Pesquisar este blog

sábado, 23 de fevereiro de 2019

OS PARLAMENTARES PARAENSES ANTES DA VOTAÇÃO DA EMENDA DAS DIRETAS JÁ


O dia da votação da emenda se aproxima

Uma Emenda a Constituição tem que ser aprovada nas duas casas legislativas, em dois turnos e com quórum qualificado, e a primeira batalha para os favoráveis a Emenda seria travada na Câmara dos Deputados, e se a mesma fosse rejeitada nem seria encaminhada ao Senado. Porém, os deputados favoráveis a Emenda tinham consciência que uma vez aprovada a Emenda na Câmara, dificilmente o Senado iria rejeitar, pois, a onda nacional iria influenciar de forma decisiva a opinião dos Senadores, que também eram sabedores por questão de sobrevivência política, que não poderiam votar contra uma Emenda, em que a maioria do povo brasileiro apoiava.
O dia da votação da Emenda Dante de Oliveira está marcada para o dia 24.04.1984 e os ânimos no Brasil e no Pará estão acirrados, o Ministro Jarbas Passarinho se recusa a receber uma comissão de estudantes da UNE e o Ministro é acusado de truculento pela entidade estudantil.
Os Deputados Estaduais, GABRIEL GUERREIRO (PMDB) e JOSÉ HAGE (PDS), vão as vias de fato em uma sessão da Assembléia Legislativa, pois, o Deputado HAGE, acusava o parlamentar do PMDB de assediar seus eleitores no Nordeste do Estado. Qualquer pretexto era motivo para discussões acaloradas, pois, o pano de fundo de todas as divergências políticas era ser contra ou a favor da Emenda Dante de Oliveira.
ZENALDO COUTINHO (PDS), então Vereador de Belém conquistou a fúria dos servidores municipais, pois, um reajuste daquela categoria seria concedido pelo Prefeito ALMIR GABRIEL (pmdb), porém, o parlamentar pediu vistas do projeto e adiou o reajuste.
O governo federal insiste nas eleições indiretas, e Ulysses Guimarães (PMDB/SP) líder maior do PMDB, acusa o governo federal de caminhar contra o povo, pois, em pesquisa de opinião, apontava que 95% da população desejava votar para Presidente. E o PMDB organizava a campanha pelas DIRETAS em todo país.
LEONEL BRIZOLA (PDT/RJ) faltou a um comício pelas eleições diretas onde estavam 300 mil pessoas, e foi acusado de omisso, e o mesmo em defesa alegou que não participa de comício na presença de comunistas. O político carioca ainda não havia percebido que a vontade da população era espontânea e estavam alheios as ideologias partidárias e àqueles que resolvessem tirar proveito político partidário deste movimento seriam logo identificados como oportunista. Só Ulysses Guimarães tinha luz própria e a sua imagem ficou imortalizada como o “Senhor Diretas” e talvez fosse o único legitimado a usar o movimento das diretas a seu favor.
RONALDO CAMPOS (PMDB/PA) Deputado Federal ganha a confiança do partido para ocupara a vice-liderança na Câmara Federal. E a visibilidade do político mocorongo em defesa das eleições diretas lhe rendeu mandatos de Prefeito na cidade de Santarém no Pará.
MALUF, MARCOS MACIEL, AURELIANO CHAVES e MÁRIO ADREAZZA, todos do PDS continuam em plena campanha e MALUF agride os colegas candidatos inclusive pregando a traição a AURELIANO CHAVES. Esta postura de MALUF irá custar caro ao Deputado por ocasião da votação no Colégio Eleitoral. E os seus inimigos ocultos despejaram votos em Tancredo Neves na disputa presidencial indireta.
No Pará, o líder da juventude do PDS, MÁRIO BARBOSA deixa o partido e migra para o PMDB e OZIEL CARNEIRO (PDS), continua criticando o seu partido  que tem postura omissa em relação ao governo Jader, CARNEIRO recebe o troco de seus colegas e ELOY SANTOS e RONALDO PASSARINHO rebatem as críticas do “colega”, e que a oposição do PDS é responsável.
