PRIMEIRO
COMÍCIO. O HISTORIADOR tem a responsabilidade de se ater as fontes e agir
com lealdade para com os seus leitores e qualquer erro do Historiador poderá
causar uma injustiça e ao mesmo tempo transmitir a impressão de faltar com a
verdade o que pode prejudicar toda a sua obra.
Dante de Oliveira (2014), em sua obra
“Diretas Já” acusa Boris Fausto, Eduardo Bueno e o PT em querer transformar um
comício ocorrido no Pacaembu em São Paulo como sendo o primeiro da campanha das
Diretas. A verdade segundo Dante de Oliveira é que este comício teve muito
sucesso e o PT o organizou e queria entrar para a História como o protagonista
da campanha e que o primeiro comício das Diretas ocorreu na cidade de Goiânia
no dia 15.06.1983 e foi um sucesso de público e o mesmo foi organizado pelo
Governador Iris Resende e teve a presença de 400 mil pessoas inclusive o
Governador Jader Barbalho compareceu neste evento e contou com a presença do
Deputado Federal Ademir Andrade.
O PT e a CUT tinham a explícita intenção
em não ficar em segundo plano na campanha das Diretas e não aceitava o
protagonismo do PMDB no evento e neste comício do Pacaembu além de tentar
refazer a História e transformar o evento como o primeiro da campanha e
desmentido publicamente, o PT e seus filiados vaiavam os oradores do PMDB e o povo
percebeu a traição do PT e simplesmente abandonou o evento e só ficaram 15 mil
pessoas adeptas a linha ideológica petista e o fracasso do evento foram
colocados na conta do Partido dos Trabalhadores e da CUT e nunca mais a
população reconheceu estas duas entidades como responsáveis pelas Eleições
Diretas.
Eduardo Suplicy (PT/SP) implorava para
que os oradores do PMDB permanecessem no evento, porém, ninguém queria ser
vaiado e fazer parte do plano petista. O PT tinha um projeto próprio de poder e
deste o PMDB não fazia parte como protagonista, porém, o Partido dos
Trabalhadores estavam no caminho contra a realidade do povo brasileiro que
estava disposto a votar para Presidente e como disse Teotônio Vilella, o
movimento das Diretas era suprapartidário.
O PT e PMDB caminharam na campanha das
Diretas juntos para o público e afastados no ambiente privado e o que salvou
este jogo de aparências foi a morte de Teotônio Vilela, que trouxe uma comoção
pública e fez com que os adversários baixassem suas armas até a votação da
Emenda Dante de Oliveira.
****************************
O
PDS É O BODE EXPIATÓRIO. O partido que dava sustentação política ao regime
militar foi a Arena e depois se tornou o PDS e no período da campanha das
Diretas os parlamentares e os Dirigentes da sigla percebiam que os
parlamentares começavam a se posicionar de forma autônoma em total desprezo a
orientação partidária de que todos deveriam ser contra as Diretas Já.
As dissidências vinham de todas as
regiões do Brasil mais a declaração que mais surpreendeu foi a do próprio
Presidente da República, João Batista Figueiredo (PDS/RJ) quando declararam de
público que era favorável as eleições Diretas, porém, o PDS não seguiu a
orientação do maior líder da nação.
O Presidente da República praticamente liberou
os dissidentes para não assumirem compromissos públicos contrários a Emenda
Dante de Oliveira. Aureliano Chaves (PDS/MG) Vice Presidente da República fazia
campanha explícita a favor das Diretas e a motivação do político mineiro era
impulsionada em virtude das pesquisas de opiniões que colocavam o nome de
Aureliano na liderança eleitoral caso as eleições para Presidente fossem
Diretas.
Esperidião Amin Governador de Santa
Catarina (PDS/SC) em evento público pediu que o PDS reconsiderasse sua decisão e
que o partido não poderia ter medo do povo e que o PDS tinha nomes para vencer
as eleições DIRETAS ou INDIRETAS. O Senador Catarinense Jorge Bornhausen na
mesma linha de Amin foi mais afoito e sugeriu que o partido deveria liderar a
campanha para as Diretas. O futuro mostrou que o PDS não confiava em seus
próprios méritos e não tinha segurança no apoio popular em eventuais eleições
diretas. No poder o PDS ficou distante do povo e não estava preparado para
saber o sentimento da população, por isso, a dificuldade em fazer a leitura
política na época.
Fernando
Lyra porta voz de Tancredo Neves e defensor da candidatura de Tancredo para
Presidente seja pela via direta ou indireta percebeu a fragilidade partidária
do PDS e sabia que precisava dos votos destes dissidentes para que Tancredo
vencesse no Colégio Eleitoral e escalou o Deputado Alberico Monteiro (PDS) para
conseguir mais dissidentes do PDS.
Fernando Lyra atualizava Tancredo Neves
dos bastidores partidários e o mesmo alertou Tancredo que o mesmo tinha que
declarar apoio as Diretas, pois, a possibilidade da Emenda Dante de Oliveira
ser aprovada eram grandes e se isso se confirmasse Tancredo só seria o
candidato do PMDB se o mesmo entrasse publicamente na campanha. Fernando Lyra
estava certo e Tancredo foi obrigado a declarar apoio as Diretas e o Brasil
ficou conhecendo Tancredo Neves nos comícios da campanha. E ao mesmo tempo
Tancredo sabia que o seu nome era bem aceito no PDS e este apoio por mais que
fosse velado seria importante para um eventual futuro governo de Tancredo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Solicito que sua mensagem não utilize palavras de baixo calão e nem deprecie a imagem de qualquer pessoa.
Obrigado