OS
RAMPEIROS. Ulysses Guimarães era considerado um radical e o governo temia
um país sendo conduzido pelo “Senhor Diretas” e durante todo o processo das
Eleições Diretas sempre havia um movimento para isolar Ulysses a fim de que a
Emenda pudesse ser aprovada sem que o próprio Ulysses fosse candidato. E os
governadores do PMDB se incomodavam quando Ulysses criticava-os pelo não apoio
a Emenda de forma clara e pública e o mesmo Ulysses apelidou os Governadores
que iriam pedir verbas ao Governo Federal de “rampeiros” ironizando que os
mesmos subiam a rampa do palácio para negociar com Figueiredo. Ulysses não
aceitava o argumento de que os governadores precisavam de verbas para
administrar seus Estados e a relação com o Governo Federal tinha que ser
Institucional. As críticas eram dirigidas a Franco Montoro (SP), Tancredo Neves
(MG) e Jader Barbalho (PA). O governador paraense tentava a liberação de
recursos para a construção do Hospital das Clínicas e a criação da PA-150.
Em Outubro de 1983 os Governadores do
PMDB deram o troco em Ulysses e declararam apoio a Emenda Dante de Oliveira de
forma pública e neste ato formal exigiram a ausência de Ulysses. Foi o Franco
Montoro que fez o movimento para a exclusão de Ulysses. E Tancredo mais uma vez
aproveitou a ausência do Presidente do PMDB e lançou novamente o seu nome como
“CONCILIADOR NACIONAL” e finalmente declarou apoio as DIRETAS JÁ. Este apoio
dos Governadores foi importante para o suporte financeiro da campanha, pois, os
Governadores passariam a cuidar das estruturas dos comícios e nasce à expressão
“MARKETING POLÍTICO”.
Ulysses Guimarães era o grande maestro da
campanha das Diretas, porém, é importante salientar que mesmo com a importância
de Ulysses durante todo o processo cada agente político deu a sua parcela para
o sucesso da campanha. Nos Estados onde os Governadores eram do PMDB os Chefes
do Executivo usavam o seu poder discricionário para garantir a realização dos
comícios oferecendo os militares para a proteção, na alimentação do pessoal de
apoio, na parte de iluminação. Em São Paulo o Governador Franco Montoro nos
dias de comício na capital decretava a gratuidade para todos.
Os Prefeitos que estavam alinhados com a
pauta da oposição bancavam ônibus para deslocamento das pessoas participarem
dos comícios. Ou seja, a população brasileira tinha interesse em participar da
campanha das diretas e as lideranças políticas tinham que facilitar o acesso
destas pessoas para os comícios. E os grandes comícios eram televisionados e
quando o brasileiro assistia àquela movimentação espontânea animava-se para
participar da festa em sua cidade.
Mais Ulysses Guimarães era forte e voltou
a liderar o movimento das Diretas e o PMDB tinha consciência de que a vitória
da Emenda Dante de Oliveira só seria possível com o apoio de Ulysses, e Ulysses
por sua vez sabia que precisava do apoio dos Governadores para que a Emenda
Dante de Oliveira fosse aprovada, portanto, a separação prejudicava a todos e
só beneficiava o PDS e a eleição no colégio eleitoral.
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O Movimento das Diretas ganhava vida
própria e os apoios vinham naturalmente e em Novembro de 1983 o empresariado
brasileiro que enfrentava dificuldades financeiras e econômicas passou a apoiar
as Diretas Já. O Pão de Açúcar era a rede de supermercados de maior importância
no Brasil e o seu proprietário, Abílio Diniz, declarou apoio a Emenda Dante de
Oliveira, porém, como o país vivia um momento de incertezas o experiente
empresário no mesmo ato também fez elogios gratuitos ao Presidente Figueiredo e
ressaltou as virtudes do Chefe do Executivo.
OAB, Igreja, Vereadores, Deputados
Estaduais, a revista ISTO É, FOLHA DE SÃO PAULO e outras entidades civis também
entram na campanha. A rede globo tinha 80% da audiência no território
brasileiro e os seus atores possuíam influência carismática junto à população e
os artistas passaram a fazer parte dos comícios e a campanha saiu dos gabinetes
e tomou as ruas. E a cada comício milhares de pessoas comparecem
espontaneamente aos comícios das Diretas.
OSMAR SANTOS passa a ser um maestro dos
comícios e a sua voz famosa nas narrações esportivas entra em campo político
com o mesmo sucesso. A imprensa aproveita o sucesso da campanha e começa uma
disputa para a eleição da musa das Diretas e a paraense Fafá de Belém concorre
com Tânia Alves e Christiane Torloni e pouco importa a vencedora o que
interessava é que a população não perdia o foco da campanha.
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