Em Benevides é realizado o comício PRÓ DIRETAS, e o organizador do evento é o Deputado Hermínio Calvinio (PMDB) e a fidelidade ao partido será compensada com a indicação para o cargo de vice-governador no próximo pleito em chapa encabeçada pelo Senador Hélio Gueiros (PMDB/PARÁ).
O PMDB na pessoa de seu Presidente pede a população brasileira para ir as ruas em favor das DIRETAS e a população recebe o convite e comparece em massa nas ruas do Brasil e no dia 10.04.1984, várias manifestações nas capitais brasileiras conseguem reunir mais de um milhão de pessoas e o governo federal se assusta com o gigantismo da adesão popular a campanha das Diretas.
AURELIANO CHAVES, candidato a Presidente pelo PDS ao perceber o movimento da população declara que dificilmente a EMENDA DANTE DE OLIVEIRA será rejeitada na Câmara e o Ulysses Guimarães condena a estratégia do Planalto em esvaziar a sessão de votação da emenda.
TANCREDO NEVES sabia que o seu nome não seria aprovado pelo PMDB para uma eventual eleição direta e o mesmo começa a sugerir o seu nome para concorrer ao cargo de Presidente, porém, em eleição indireta. Esta movimentação do governador mineiro passou despercebida pelos caciques do partido, mais mostra que Tancredo era o principal interessado que a eleição fosse indireta. Em depoimento esclarecedor a este trabalho Ademir Andrade fez questão de registrar que Tancredo jamais traiu a campanha das diretas em que pese reconhecer as divergências entre Tancredo Neves e Ulysses Guimarães.
Após um comício no Rio de Janeiro na Cinelândia no dia 11.04.1984 Tancredo Neves fez elogio ao movimento popular e procurou ficar neutro, pois, o mesmo tinha intenção em ser candidato pelo PMDB no Colégio Eleitoral, pois, sabia que jamais seria indicado pelo partido para concorrer em uma eleição direta, pois, Tancredo era novo no partido e a sua ligação com o governo federal jamais passou despercebida. E como já dito anteriormente Tancredo Neves estava longe de qualquer plano do partido para que o mesmo fosse lançado como candidato a Presidência em uma eventual eleição direta.
Este Comício do Rio de Janeiro onde compareceram mais de um milhão de pessoas foi o termômetro para que políticos sem opinião e se protegidos pela capa da neutralidade começassem a se definir sobre a questão, entre eles o Fernando Henrique Cardoso, Senador pelo PMDB paulista, e que até a presente data, jamais tinha declarado apoio público as Diretas Já. O senador paulista chegou a comparar a manifestação carioca aos movimentos populares de 1964 onde milhões de pessoas foram às ruas contra o regime militar.
O Senador paraense Gabriel Hermes (PDS/PA) teve a infelicidade de criticar o movimento da Cinelândia em favor das diretas já e a imprensa nacional o acusou de medíocre e sem qualquer sensibilidade com a vontade popular. Um político tem a obrigação de acertar sempre sem que seja lembrado por toda a sua carreira, porém, um único erro pode destruir toda uma trajetória política e esta frase infeliz do Senador Gabriel Hermes lhe rendeu um desprestígio no Pará e o mesmo nunca mais conseguiu se eleger para nenhum cargo público.
Carlos Chagas colunista político de grande respeitabilidade e credibilidade ainda falando do memorável comício das Diretas Já no Rio de Janeiro e chamou a atenção que o brasileiro queria tanto voltar a votar a Presidente da República que nem percebeu a presença de bandeiras vermelhas que pregaram a luta armada contra o Estado e o mesmo colunista registrou que no Comício sempre se destacava Luis Inácio Lula da Silva, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Leonel Brizola políticos de posições ideológicas totalmente divergentes.
As Campanhas das Diretas estavam nas ruas e no bate papo de qualquer mesa de bar ou restaurante, porém, as demandas locais existiam e tinham que ser resolvidas pelos seus governadores. E O governador Jader Barbalho e o Senador Hélio Gueiros (PMDB/PA), estavam tentando obter autorização de empréstimo junto ao Senado Federal em benefício ao Estado do Pará e após a intensa agenda na Câmara Alta brasileira Jader e Gueiros seguiram para o Rio de Janeiro para participarem do comício das Diretas na Cinelândia. E na mesma coluna que registrou o movimento de Jader (JOSÉ SEIXAS) foi informado que a rede globo não mostrou o comício das Diretas realizada no Rio de Janeiro e que a bancada do PDS trabalhava para esvaziar a sessão que iria votar a Emenda Dante de Oliveira.
