Presidente da República fazia campanha explícita a favor das Diretas e a motivação do político mineiro era impulsionada em virtude das pesquisas de opiniões que colocavam o nome de Aureliano na liderança eleitoral caso as eleições para Presidente fossem Diretas.
Esperidião Amin Governador de Santa Catarina (PDS/SC) em evento público pediu que o PDS reconsiderasse sua decisão e que o partido não poderia ter medo do povo e que o PDS tinha nomes para vencer as eleições DIRETAS ou INDIRETAS. O Senador Catarinense Jorge Bornhausen na mesma linha de Amin foi mais afoito e sugeriu que o partido deveria liderar a campanha para as Diretas. O futuro mostrou que o PDS não confiava em seus próprios méritos e não tinha segurança no apoio popular em eventuais eleições diretas. No poder o PDS ficou distante do povo e não estava preparado para saber o sentimento da população, por isso, a dificuldade em fazer a leitura política na época.
Fernando Lyra porta voz de Tancredo Neves e defensor da candidatura de Tancredo para Presidente seja pela via direta ou indireta percebeu a fragilidade partidária do PDS e sabia que precisava dos votos destes dissidentes para que Tancredo vencesse no Colégio Eleitoral e escalou o Deputado Alberico Monteiro (PDS) para conseguir mais dissidentes do PDS.
Fernando Lyra atualizava Tancredo Neves dos bastidores partidários e o mesmo alertou Tancredo que o mesmo tinha que declarar apoio as Diretas, pois, a possibilidade da Emenda Dante de Oliveira ser aprovada eram grandes e se isso se confirmasse Tancredo só seria o candidato do PMDB se o mesmo entrasse publicamente na campanha. Fernando Lyra estava certo e Tancredo foi obrigado a declarar apoio as Diretas e o Brasil ficou conhecendo Tancredo Neves nos comícios da campanha. E ao mesmo tempo Tancredo sabia que o seu nome era bem aceito no PDS e este apoio por mais que fosse velado seria importante para um eventual futuro governo de Tancredo.

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