Em Belém o clima de campanha das Diretas Já contagiou a população e como havia um Comitê Pró Diretas na cidade sempre ocorria alguma reunião, alguma manifestação ou qualquer outro ato político isolado. A capital paraense entrou no clima nacional e queria participar da escolha do próximo Presidente da República. Este Comitê instalou na Praça do Relógio um placar onde apontava o nome do parlamentar e qual o seu voto, o placar era imenso e como a região era de grande movimento os políticos temiam a repercussão pública em aparecer o seu nome vinculado a qualquer campanha contrária as eleições diretas.
A coluna REPORTER DIÁRIO do Diário do Pará era uma das lidas na década de 80, pois, resumia bastante os bastidores da política local e nacional, e esta coluna no dia 12.04.1984, sugeriu que o Senador Jarbas Passarinho (PDS/PA), então Ministro do atual Governo Figueiredo batalhava nos bastidores para que o seu nome fosse o escolhido para ser o candidato a Presidente da República inclusive sugeria a coluna que Tancredo Neves tratava essa hipótese caso a Emenda Dante de Oliveira fosse rejeitada no Congresso.
A pressão sobre os parlamentares paraenses aumentava e iria ocorrer uma audiência pública na Universidade Federal do Pará, onde autoridades acadêmicas e políticas poderiam falar a favor e contra as eleições diretas, a favor, os primeiros inscritos, foram Milton Nobre, Benedito Monteiro e José Carlos Castro, para falar contra a Emenda Dante de Oliveira, Ronaldo Passarinho, Gerson Peres e Jorge Arbage todos do PDS Paraense ainda não tinham confirmado a participação. É pertinente lembrar que o PDS REGIONAL já havia declarado apoio as eleições diretas, porém, havia uma proibição de qualquer manifestação pública de apoio a emenda Dante de Oliveira. Ronaldo Passarinho em entrevista colaborativa a este trabalho disse que nunca recebeu convite para este evento e que o mesmo foi montado só para constranger os parlamentares do PDS e mostrar para a opinião pública de que o PDS estava fugindo dos debates.
O Diário do Pará do dia 13.04.1984 em relação à visita do Presidente da República, João Batista Figueiredo (PDS) a Espanha teria dito que eleições diretas seria bom para o Brasil e o Vice Presidente do Partido, Jorge Bolhassem pediu explicações de Figueiredo, pois, o partido estava trabalhando para a rejeição da Emenda Dante de Oliveira e se o próprio Chefe do Executivo faz uma declaração dessa Bornhausen acertadamente pedia esclarecimento.
E para piorar o clima interno no PDS, o Senador Marcos Maciel (PDS/PE), em visita de cortesia ao Pará, ao ser indagado por uma repórter se o mesmo iria votar contra a Emenda Dante de Oliveira, o Senador pernambucano omitiu-se e nada declarou e a sua omissão foi mal vista pelo partido, pois, o mesmo era candidato para Presidente da República no Colégio Eleitoral.
Os políticos a todo instante eram abordados e as perguntas dos repórteres sempre giravam em torno das eleições diretas e qualquer descuido em uma resposta poderia custar caro ao político entrevistado, basta observar o que ocorrer com o Gabriel Hermes que em uma frase de 20 palavras lhe custou uma promissora carreira política.
Os movimentos das Diretas Já ganhavam vida própria e era o assunto principal em qualquer parte do país, o PDS queria alterar a pauta, porém não tinha sucesso, pois, a população brasileira queria votar para Presidente e depositava todas as esperanças na aprovação da emenda Dante de Oliveira. E as forças das ruas não intimidavam o partido da situação (PDS), que insistia em caminhar contra a vontade popular, com argumentos técnicos e constitucionais de difícil assimilação pela população. Já o discurso das Diretas já, era de fácil aceitação, pois, bastava a pessoa saber que ela poderia votar para Presidente, porém, precisava do voto de Deputados e Senadores. E neste formato era mais fácil do indivíduo identificar o parlamentar que iria votar contra os seus interesses que naquele momento era o de votar a Presidente.
O Vice Presidente da República Aureliano Chaves (PDS/MG) no exercício da Presidência em decorrência da viagem do Presidente Figueiredo declarou a imprensa que em nenhuma hipótese irá aceitar que o Planalto pressione o congresso Nacional para que seja rejeitada a Emenda Dante de Oliveira. Aureliano que já era um presidenciável a cadeira do titular acrescentou que se preciso fosse renunciaria a sua candidatura a fim de que fosse devolvida ao povo a possibilidade de escolher o candidato a Presidente.
Houve comício em Goiânia e o Governador daquele Estado, IRIS RESENDE (PMDB), convidou vários governadores para participarem do comício, entre eles, o governador Jader do PMDB/PA, e o mesmo discursou e foi muito aplaudido pela população goiana que compareceu em grande número. O Deputado Ademir Andrade compareceu neste comício e o mesmo em depoimento declarou que ficou impressionado com os 400 mil goianos que estiveram no evento.
O Diário do Pará do dia 17.04.1984 coloca em primeira página o sucesso do comício das Diretas realizado na cidade de São Paulo e participaram do evento figuras Ilustres como Franco Montoro, Tancredo Neves, Fafá de Belém, e o famoso jogador de futebol o paraense Sócrates.
O Corinthians era o time mais popular do Estado de São Paulo e um de seus principais jogadores era o médico paraense Sócrates e no período em que Sócrates jogou ele liderou um movimento democrático dentro do seu clube onde ficou definido horário de treinos, de folgas, e a presença de esposas em dias de concentração. Este movimento dentro de um clube era inédito, pois, os jogadores não tinham sindicato para representá-los e os mesmos tinham medo de contestar as regras do clube por medo de represálias. E esta iniciativa de Sócrates ficou conhecida como a “democracia corintiana” e contou com os jogadores ZENON, SÓCRATES, CASAGRANDE e WLADIMIR.
Franco Montoro organizador do comício chegou a convidar o vice Presidente Aureliano Chaves para compor o palanque já que o mesmo declarou de público apoiar a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, porém, Aureliano Chaves sabia de seus limites políticos e devia lealdade ao Presidente Figueiredo e comparecer em um evento desta natureza iria destruir a reputação de Aureliano junto ao Chefe do Executivo.
Ulysses Guimarães ainda no comício deu entrevista dando como certa a aprovação da Emenda Dante de Oliveira e já fazia planos para o pós-emenda e já articulava o candidato do partido para o pleito. Esta declaração de Ulysses vindo de um político experiente, revelava um político excessivamente otimista que deixou a emoção influenciar uma posição racional do quadro político, pois, em que pese a população aderir a campanha das Diretas, não poderia se deixar considerar que quem iria votar na Emenda seriam os Deputados que em sua grande maioria faziam parte do governo Federal que declaradamente era contra a Emenda.
No Pará os trabalhos na Assembléia Legislativa continuavam regularmente e o Deputado Nicias Ribeiro (PMDB) surpreendeu em sugerir uma homenagem ao político mineiro Juscelino Kubistchek e que deveria ser construída uma estátua ao político mineiro. E ninguém ousou pedir aparte ao aguerrido Ribeiro para indagar, o que o JK fez pelo Pará para merecer tão polpuda homenagem.
Na mesma sessão da Alepa outro que surpreendeu foi o pedessista Aldebaro Klautau ao criticar o governo federal, isso mesmo, Klautau parecia um aguerrido oposicionista ao criticar o programa de planejamento familiar proposto pelo Ministério da Saúde que estimulava o uso do DIU e que segundo o parlamentar esta prática é danosa às mulheres, inclusive o DIU é proibido em vários países. E continuando em seu argumento Aldebaro ainda usou o tema da campanha da fraternidade “que todos tenham vida”. As utilizações de argumentos religiosos sempre causam comoção política e eram muito bem utilizadas por políticos oportunistas.
Deputado Maruandir Santos (PMDB) conseguiu uma importante vitória legislativa ao conseguir incluir no conselho administrativo da EMATER o órgão de classe da categoria. A importância desta medida é que não era comum a empresa pública permitirem o acesso de entidade sindical nas decisões de gestão da empresa e a partir desta lei de forma inovadora a representação classista poderia sugerir e votar os rumos da empresa em que trabalham.
Com a chegada do dia da votação da Emenda Dante de Oliveira, os discursos apaixonados eram frequentes e quase sempre carentes de razoabilidade foi o que ocorreu com o paraense Sócrates que embriagado pela euforia da multidão paulista que gritava o seu nome declarou que se a Emenda não fosse aprovada, o paraense deixaria o Brasil. O excelente jogador não deixou o país e nem a emenda foi aprovada.
No comício de São Paulo que foi a maior concentração espontânea na América Latina, segundo o seu anfitrião, Franco Montoro, contou com a participação de Fafá de Belém, cantora de grande prestígio nacional da época, que sempre trazia alegria musical aos comícios. E também, contou com o ídolo da maior torcida de futebol do Estado de São Paulo, o Dr. Sócrates que era médico e nascido em Belém do Pará.
Neste grandioso evento é pertinente registrar que sempre o cerimonial dos comícios autoriza o discurso de políticos da localidade, bem como, personalidades fora do campo político como o locutor Osmar Santos que falou muito bem a multidão. E Tancredo Neves sem ser governador de São Paulo e sem possuir qualquer cargo na direção do PMDB, ainda assim, lhe foi franqueada a palavra. Demonstra que o PMDB já calculava a possível derrota por ocasião da votação da Emenda Dante de Oliveira, porém, estes comícios eram importantes para que o Brasil conhecesse outros nomes do partido e no caso o de Tancredo Neves.
O Presidente João Batista Figueiredo percebeu que a população brasileira abraçou a bandeira das Diretas Já, e após o comício de São Paulo foi para cadeia nacional e quando todos esperavam que Figueiredo fosse surpreender e declarasse apoio a Emenda Dante de Oliveira o mesmo foi no sentido contrário e declarou que o seu governo iria cumprir a Lei e que as eleições para Presidente seriam indiretas e mandou recado a oposição que o seu governo sempre esteve aberto ao diálogo para as discussões do âmbito nacional.
O posicionamento do PDS dividiu o partido, pois, o político tem um extinto de sobrevivência e fechar questão sobre a Emenda Dante de Oliveira colocava em risco o futuro político dos parlamentares do PDS e os mesmos sabiam que era mais fácil para o Presidente se declarar contrário a Emenda, já que o mesmo não tinha qualquer ambição política após o término do seu mandato.
O PDS sentia o cheiro da derrota nas eleições de 1986, caso o partido votasse contra a Emenda Dante de Oliveira e os mesmos tinham consciência que a população não iria perdoar os políticos que votassem contra a Emenda no dia 25. E diante da eminente morte política dos parlamentares do PDS, tramitavam no Congresso imorais projetos que prorrogavam o atual mandato, e definia as próximas eleições para o Congresso só para 1988, com esta prorrogação os políticos acreditavam na pouca memória do eleitor, e até lá já teriam esquecido dos Deputados que votaram contra a Emenda. Em que pese se desconfiar eternamente do Congresso Nacional estes projetos já nasceram mortos.
Em Brasília os Deputados da oposição já comemoravam a vitória da Emenda Dante de Oliveira, porém, outro tema dominava os cafezinhos do Congresso Nacional, que era a possibilidade de novo golpe militar caso a Emenda fosse aprovada. Ulysses, FHC e Franco Montoro rejeitaram esta ideia, pois, o clima no Brasil era diferente do de 1964, pois, quando foi dado o golpe militar a população brasileira deu apoio ao golpe, pois, era melhor um governo militar do que a ameaça do comunismo, contudo, no período da campanha das Diretas Já, a população não tinha posição ideológica definida, ela queria votar, portanto, a vontade cívica de querer escolher o seu governante era o que imperava na cabeça dos brasileiros. E é pertinente dizer que a população havia acabado de votar em Governador do Estado e o sentimento cívico estava na cabeça de cada brasileiro e neste clima dificilmente haveria um golpe militar como previa os pessimistas.
No Pará o clima festivo da campanha das Diretas também contagiou a população e o clima era de jogo da seleção na copa do mundo ainda mais que foi anunciado que a votação da Emenda seria transmitida em cadeia nacional para todo o Brasil. Isso jamais ocorreu, porque, o governo federal com o intuito de esconder da população os que estavam trabalhando contra os anseios da população impôs uma rigorosa censura aos órgãos de imprensa no dia da votação da Emenda Dante de Oliveira.
A Assembléia Legislativa suspendeu suas atividades no dia da votação a fim de que todos pudessem acompanhar a transmissão da votação pela TV.
O dia da votação da Emenda Dante de Oliveira se aproxima e ansiedade toma conta do meio político nacional e regional e em Brasília um grupo de mulheres pediram reunião com o líder do Governo, o Deputado Nelson Marchezan (PDS/SP) e durante a reunião houve bate boca entre a atriz Lucélia Santos e o parlamentar, que não aceitou o tom da conversa. O movimento em favor das Diretas Já ganhou apoio de algumas personalidades da tv, e as mesmas foram pessoalmente com o líder do governo pedir apoio as eleições diretas e além da eterna Escrava Isaura também marcaram presença Maité Proença e a sexóloga Marta Suplicy, que depois se tornaria Prefeita da maior cidade do país, e Senadora por São Paulo.
Os Colunistas Nacionais como Hélio Fernandes e Carlos Chagas as vésperas da votação da Emenda Dante de Oliveira, lamentam o comportamento do Presidente Figueiredo, que ora se diz apoiando o povo, porém, faz campanha para a rejeição da emenda, outra hora fala em transmitir o governo ao sucessor e também insinua ser candidato a reeleição.
Tancredo Neves sempre foi tratado com um candidato do consenso em eventual pleito Presidencial para a sucessão de Figueiredo, porém, o tempo passou e o discurso de Tancredo foi ficando velho e como na política não existe vácuo, surgiram novas lideranças, entre elas Ulysses Guimarães, José Richa e Aureliano Chaves.
Aureliano Chaves mesmo sendo Vice Presidente da República, o mesmo conseguiu ter vida própria dentro da gestão Figueiredo, e mostrou ser um bom articulador e gestor, nas ocasiões em que substituía o Presidente. Aureliano transmitiu a população brasileira à imagem de pessoa honesta, e apego às causas democráticas, pois, desde o início das Campanhas das Diretas, o Vice Presidente sempre foi defensor da ideia mesmo contrariando o Presidente e o seu partido.
O governador do Estado de Pernambuco o influente Roberto Magalhães (PDS) ao tomar conhecimento do sucesso dos comícios das Diretas Já em todo o país decidiu declarar apoio ao movimento e sugeriu ao seu partido e ao Presidente Figueiredo que reunisse com a oposição para negociar esta possibilidade. Políticos jovens com o Roberto Magalhães e com ambições políticas preferiam se posicionar contra o partido do que perder os eleitores em futuros sufrágios.
O Colunista Carlos Chagas noticia que Paulo Maluf (PDS/SP) tem ambição pessoal em ficarem 12 anos como Presidentes da República bastando o mesmo vencer no colégio eleitoral onde seria Presidente por (cinco) 5 anos, e tentaria a reeleição, pois, a lei permite, e quando fosse ter eleições diretas o mesmo poderia ser candidato regularmente. Se o sonho de Maluf de fato ocorreu o mesmo esqueceu de combinar com o Congresso e com os eleitores, pois, nas duas situações legítimas o mesmo não conseguir se tornar Presidente da República.
E no Pará os Deputados Estaduais com olho nas eleições e no pleito de seus eleitores, trabalham em suas pautas locais, o Deputado Hermínio Calvinho, por exemplo, aproveitando a passagem da Ministra da Cultura, Esther Ferraz em Belém, cobrou da Ministra a possibilidade do governo federal ajudar os estudantes universitários da área privada, pois, os mesmos estavam abandonando os cursos por falta de condições em arcar com as mensalidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Solicito que sua mensagem não utilize palavras de baixo calão e nem deprecie a imagem de qualquer pessoa.
Obrigado